Manifestantes em Brasília protestam contra a censura de apoiadores de Bolsonaro nas mídias sociais. (Foto: Renan Ramalho/Gazeta do Povo)
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Sabe os gays progressistas que apoiam o Hamas? Realmente é engraçado (e trágico), mas pelo menos eles o fazem de maneira cínica e hipócrita, porque sabem que dificilmente irão morar em territórios controlados pelo Hamas. Então eles são cínicos e hipócritas, mas certamente não são burros. Eles querem defender o indefensável mantendo-se espertamente bem longe da abominação que sabem que existe, embora finjam não enxergar.
Mas o que podemos dizer de outro grupo, bem parecido com os gays pelo Hamas, que é o grupo dos jornalistas pela censura? Dos jornalistas do consórcio, sobretudo de esquerda, que passaram os últimos anos celebrando a perseguição a jornalistas de direita, comemorando o seu exílio e debochando com memes (como aquele do “Vigiar e Punir/ Gostoso Demais”) daqueles que eram perseguidos por apenas exercer o seu direito fundamental à liberdade de expressão?
Como entender esses jornalistas, em sua maioria progressistas, que tanto lutaram pela volta da censura e pelo fim da liberdade de expressão no Brasil?
Em mais uma investida sobre a liberdade de expressão e de imprensa no Brasil, o STF autorizou operação de busca e apreensão contra uma fonte jornalística. Sei que muitos preferem chamar os autores dessas ações pelo nome, especificando que foi o Ministro Alexandre de Moraes quem autorizou a operação.
Entendo o esforço de identificar autores, mas não está aí a raiz do problema. Inclusive porque o avanço sobre a liberdade de expressão e a volta da censura são problemas internacionais, ocorrendo simultaneamente por todo o Ocidente. A censura que hoje acomete o mundo lastreia-se num amplo movimento político, ideológico e cultural que passou a defender a implementação autoritária dos ideais de esquerda (neocomunismo).
No caso do Brasil, é praticamente impossível analisar a censura sem nos referirmos diretamente ao papel da imprensa progressista em todo esse processo, que aplaudiu o avanço sobre a direita e sobre os bolsonaristas imaginando que conseguiriam controlar a censura.
Cada vez mais têm-se comprovado as teses mais básicas da doutrina da liberdade de expressão: autoritarismo não tem limites naturais, e o ideal é sempre freá-lo em seu nascedouro, não importando de onde venha.
O autoritarismo deve ser combatido não importando, ainda, para onde ele vai, ou seja, não importando quem são as suas primeiras vítimas. Aliás, o autoritarismo e a censura começam assim mesmo, direcionados aos grupos vistos como os mais “repelentes” da sociedade, porque isso permite que a concentração de poder ocorra sem grandes oposições. Uma vez concentrado o poder, ele passa a avançar sobre todo e qualquer grupo, inclusive o dos jornalistas que se acreditavam inalcançáveis e capazes de domar a perseguição exercida sobre os tão odiosos bolsonaristas. Basta criticar uma autoridade para ser perseguido por ela.
Agora que a censura chegou nesses jornalistas progressistas a favor da censura, o que devemos concluir sobre eles? Que são burros, por terem apoiado algo que os prejudica? Que foram histéricos, levados a atos irracionais por medo da extrema-direita turbofascista bolsonarista malvadona?
Pode haver uma mistura desses fatores, mas não devemos nos esquecer do cinismo e da hipocrisia, os mesmos impulsos que encontramos nos gays progressistas pelo Hamas. Esses jornalistas que apoiaram a censura o fazem não apenas pela contaminação ideológica das suas mentes como também porque acreditavam na convicção ideológica do aparato censório, e que ele jamais ousaria silenciar a imprensa que tanto a apoiou. Agora estão atônitos e acovardados, porque perceberam o que já sabemos há tempos, há pelo menos uns cem anos: ninguém se salva do autoritarismo de esquerda, nem mesmo os seus maiores entusiastas.
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