O fim da escala 6″1 ignora a realidade dos setores: menos horas podem significar mais custos, inflação e desemprego. (Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil)
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Os defensores do fim da escala 6×1 (44 horas semanais) alegam que a redução da jornada de trabalho elevaria a produtividade do trabalho. Ora, se isso fosse uma verdade universal, os empresários seriam os primeiros a reduzir a carga de trabalho, pois a elevação da produtividade aumenta os lucros das empresas. Com base nesse raciocínio, por que todos os setores não trabalham na escala 5×2 (40 horas semanais)? Ou, de outro modo, por que alguns operam na escala 6×1, enquanto outros na 5×2?
A resposta para essas perguntas passa pela realidade de cada setor. Mesmo sem a obrigação do governo, muitas empresas já operam na escala 5×2. Fazem isso porque entenderam que a carga horária de 40 horas semanais traz mais produtividade para elas.
Já outras empresas operam na escala 6×1, pois seus negócios impedem uma redução da carga horária diante das demandas dos seus setores. Geralmente, várias firmas nas áreas de saúde, restaurantes, telecomunicações, padarias e transportes trabalham nessa escala.
O fato é que alguns setores trabalham com mais carga horária e outros, menos, de tal maneira que, de acordo com dados do IBGE, a média do número de horas efetivamente trabalhadas por funcionário é de 39,2 horas.
Se a média de horas efetivamente trabalhadas já está abaixo do que o governo pretende, além de várias empresas já operarem na escala 5×2, por que, então, obrigar as demais firmas a reduzir para 40 horas semanais?
Além do populismo eleitoral, há também a falta de entendimento de que a economia e o ser humano reagem a incentivos. Se um contrato de aluguel é fechado ou uma contratação de funcionário é efetivada por uma firma, é porque os benefícios superaram os custos para cada uma das partes.
No entanto, para muitos políticos e tecnocratas, principalmente de esquerda, a lógica da livre escolha e negociação não existe, e o Estado deve arbitrar as relações entre empresários e trabalhadores, pois, afinal, na visão deles, o governo sabe o que é melhor para cada uma das partes, mesmo estando distante da realidade dos envolvidos.
No caso específico do fim da escala 6×1, a interferência governamental, trazendo o enrijecimento do mercado de trabalho, significa gerar consequências negativas para a sociedade.
Como haverá elevação do custo da mão de obra trabalhada, a empresa, para continuar viável economicamente, vai tentar repassar o aumento da despesa laboral para o preço das mercadorias, trazendo elevação de preços para bens e serviços
Outra consequência será a demissão de funcionários para contenção de despesas e manutenção da margem de lucro da empresa. Como, por imposição governamental, não será possível a redução de salários, o ajuste se dará com elevação do desemprego. Nos casos menos pessimistas, as empresas vão demitir e recontratar funcionários com um salário menor, o que significa diminuição da massa salarial.
Os defensores da medida do fim da escala 6×1 dizem que não haveria desemprego, pois o mercado de trabalho está aquecido e até falta mão de obra. Esse tipo de argumento ignora completamente a complexidade da operação de alguns setores, como o de transporte aéreo. Passar da escala 6×1 para 5×2 significa a necessidade de contratar mais gente para a manutenção da operação.
O problema é que, em muitos setores, não há mão de obra especializada suficiente. E, como não se forma mão de obra mais qualificada da noite para o dia, onde a empresa vai buscar colaboradores mais especializados? Talvez em Marte ou em Nárnia?
Todas essas prováveis consequências são ignoradas por muitos políticos, seja por má-fé ou por ignorância. Enxergam um mundo com uma visão idealizada da realidade, como se uma lei escrita estivesse acima das leis econômicas. Se fosse assim, a pobreza seria extinta por decreto.
Seria muito mais eficiente flexibilizar o mercado de trabalho, em vez de limitá-lo a um determinado número de horas. Certamente haveria setores com necessidade de 20 horas semanais, enquanto outros, de 48 horas por semana. Isso tornaria a alocação de trabalho na sociedade muito mais lógica e produtiva.
Mas, para parlamentares e membros do Poder Executivo, não interessa melhorar a realidade econômica do país e explicar a complexidade de cada mercado de trabalho para a população. Preferem vender a ilusão de que os funcionários vão trabalhar menos e ganhar o mesmo salário, ignorando todas as consequências do mundo real, no qual os próprios trabalhadores serão os mais afetados com mais inflação e desemprego.
Esses efeitos pouco importam para os donos do poder, que só querem a escala 4 por 0: mais quatro anos de poder, gerando zero de riqueza para a sociedade.
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