VILLA NEWS

Montadoras chinesas ocupam fábricas de antigas rivais para produzir no Brasil

Empresas automotivas da China estão transformando o mercado nacional ao assumir complexos industriais que antes pertenciam a marcas tradicionais, como Ford e Mercedes-Benz. A estratégia acelera a fabricação local em estados como Bahia e São Paulo, aproveitando infraestruturas prontas para fugir de impostos de importação mais altos e adaptar veículos eletrificados às necessidades dos brasileiros.

Quais marcas chinesas já estão fabricando veículos em solo brasileiro?

Atualmente, o Brasil conta com 15 marcas chinesas em operação, mas o destaque na produção local vai para a BYD, GWM e Caoa Chery, que já possuem unidades fabris próprias. A GWM assumiu a antiga fábrica da Mercedes-Benz em Iracemápolis (SP) e produz modelos como o Haval H6. Já a BYD ocupa o antigo complexo da Ford em Camaçari (BA). Outras empresas, como Geely e Leapmotor, estão seguindo caminhos alternativos através de parcerias com montadoras que já possuem base no país, como Renault e Stellantis, para utilizar linhas de montagem existentes e agilizar a entrega de carros novos.

Por que essas empresas preferem usar fábricas antigas em vez de construir novas?

O principal motivo é o tempo e a economia de recursos. Erguer uma fábrica do zero pode levar até cinco anos devido ao licenciamento e obras pesadas. Ao comprar ou fazer parcerias em unidades já existentes, as chinesas ganham uma estrutura completa com galpões, sistemas elétricos e hidráulicos, além de licenças ambientais em dia. Outro ponto fundamental é a logística estruturada e o acesso imediato a trabalhadores qualificados que já conhecem o setor. Isso reduz os riscos financeiros, permitindo que elas comecem montando kits importados e aumentem a produção nacional aos poucos.

Como os incentivos do governo federal ajudam nesse avanço industrial?

O programa Mover, que substituiu o antigo Rota 2030, é uma peça-chave nesse movimento. Ele oferece cerca de R$ 19,3 bilhões em créditos financeiros para empresas que investem em inovação e sustentabilidade. Na prática, cada real que a montadora gasta em pesquisa e desenvolvimento pode gerar um abatimento em tributos federais. Além disso, o governo aumentou gradualmente o imposto de importação para carros elétricos e híbridos, chegando a 35%. Isso cria um cenário onde produzir dentro do Brasil se torna muito mais barato e vantajoso do que trazer o veículo pronto do exterior.

Quais são os maiores desafios para a consolidação dessas marcas no país?

O maior desafio é a adaptação técnica e a concorrência interna. As chinesas precisam ajustar seus carros ao gosto do brasileiro, investindo em tecnologias flex que usem etanol, um diferencial do nosso mercado. Além disso, com tantas marcas chegando ao mesmo tempo, a disputa entre elas ficou acirrada. Especialistas acreditam que apenas as empresas com maior fôlego financeiro e uma rede de assistência técnica robusta conseguirão sobreviver a longo prazo. A BYD hoje lidera o interesse do público, concentrando 78% das buscas na internet, seguida pela GWM, que detém 15,6% desse interesse.

Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.

VEJA TAMBÉM:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *