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Quanto custa fazer uma pesquisa eleitoral no Brasil?

As pesquisas eleitorais já movimentaram R$ 56,9 milhões no Brasil neste ano. Esse montante leva em consideração 958 pesquisas registradas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) entre 1º de janeiro e 10 de junho. Esse mercado milionário, amplificado em ano eleitoral, levanta a dúvida sobre quanto custa fazer uma pesquisa.

A média por pesquisa eleitoral até agora está em R$ 59,4 mil. Só que os valores são muito discrepantes entre elas. A mais barata, por exemplo, custou R$ 450. A mais cara foi precificada em R$ 465.820. Essa diferença tem explicação.

O presidente do instituto Gerp, Gabriel Pazos, diz que o custo final de uma pesquisa depende de vários fatores, como número de entrevistas, abrangência geográfica, prazo de execução, tamanho do questionário, supervisão e controle de qualidade. Há também os custos de escritório e jurídicos. Mas o que muda significativamente o valor é a metodologia.

“Por isso, comparar custos entre pesquisas sem considerar a metodologia utilizada pode levar a conclusões equivocadas, já que diferentes métodos possuem estruturas operacionais bastante distintas”, comenta Pazos.

As pesquisas presenciais tendem a ser mais caras, pois há mais necessidade de deslocamento e pagamento de diárias e hospedagem para os entrevistadores. As pesquisas por telefone costumam ser mais baratas, mas por exigirem um volume alto de tentativas podem acabar ficando tão caras quanto um levantamento presencial. O que fica mais barato mesmo são as pesquisas automatizadas por telefone e por formulário online.

“O custo não deve ser analisado isoladamente. Cada metodologia possui características próprias de cobertura, velocidade, controle da amostra e qualidade da coleta, devendo ser escolhida de acordo com os objetivos do estudo”, ressalta o presidente do instituto Gerp.

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Tamanho do formulário e judicialização interferem no valor final das pesquisas

Uma pesquisa eleitoral pode ir muito além de perguntar sobre as intenções de voto. O levantamento pode conter perguntas sobre situação econômica, problemas do país, casos que geram repercussão eleitoral, como Banco Master e classificação das facções Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações criminosas. Até mesmo a expectativa para a Copa do Mundo acaba entrando nessas pesquisas.

“Com um questionário muito grande, o entrevistador produz menos. Isso acaba pesando muito no custo, pois vai exigir mais diária de hotel, por exemplo. Se normalmente ele faz 30 entrevistas por dia com um questionário menor, ele vai fazer no máximo 20 com um questionário mais longo”, diz o diretor-executivo do instituto Paraná Pesquisas, Murilo Hidalgo.

A pesquisa presidencial mais recente da Genial/Quaest, divulgada em 10 de junho, teve 106 perguntas, por exemplo. Ela custou R$ 433.255,92. O levantamento da Real Time Big Data para presidente, publicado em 1º de junho, custou R$ 80 mil. O questionário desta última, porém, tinha apenas 14 perguntas.

Outro aspecto que tende a encarecer as pesquisas eleitorais é o custo com equipe jurídica. Em ano eleitoral, todos os levantamentos precisam ser registrados no TSE e, consequentemente, estão sujeitos a pedidos de impugnação por parte de partidos políticos.

Isso exige um acompanhamento constante de advogados para garantir a divulgação. “Temos esse custo com advogados, até porque virou febre contestar pesquisas. O Paraná fez escola, mas hoje é em todo o Brasil. E isso obriga um acompanhamento jurídico”, comenta Hidalgo.

Institutos se autocontratam para pesquisas eleitorais

Veículos de imprensa, partidos políticos e bancos são os principais contratantes de pesquisas eleitorais. Entretanto, em muitos casos os próprios institutos se autocontratam e bancam sozinhos os levantamentos.

Gabriel Pazos, do instituto Gerp, explica que as pesquisas próprias servem para “fortalecer a marca, gerar conteúdo de interesse público, construir séries históricas e demonstrar capacidade técnica ao mercado”. É um “instrumento de posicionamento institucional”, completa.

O diretor-executivo do Paraná Pesquisas, Murilo Hidalgo, reconhece que há muitos questionamentos sobre isso, mas defende a autocontratação como ferramenta de promoção. “É a maior publicidade que eu posso ter. É mais rentável eu fazer uma pesquisa e divulgar do que comprar um anúncio. Cada pesquisa que eu divulgo gera novas pesquisas”, completa.

Metodologia das pesquisas citadas

  • Real Time Big Data 1/6/2026: A pesquisa ouviu 2.000 pessoas nos dias 29 e 30 de maio. A pesquisa para presidente da República foi contratada pelo próprio instituto. O nível de confiança é de 95%. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos. Registro no TSE nº BR-05864/2026.
  • Genial/Quaest 10/6/2026: A pesquisa Quaest entrevistou 2.004 pessoas entre os dias 5 e 8 de junho. A pesquisa foi contratada pelo Banco Genial S.A. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos. O nível de confiança é de 95%. Registro no TSE nº BR-07661/2026.

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