A terapia CAR-T Cell utiliza células do próprio paciente geneticamente modificadas para reconhecer e combater o câncer, oferecendo novas perspectivas para casos complexos de leucemia e linfoma. (Foto: Divulgação)
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Anúncio de investimento federal e priorização da terapia pela Anvisa amplia expectativa de acesso a um dos tratamentos mais inovadores da oncologia moderna. Hospital Erasto Gaertner e Hospital Erastinho já utilizam a tecnologia em pacientes com casos complexos e ajudam a construir essa nova realidade no Brasil.
O recente anúncio do Ministério da Saúde sobre o investimento de R$ 100 milhões na terapia CAR-T Cell e a inclusão do tratamento no fluxo prioritário de avaliação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) representa um marco para a oncologia brasileira e reacende a esperança de milhares de pacientes que convivem com formas agressivas de câncer.
Os resultados divulgados pelo estudo conduzido pelo Hemocentro de Ribeirão Preto em parceria com o Instituto Butantan apontam índices expressivos de resposta ao tratamento, com cerca de 87% de eficácia em pacientes com linfoma. A expectativa é que os avanços acelerem o processo de incorporação da terapia ao Sistema Único de Saúde (SUS), ampliando o acesso a uma tecnologia considerada uma das maiores revoluções da medicina oncológica nas últimas décadas.
Para o médico hematologista, hemoterapeuta e especialista em Transplante de Medula Óssea do Hospital Erasto Gaertner, Dr. Apoena Lobato, a terapia representa uma mudança de paradigma no tratamento de determinados tipos de câncer hematológico.
“O CAR-T Cell é uma terapia inovadora onde retiramos células do sistema imunológico do próprio paciente e realizamos uma modificação genética para que elas passem a reconhecer e combater o câncer. Ou seja, a própria célula se transforma no tratamento. Atualmente, essa estratégia tem demonstrado resultados muito relevantes principalmente em alguns casos de leucemia e linfoma agressivos que não responderam aos tratamentos convencionais”, explica.
A tecnologia já faz parte da realidade da Liga Paranaense de Combate ao Câncer. No Hospital Erastinho, referência nacional em oncologia pediátrica, a terapia celular começou a ser aplicada em 2023, colocando a instituição em posição de destaque no cenário brasileiro.
Segundo a médica hematologista, oncologista pediátrica e chefe do Serviço de Transplante de Medula Óssea Pediátrico do Hospital Erastinho, Dra. Antonella Adriana Zanette, a mudança de perspectiva para os pacientes é significativa.
“O Hospital Erastinho foi o primeiro centro brasileiro a realizar a terapia CAR-T Cell em pacientes pediátricos. Desde então, já realizamos 12 infusões. O grande diferencial é que muitos desses pacientes, há alguns anos, teriam apenas indicação de cuidados paliativos. Hoje, eles contam com uma alternativa terapêutica capaz de oferecer novas possibilidades de controle da doença e até remissão”, destaca.
Além dos benefícios observados em pacientes adultos e pediátricos, especialistas apontam que a possível incorporação da terapia ao SUS poderá ampliar significativamente o acesso ao tratamento, especialmente em instituições de referência que já possuem estrutura e equipes capacitadas para conduzir todas as etapas do processo.
Atualmente, cerca de 75% dos atendimentos realizados pela Liga Paranaense de Combate ao Câncer são destinados a pacientes do Sistema Único de Saúde. Por isso, a evolução das pesquisas e os investimentos anunciados pelo Governo Federal são acompanhados com expectativa pela comunidade médica e pelos pacientes.
Embora ainda existam etapas regulatórias e operacionais a serem superadas antes da ampliação do acesso em larga escala, o anúncio representa um importante avanço para a oncologia nacional e fortalece a perspectiva de que terapias altamente inovadoras possam beneficiar um número cada vez maior de brasileiros nos próximos anos.
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