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MP-SP denuncia professor de Direito por suposto assédio sexual contra alunos da USP

O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) denunciou o professor da USP Alysson Mascaro, que se define como um “jurista marxista”, por um suposto caso de assédio sexual que envolveria ao menos dez dos seus alunos – todos homens. Mascaro os teria aliciado com promessas de vantagens acadêmicas e profissionais, acusações que ele nega integralmente.

A denúncia, conforme confirmação do MP-SP, aconteceu no último dia 3 de junho, meses depois de um processo administrativo que culminou em sua demissão da universidade. O professor foi acusado em uma série de reportagens do portal The Intercept Brasil. A Gazeta do Povo procura ouvir o professor há meses, sem ter retorno por e-mail e em suas redes sociais.

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O MP-SP levou em consideração que o professor tinha “ascendência hierárquica” sobre seus orientandos e que se valeu desta condição para praticar os supostos crimes. Após consolidar o vínculo, o professor tinha condutas que incluíam “beijos forçados” e outras, incompatíveis com uma relação entre aluno e professor.

As denúncias foram anônimas e, de acordo com a defesa do professor, nenhum dos alunos formalizou relatos em boletins de ocorrência e processos criminais. O pr´poo

A Procuradoria-Geral da USP informou ter ouvido ao menos 15 supostas vítimas e analisou documentos, além de supostamente ter dado espaço para a defesa de Mascaro. O judiciário agora decide se aceirará ou não a denúncia.

Cultura do cancelamento

O próprio professor fez uma denúncia de calúnia, que é investigada pela Polícia Civil. Mascaro afirma que o processo de sua demissão foi eivado de “inconsistências” e de uma suspeita de “armação”, com envolvimento do Intercept. Em meio ao processo, Mascaro publicou o livro Crítica do Cancelamento, no qual reage à própria situação. Na obra, ele defende que a chamada “cultura do cancelamento” seria um sintoma do “capitalismo em crise”.

“As lutas por gênero, raça e orientação afetiva tornam-se instrumentos de reprodução da sociabilidade capitalista, esvaziando seu potencial emancipatório”, diz uma sinopse da obra.

Disputa de versões

Como Mascaro é uma figura importante de teoria marxista do Direito e professor do Departamento de Filosofia e Teoria Geral do Direito da USP, as denúncias enfrentaram forte resistência. O portal Brasil 247 fez uma defesa aberta do intelectual, chamando sua demissão de “uma das páginas mais vergonhosas da história da USP”. Segundo o site, Mascaro foi alvo de “acusações anônimas e jamais comprovadas” em uma “campanha difamatória” que estaria diretamente vinculada à sua orientação sexual.

Por outro lado, o Intercept defendeu sua apuração, afirmando ter identificado todas as supostas vítimas e optado pelo anonimato apenas para protegê-las. “Matérias sobre abuso sexual são extremamente desvantajosas para nós como organização. Elas inevitavelmente levam a ataques contra nosso caráter e profissionalismo e, na maioria das vezes, a batalhas legais longas e caras em um sistema desfavorável ao jornalismo”, escreveu a jornalista Tatiana Dias em artigo sobre o caso.

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