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Casa dividida: turma ligada a Eduardo reduziu chances de vitória de Flávio Bolsonaro

Michelle acusa Flávio de tê-la humilhado após crise interna no PL e relata campanha de ataques promovida por aliados do bolsonarismo. (Foto: Paulo Sérgio/Câmara dos Deputados)

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A política do conflito permanente pode ser útil para mobilizar um exército já em guerra, mas não é uma estratégia agregadora que possa atrair os moderados. E numa eleição majoritária, é fundamental agregar, trazer os moderados para perto. O clã Bolsonaro, aparentemente, adora um clima de briga constante, dentro de casa e com aliados.

A pergunta relevante é esta: Michelle Bolsonaro gravaria esse vídeo bombástico sem o aval de Jair? Se o marido deu o sinal verde, o que isso significa politicamente? Teria Jair Bolsonaro se dado conta de que indicar o Flávio foi um erro? Não dá mais tempo para colocar o Tarcísio de Freitas, mas será que Jair está considerando alguma chapa alternativa? Será que foi tudo acertado com Valdemar Costa Neto?

Não foi por falta de aviso que essa turma ligada ao Eduardo Bolsonaro reduziu muito as chances de vitória do Flávio. Alimentaram corvos o tempo todo, contra o deputado Nikolas Ferreira, a Michelle e tantos outros. Xingaram, rotularam de “traidores” e promoveram intrigas, até na família, no casamento. Se dizem bolsonaristas, mas não respeitam o próprio Jair Bolsonaro! Está aí o resultado. Será que Jair está contente com essa postura de seus “leais” seguidores?

Conservadores cristãos deveriam exigir, antes de tudo, respeito familiar. Mas vimos como Eduardo trata o próprio pai. Vimos como seus ‘minions’ tratam sua madrasta, esposa de seu pai. É isso aceitável?

Jesus, conhecendo os seus pensamentos, disse-lhes: “Todo reino dividido contra si mesmo será arruinado, e toda cidade ou casa dividida contra si mesma não subsistirá”. O versículo bíblico Mateus 12:25 nos lembra que uma casa rachada não consegue sobreviver. Conservadores cristãos deveriam exigir, antes de tudo, respeito familiar. Mas vimos como Eduardo trata o próprio pai. Vimos como seus “minions” tratam sua madrasta, esposa de seu pai. É isso aceitável?

Chamar todo mundo de traidor é justamente o que nos trouxe até aqui. Mas os “eduaridistas” já dobraram a aposta: estão atacando Michelle ainda mais, ignorando a carta escrita de próprio punho por Jair. Michelle é uma traidora, atestam. É como se todos tivessem que apanhar calados para sempre.

“Tem que apanhar calada”; “Não pode falar do Vorcaro”; “Jamais questione Mario Frias”: os “eduardistas” pedem da direita um comportamento ainda pior do que petistas. Vários petistas condenaram publicamente Jaques Wagner, por exemplo, que saiu da liderança do governo. Mas se você perguntar do Mario Frias, você é traidor e quer o PT de volta!

Se você apanha todo dia da matilha comandada pelo Eduardo e resolve dizer chega, você colocou seu ego acima do país. Se critica voto no centrão para o Senado, é um intergaláctico. Se não compreender o apoio “pragmático” a Ciro Gomes no Ceará, então virou petista. Nunca a culpa é deles! Criaram uma seita fanática ligada ao centrão, e quem criticar merece ser cancelado.

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Sérgio Camargo, que foi presidente da Fundação Cultural Palmares no governo Bolsonaro e é próximo do clã, desabafou: “Um apoiador de Flávio postou Michelle como um demônio com a estrela do PT. Até outro dia ela era uma mulher charmosa e elegante, além de nossa eterna primeira-dama. Impressionante a rapidez com que se vai de ídolo a cancelado também na direita”. Resta perguntar: é isso direita?

Os infiltrados que Eduardo aplaude queriam afastar Michelle, Nikolas, Caiado, Zema e tantos outros. Seriam todos “traidores”. Agora restaram Allan dos Santos, Paulo Figueiredo, Kim Paim, André do Prado e Ciro Gomes. Sabor direita, né?

Alguns alegam que, mesmo se Jair soubesse do vídeo, isso não diz muito, pois o ex-presidente está fragilizado, sob efeito de remédios, refém do sistema. Mas é preciso ser coerente: então sua escolha do próprio filho para candidato também estaria comprometida! Não dá para ser seletivo com as escolhas de Jair, não é mesmo?

O efeito concreto disso, independentemente de quem tenha razão (se alguém tem), é que Flávio terá mais dificuldade ainda perante um público que já era seu ponto fraco: mulheres e evangélicos. Michelle poderia certamente contribuir nessa área, mas o entorno de Eduardo fez de tudo para que isso não acontecesse. E agora as chances de reeleição de Lula só aumentam, para desespero do brasileiro decente…

Conteúdo editado por: Jocelaine Santos

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