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Papa Leão XIV realiza sonho de Gaudí um século depois

Um dos marcos históricos da visita do Papa Leão XIV à Espanha foi a oportunidade de realizar o sonho de Antoni Gaudí: a inauguração e bênção da Torre de Jesus Cristo, coincidindo exatamente com o centenário da morte do grande arquiteto. O “arquiteto de Deus” morreu deixando um vasto legado de arte e devoção visível por toda Barcelona — como um Evangelho a céu aberto esculpido em pedra. A espetacular torre central — coroada por uma cruz branca que torna a basílica a mais alta do mundo e que estará aberta aos visitantes a partir de 2028 — é, sem dúvida, uma delas.

A celebração marcou a conclusão da visita de Leão a Barcelona antes de viajar na quinta-feira para duas das Ilhas Canárias — Tenerife e Las Palmas — onde o papa abordará o sofrimento dos migrantes que arriscam suas vidas na rota do Atlântico em busca de um futuro melhor. Após a missa, Leão XIV saiu para abençoar e inaugurar a Torre de Jesus Cristo — uma bela cerimônia na qual o papa, em vez de simplesmente colocar seu selo em uma obra concluída, traçou um caminho para os cristãos.

“A Sagrada Família é a igreja mais alta do mundo — não para se destacar em rankings mundanos, mas para guiar os passos do povo de Deus que caminha por esta terra da Catalunha, com a cruz iluminando o caminho como uma lâmpada acesa na expectativa do retorno do Noivo”, afirmou. Como tem feito desde que pisou na Espanha no sábado, 6 de junho, o papa entregou uma mensagem de unidade e harmonia.

“Toda a cidade de Barcelona e toda a Catalunha se reúnem neste templo — ele próprio um sinal de unidade e harmonia para toda a Espanha — e elevam seu olhar para encontrar a face de Deus Pai, resplandecente em seu filho feito homem, Jesus Cristo”, explicou no altar da basílica consagrada pelo Papa Bento XVI em 2010, observando que ela se ergue como um sinal visível do Deus invisível. O papa assim convocou os olhos a se elevarem em direção à Torre de Jesus Cristo e àquela obra-prima inimitável, a Sagrada Família.

As Escrituras, disse ele, “nos ensinam que não somos nós que damos a Deus um lugar, como se ele fosse um elemento em uma série ou parte de um todo maior que ele mesmo”. “Ao contrário, é Deus quem nos dá um lugar, e o lugar que ele nos dá é seu próprio coração: o lugar do Filho, para nós que éramos estrangeiros; o lugar do Amado, para nós que somos pecadores”, declarou.

Como um pastor guiando seu rebanho nos ensinamentos da Igreja, o papa continuou sua interpretação do Evangelho — especificamente, a passagem onde o Senhor diz aos fariseus: “Se vocês não acreditarem que ‘EU SOU’, morrerão em seus pecados”. “Palavras fortes”, observou o papa, esclarecendo “que elas de modo algum são ameaças ou chantagem”. “São um convite à salvação — um chamado à liberdade de Cristo, que deseja nosso bem último e eterno”, disse. Diante da ameaça do mal, “o Senhor está sempre conosco, sempre do nosso lado”.

Ele então proferiu uma das declarações mais poderosas da viagem: “Queridos irmãos e irmãs, não podemos acreditar em Jesus e promover a guerra. Não podemos acreditar em Jesus e matar inocentes. Não podemos acreditar em Jesus e abandonar aqueles que sofrem, aqueles que choram e aqueles que fogem da miséria”.

Antes de celebrar a Eucaristia, ele desceu à cripta para orar e depositar uma oferenda floral onde repousam os restos mortais do arquiteto — que o Papa Francisco declarou venerável em 2025. Vê-lo orar no túmulo serviu como mais um encorajamento para que a causa da vida virtuosa do arquiteto — que morreu há um século exatamente neste dia — seja eventualmente inscrita no livro dos santos da Igreja.

Este foi um dos momentos mais emocionantes, já que nem João Paulo II nem Bento XVI visitaram o túmulo durante suas próprias visitas à basílica. A pedra fundamental da Sagrada Família foi lançada em 1882; por 144 anos, ela cresceu ao lado de Barcelona — e ao lado do próprio Gaudí, até o dia de sua morte.

A presença do papa aqui representa mais do que apenas um passeio por uma obra de beleza impressionante; ela carrega uma eloquência que transcende seu significado comemorativo. Poucas obras como a Sagrada Família transmitem tão poderosamente que a beleza não é um adorno secundário da fé, mas sim uma forma de tornar Deus visível.

©2026 Catholic News Agency. Publicado com permissão. Original em inglês: A century later, Pope Leo XIV fulfills Gaudí’s dream https://www.ewtnnews.com/vatican/a-century-later-pope-leo-xiv-fulfills-gaudi-s-dream

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