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Dia dos Pais: importância da paternidade vai além da presença e pode transformar infância, diz estudo

O Dia dos Pais, celebrado neste domingo (9), costuma ser marcado por homenagens e encontros em família. Mas, para além da comemoração, a data também convida à reflexão sobre um tema que vem ganhando cada vez mais atenção da ciência: qual é, afinal, a importância da paternidade para o desenvolvimento das crianças?

Nas últimas décadas, pesquisadores passaram a olhar para além da figura tradicional do pai provedor e concluíram que o fator mais determinante não é apenas a presença física, mas a qualidade da relação construída com os filhos desde os primeiros anos de vida.

Uma ampla revisão publicada na Annual Review of Developmental Psychology reúne dezenas de estudos internacionais e mostra que relações paternas marcadas por afeto, brincadeiras, diálogo e incentivo à autonomia favorecem o desenvolvimento emocional, social, cognitivo e da linguagem das crianças.

Segundo os pesquisadores, o foco das pesquisas deixou de ser simplesmente quanto tempo o pai passa com o filho para compreender como essas interações acontecem e de que forma influenciam o desenvolvimento infantil.

Os autores defendem que a paternidade deve ser compreendida a partir da qualidade dos processos vividos entre pai e filho. Para explicar essa dinâmica, eles organizam a atuação paterna em três dimensões:

  • “loving”: amor, acolhimento e sensibilidade;
  • “laughing”: brincadeiras, diversão e estímulos;
  • “learning”: orientação, ensino e incentivo à aprendizagem.

Juntas, essas experiências ajudam a construir vínculos seguros e criam condições para que a criança explore o ambiente, desenvolva habilidades sociais e adquira confiança para enfrentar novos desafios.

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Como a presença do pai influencia o desenvolvimento infantil?

Durante muito tempo, estudos sobre desenvolvimento infantil concentraram a atenção quase exclusivamente na mãe. A revisão mostra que esse cenário vem mudando à medida que cresce a participação dos pais na criação dos filhos.

Em vez de enxergar a paternidade apenas como apoio secundário, pesquisadores passaram a reconhecê-la como um elemento próprio e complementar no desenvolvimento infantil.

Brincadeiras, conversas e momentos compartilhados fazem parte da chamada paternidade ativa, que contribui para o desenvolvimento cognitivo, emocional e social das crianças. (Foto: Pexels)

Outro ponto destacado pelos autores é que a função paterna não se resume aos cuidados básicos ou ao sustento financeiro.

Atitudes como incentivar a criança a resolver pequenos problemas, estimular a curiosidade, brincar de maneira desafiadora e oferecer apoio emocional contribuem para o desenvolvimento das chamadas funções executivas – habilidades relacionadas ao autocontrole, à memória, ao planejamento e à tomada de decisões – além de favorecer a linguagem, a regulação das emoções e as relações sociais.

A literatura científica também indica que crianças que desenvolvem vínculos seguros com os pais tendem a apresentar menos problemas comportamentais e maior competência social ao longo da infância. O relacionamento paterno funciona como uma base de segurança que estimula a autonomia sem deixar de oferecer acolhimento quando necessário.

Benefícios comprovados da participação ativa do pai

Essas conclusões são semelhantes às observadas na prática clínica. Em uma reportagem publicada pelo Hospital Pequeno Príncipe, o psicólogo e coordenador do curso de Psicologia da Faculdades Pequeno Príncipe, Bruno Jardini Mäder, afirma que bebês cujos pais participam ativamente dos cuidados cotidianos costumam desenvolver habilidades sociais mais rapidamente, apresentam melhor desempenho cognitivo e menor tendência a transtornos emocionais no futuro.

Segundo ele, o envolvimento paterno também reduz o estresse infantil ao transmitir segurança para que a criança explore o mundo ao seu redor.

Paternidade ativa beneficia toda a família

Quando se fala em paternidade ativa, a imagem que costuma surgir é a do pai trocando fraldas ou levando o filho à escola. Embora essas atividades façam parte da rotina, especialistas destacam que o conceito é mais amplo.

Ele envolve participação contínua na educação, na criação, no apoio emocional e nas decisões do dia a dia, além da construção de um vínculo afetivo consistente.

Segundo Mäder, a função paterna também exerce papel importante no equilíbrio familiar ao compartilhar responsabilidades com quem exerce a maternidade. Esse apoio vai desde os cuidados com o bebê até oferecer momentos de descanso e suporte emocional, contribuindo para o bem-estar de toda a família.

Mais do que estar presente, exercer a paternidade significa construir vínculos de confiança, acolhimento e cuidado que acompanham a criança ao longo da vida. (Foto: Pexels)

O psicólogo ressalta ainda que pais engajados fortalecem os laços afetivos e promovem benefícios que acompanham os filhos por toda a vida.

O próprio estudo internacional reforça que o impacto positivo da paternidade não depende exclusivamente da quantidade de horas dedicadas à criança, mas da qualidade das interações. Conversar, brincar, ensinar, ouvir, incentivar e acolher são atitudes que fortalecem o vínculo e criam oportunidades para o aprendizado e o desenvolvimento saudável.

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