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Com protagonista feminina, “O Poderoso Chefão” terá nova continuação em livro

Longe dos telões dos cinemas há 26 anos, a saga dos Corleone será continuada em um romance que terá como figura central Connie Corleone Rizzi, a filha de Dom Vito.

Escrito pela ítalo-americana Adriana Trigiani, o livro Connie, da editora Random House, venceu sete concorrentes e foi o escolhido para continuar a saga de O Poderoso Chefão, segundo a Hollywood Reporter.

O livro foi aprovado pelo espólio de Mario Puzo (1920-1999), autor original de O Poderoso Chefão, e está previsto para ser lançado ano que vem. Isso alimentou rumores de que um novo filme estaria a caminho, mas a Paramount, detentora dos direitos cinematográficos, não confirma se isso vai acontecer.

Além disso, representantes do diretor da trilogia, Francis Ford Coppola, veem como “improvável” o seu retorno ao universo do clã italiano.

Enredo sob ótica feminina

Ainda sem uma sinopse divulgada, o romance da ítalo-americana será contado a partir de uma perspectiva feminina. Na epopeia da famiglia italiana que ganhou os corações dos espectadores no século passado, Connie é casada com Carlo Rizzi, que tenta, sem sucesso, ascender na família mafiosa.

Ao trair os Corleone, Carlo tem sua morte ordenada por um dos filhos de Vito, Michael Corleone, novo “Dom” do império.

Nos longas, Connie é interpretada por Talia Shire, atriz que chegou a ser indicada ao Oscar por seu papel no segundo filme da trilogia mas foi derrotada pela sueca Ingrid Bergman, estrela do Assassinato no Expresso do Oriente.

Para Trigiani, seu livro é um “romance sobre como uma mulher luta para trilhar seu próprio caminho em um mundo que já decidiu quem ela é, o que ela representa e como deve ser tratada”.

Quem é Adriana Trigiani

Nascida nos Estados Unidos e de origem italiana, Adriana Trigiani viveu parte de sua infância em Big Stone Gap, na Virgínia. Antes de ingressar no mundo literário, a escritora estudou teatro, escreveu e dirigiu peças e, em 1980, mudou-se para Nova York com o objetivo de estrear nos palcos da Off-Broadway.

Trigiani integrou equipes de roteiros de seriados como The Cosby Show, Um mundo diferente e chegou a atuar como produtora executiva de CityKids, programa da ABC.

Entretanto, sua carreira guinou nos anos 2000, quando passou a publicar romances centrados em famílias ítalo-americanas, cujos temas também envolvem herança cultural e relações intergeracionais.

Entre suas principais obras estão: a trilogia Valentine, The Shoemaker’s Wife  e Lucia, Lucia. Com 21 livros publicados em 38 países, diversos chegaram a ingressar na lista de mais vendidos do jornal The New York Times.

Em paralelo, ela também atuou no cinema. Um de seus filmes escritos e dirigidos é o longa Big Stone Gap, de 2014, filmado em sua cidade natal. Também atuou no documentário Queens of the Big Time, inspirado em filmes amadores registrados por seu avô.

Connie não é o primeiro livro que continua saga dos Corleone

Connie não será a primeira obra literária que continuará a saga de O Poderoso Chefão. Pouco conhecidos do grande público, já existem livros chancelados pela família de Puzo publicados como sequência da trilogia.

O primeiro, publicado em 2004 por Mark Winegardner, se chama The Godfather Returns (A volta do Poderoso Chefão, em português), e se passa no mesmo período do segundo filme da saga.

Cópia original do livro “<em>O Poderoso Chefão</em>”. EFE/ADAM S DAVIS (Foto: EFE)

Na obra, figuras originais como Fredo Corleone e Tom Hagen são mais explorados e novos personagens são introduzidos à trama. O romance também narra o serviço militar de Michael durante a Segunda Guerra Mundial, e a vida secreta de seu irmão Fredo.

Também escrito por Winegardner, The Godfather’s Revenge (A Vingança do Poderoso Chefão) foi lançado dois anos. A sinopse conta que o escritor americano levou “a família Corleone para o maior palco de todos: a interseção entre o crime organizado e a política nacional”.

Na trama, o clã italiano está na mira do Procurador-Geral dos EUA, Daniel Brendan Shea, irmão do presidente James Shea, que está determinado “a construir seu nome derrubando os chefões do crime organizado”.

Outro livro, lançado em 2012, se passa em 1933, durante a Grande Depressão, e narra como Vito se consolidou no mundo do crime e se tornou o Don mais poderoso de Nova York.

A Família Corleone, lançado há 14 anos e escrito por Ed Falco, foi o primeiro romance autorizado a se ambientar antes da trama do primeiro livro original.

Livros geraram disputa judicial

O segundo livro, A Vingança do Poderoso Chefão, de 2006, não foi bem recebido pela Paramount, que processou os herdeiros de Puzo, acusando-os de autorizar indevidamente novas sequências da história dos Corleone.

O processo alegava que existia um acordo de 2002 entre a empresa e o espólio de Puzo que permitia a publicação de apenas um romance que daria sequência aos filmes — no caso, A volta do Poderoso Chefão, de 2004.

Apesar do acordo, a família do criador de O Poderoso Chefão passou a autorizar os novos romances, afirmando que a Paramount não tinha direitos sobre os livros temáticos da família italiana.

Após os embates judiciais, ambas as partes chegaram a um acordo que permitiu aos herdeiros de Puzo continuar desenvolvendo projetos literários sobre os Corleone e concedeu os direitos cinematográficos à Paramount.

Segundo a Associated Press, a Paramount também detém os direitos de adaptação dos demais livros.

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