Deputado Alfredo Gaspar, relator da CPMI do INSS. (Foto: Vinicius Loures / Câmara dos Deputados)
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Tenho dito – e repito – que há um exagero na relevância que alguns dão ao vice na chapa. FHC derrotou Lula no primeiro turno com Marco Maciel como vice, e ninguém acha que isso fez qualquer diferença. Dito isso, a escolha do vice serve como simbolismo, para sinalizar algo aos eleitores. E, nesse sentido, considero boa a escolha de Alfredo Gaspar como o vice na chapa do PL.
Muitos esperavam uma mulher, na crença um tanto mitológica de que uma vice do sexo feminino traria mais votos femininos para Flavio Bolsonaro. Sempre achei isso um tanto furado. O PL bem que tentou, e convidou Tereza Cristina para o cargo. Ela topou, mas seu partido, o PP de Ciro Nogueira, vetou. O centrão escolheu a neutralidade no primeiro turno, o que nos leva a crer que esperam uma disputa realmente acirrada e não querem fazer nenhuma aposta precipitada.
Com Tereza Cristina fora do páreo, falaram em Michelle Bolsonaro, Priscila Costa, Bia Kicis, Julia Zanatta e Daniella Marques, do lado feminino, e Rogerio Marinho e Luiz Phillippe de Orleans e Bragança do lado masculino. Qualquer nome desses seria bom, em minha opinião. Cada um agregaria num ponto diferente. Mas Flavio preferiu alguém de fora das especulações, uma surpresa que ninguém esperava: Alfredo Gaspar.
Alfredo Gaspar foi uma boa escolha que pode contribuir para uma campanha mais firme contra o que o lulismo representa
Minha primeira impressão, assim que vi a escolha na coletiva de imprensa, foi positiva. Seu nome, afinal, é associado ao excelente trabalho como relator na CPMI do INSS. Gaspar conduziu as investigações com total independência, seriedade e competência, e preparou um relatório de mais de quatro mil páginas pedindo o indiciamento de mais de duzentas pessoas, entre elas o Lulinha, filho do presidente. Seu relatório foi derrotado por maioria após forte pressão petista, e os senadores Lindbergh Farias e Soraya Thronicke chegaram a acusar Gaspar de estupro para levantar uma cortina de fumaça e desviar o foco.
Mas a imagem de Gaspar está fortemente associada ao combate à corrupção, especialmente nesse caso grotesco de desvio de bilhões dos idosos. O caso do INSS chegou à casa de Lula e também ao Palácio do Planalto, com as evidências de que o ex-chefe de gabinete de Lula, o Marcola, recebeu dinheiro da lobista Roberta Luchsinger, “amiga” próxima de Lulinha e também cúmplice do careca do INSS. Gaspar de vice, portanto, sinaliza que a campanha não vai abandonar a bandeira ética, fundamental para um enfrentamento contra o PT.
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Além disso, Gaspar é formado em Direito e atuou por 24 anos como promotor de Justiça em Alagoas, tendo sido duas vezes Procurador-Geral de Justiça do estado e coordenador do Grupo Estadual de Combate a Organizações Criminosas (GECOC), além de presidente do Grupo Nacional de Combate ao Crime Organizado (GNCOC) — o primeiro alagoano a ocupar o cargo. Também foi Secretário de Segurança Pública de Alagoas em duas gestões, período em que a queda no número de mortes violentas intencionais no estado e na capital foi apontada como a maior já registrada.
Em uma entrevista à época, Gaspar disse que prefere a morte de um milhão de bandidos do que a de um só policial, reforçando a mensagem de que é preciso ter clareza moral e defender aqueles responsáveis por nossa segurança. A pauta da segurança pública será uma das mais importantes nessa eleição, e Lula chama traficante de “vítima do usuário”. Nesse contexto, é um golaço ter um vice com o perfil linha dura de Alfredo Gaspar.
Por fim, trata-se de um nome ligado ao Nordeste e, apesar de Alagoas ser um estado pequeno, há aqui um recado importante de que os nordestinos serão prioridade no eventual governo de Flavio. Faz tempo em que o Nordeste é reduto esquerdista por conta da exploração demagógica da miséria, mas cada vez mais gente acorda para a realidade e entende que as promessas de chuva de picanha do Lula são uma farsa. Na prática, o PT entrega o caos da violência e a inflação, criando um círculo vicioso de dependência das migalhas assistencialistas.
Como constatei no começo, a escolha do vice não tem esse impacto todo que alguns acreditam. Mas, dentro das possibilidades, Alfredo Gaspar foi uma boa escolha que pode contribuir para uma campanha mais firme contra o que o lulismo representa: corrupção, incompetência e leniência com a bandidagem.
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