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O que é o Foro Alberdiano e como ele busca levar as ideias de Milei a outros países

Apresentado por seus organizadores como o “contraponto ao Foro de São Paulo”, o Foro Alberdiano Internacional surgiu após a eleição de Javier Milei com a missão de difundir, para outros países, as ideias liberais defendidas pelo presidente argentino. A organização tem representantes em 11 países, inclusive no Brasil, e busca ampliar sua atuação por meio de cursos, eventos e articulação política.

Essa estratégia ganhará novo impulso entre sexta-feira (7) e domingo (9), quando o grupo realizará o “Vivac 2026 – A Experiência Argentina”, em um hotel-fazenda na província de Buenos Aires. O encontro reunirá representantes de nove países para discutir a expansão do movimento.

Criado em 2024, o foro leva o nome do jurista, diplomata e político argentino Juan Bautista Alberdi (1810-1884), autor intelectual da Constituição argentina de 1853 e uma das principais referências de Milei e de outros políticos libertários.

Entre as diretrizes do movimento estão a defesa da liberdade individual como eixo do progresso, a proteção da propriedade privada, a defesa de um Estado limitado e eficiente, a valorização da economia de mercado, o fortalecimento das instituições republicanas, a atração de investimentos estrangeiros e uma educação voltada à liberdade e ao pensamento crítico. Esses princípios estão registrados em uma declaração intitulada “Princípios de São Paulo: um chamado à liberdade e ao progresso”.

O grupo tem laços com o La Libertad Avanza, partido do presidente argentino: sua presidente executiva é Miriam Niveyro, deputada nacional argentina pela legenda, e seu presidente de honra é Sebastián Pareja, presidente do partido na província de Buenos Aires.

Em entrevista à Gazeta do Povo, Niveyro contou que a ideia do Foro Alberdiano Internacional começou a ser gestada em 2023, ano em que Milei venceu a eleição presidencial. Sua apresentação oficial ocorreu em um evento em 2024 na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), “justamente porque nascemos como o contraponto ao Foro de São Paulo”.

“O presidente Javier Milei veio para renovar não apenas a política e a cultura. A partir de seu mandato como presidente da República Argentina, há uma mudança de paradigma em relação ao socialismo, ao comunismo e ao populismo”, disse Niveyro. Ela afirmou que o Foro Alberdiano nasceu para colaborar com a disseminação desse novo paradigma e da “batalha cultural” proposta por Milei.

Hoje, o grupo tem representantes em países como Espanha, França, Costa Rica e Brasil, onde o embaixador do movimento é Rodrigo Piernas Andolfato, presidente do Instituto Liberal da Alta Noroeste (Ilan), fundado em Araçatuba (SP).

O Vivac 2026 será um encontro em formato de imersão onde representantes do foro de vários países, cidadãos, empresários e deputados se reunirão para debater ideias liberais. Milei foi convidado, mas não poderá participar por questões de agenda.

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A deputada argentina afirmou que os eventos, cursos, reuniões e debates que o Foro Alberdiano Internacional realiza têm o objetivo de “levar as propostas de liberdade àqueles que ainda não conhecem, para que comecem a considerá-las como uma alternativa”.

“Durante muitíssimos anos, em toda a América Latina e principalmente na Argentina, as ideias do comunismo se disseminaram muito através do Foro de São Paulo, onde todos os países comunistas aportam não apenas ideias, mas também economicamente, para que as ideias do comunismo se consolidem e se espalhem por todo o mundo. Com isso, no Foro Alberdiano, convocamos todos os países que queiram se somar a essa batalha”, afirmou Niveyro.

A deputada apontou que as recentes vitórias da direita em várias eleições latino-americanas, como na Bolívia, no Chile, no Peru e na Colômbia, comprovam que as teorias defendidas pelo foro já estão mais disseminadas.

“Os povos da América Latina especialmente sofremos, incluindo a Argentina, a miséria do populismo, as ideias de que não se pode progredir ou competir. Economia fechada, sem competição com o mundo, sem livre mercado, justamente para gerar a dependência dos povos. Então, dependem de um Estado gigante que não dá nenhuma solução. O Estado, por natureza, deveria garantir a qualquer cidadão justiça, saúde, educação e segurança, e nestes países viu-se que, em troca de um monte de impostos que os cidadãos pagam, não recebem essas coisas”, afirmou Niveyro.

“Parece-me que os povos, não apenas na Argentina, mas de toda a América Latina, deram-se conta de que o desenvolvimento de um país passa justamente pela liberdade de mercado, pela competição saudável, pelo mérito, pelo esforço e pelo trabalho. Todos esses são valores que deixaram de ser prevalentes durante muitos anos por causa dessa política comunista, socialista ou populista”, criticou a deputada.

Niveyro afirmou que, no Brasil, o Foro Alberdiano apoia a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL), que recebeu o endosso de Milei durante a visita do presidente argentino ao Brasil para o lançamento de sua campanha à Presidência da República.

A deputada também disse esperar que o Brasil seja o próximo país a aderir à chamada “onda azul” e afirmou que a organização pretende ampliar suas atividades no país após as eleições.

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Foro Alberdiano avalia criar partido no Brasil nos moldes do Libertad Avanza

Rodrigo Piernas Andolfato foi o primeiro embaixador do Foro Alberdiano Internacional no Brasil. Ele participou do lançamento da organização na Argentina, em 2024, e foi escolhido para comandar a representação brasileira como embaixador-geral. Desde então, passou a coordenar a estruturação do movimento no país.

Andolfato começou o trabalho “dividindo” o estado de São Paulo de forma regional, em províncias, como passou a chamar. Na entrega do seu diploma como embaixador geral, na cerimônia em novembro de 2024 na Alesp com o lançamento da Frente Parlamentar São Paulo-Argentina pelo deputado Lucas Bove (PL) e a participação de todo o corpo diplomático argentino no país, Andolfato nomeou cinco embaixadores de província; posteriormente, foram nomeados mais dois, fechando as sete regiões.

Segundo Andolfato, o trabalho do Foro Alberdiano Brasil está voltado à institucionalização da organização no país e à criação de células municipais inspiradas no modelo argentino. O objetivo, afirma, é promover debates para o futuro do Brasil e estruturar a atuação do grupo em nível local.

O embaixador do foro pretende lançar, no próximo ano, um site e um aplicativo do Foro Alberdiano Internacional Brasil. A plataforma servirá para criar um sistema de associativismo, oferecer minicursos sobre as ideias de Juan Bautista Alberdi e apoiar a formação das células municipais, em um modelo de organização que parta “do povo para o topo”.

Andolfato disse que neste primeiro momento não há a intenção de transformar a representação do foro no Brasil em um partido político, mas ele pretende tratar sobre esse assunto na Argentina.

“Tenho a intenção de deixar tudo preparado para abrir isso para o Brasil inteiro via células municipais para, no futuro, poder coletar as assinaturas necessárias para a fundação [de um partido nos moldes] do Libertad Avanza no Brasil”, afirmou Andolfato.

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