O presidente do Senado e do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre (União-AP), barrou nesta quinta-feira (21) a leitura de requerimentos para a criação de uma CPMI do Banco Master e afirmou que a decisão cabe exclusivamente à presidência da Casa. Atualmente há, pelo menos, cinco pedidos para investigar a rede de influência costurada pelo banqueiro Daniel Vorcaro com autoridades dos Três Poderes.
A rejeição à abertura de uma apuração pelo Legislativo ocorreu durante a sessão do Congresso convocada para analisar vetos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a dispositivos do Orçamento de 2026, em que deputados e senadores tentaram pedir a palavra para ler os requerimentos. Alcolumbre, no entanto, negou os pedidos.
“Requerimentos de leituras de matérias devem ser objeto de despacho da presidência. Portanto, o momento da leitura é um ato discricionário [uma escolha] da presidência da mesa do Congresso Nacional”, afirmou ao ser questionado por parlamentares.
Entre os quatro vetos em análise e derrubados, três foram em acordo entre governistas e oposição. Já o último, que o PT foi contra, liberou doações a municípios durante o período eleitoral.
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A rejeição de Alcolumbre foi seguida de críticas dos parlamentares que participavam da sessão, entre eles o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que passou a ser alvo de denúncias de envolvimento com Vorcaro. Na semana passada, áudios vazados à imprensa apontaram a cobrança de dinheiro ao banqueiro para financiar um filme sobre a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
“É necessária a instalação da CPMI do Master. Faço um desafio: quero Daniel Vorcaro e Augusto Lima sentados no banco da CPMI, explicando qual era a relação deles com Flávio Bolsonaro, Lula e Alexandre de Moraes. Porque eu não tenho nada a temer, nada a esconder”, disparou o senador.
Pelos lados da base governista, o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) desafiou Alcolumbre de que ele não conseguirá segurar a instalação de uma investigação de Daniel Vorcaro e o Banco Master. O parlamentar citou decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) dos anos de 2007 e de 2021 que obrigaram a leitura de requerimentos pelo Congresso.
“Vossa excelência não vai conseguir ficar sentado em cima dessa CPI”, afirmou.
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Dos cinco requerimentos já protocolados nas casas legislativas, há o de uma comissão mista, uma na Câmara dos Deputados e três no Senado. Há, ainda, ações no STF tanto da base governista como da oposição para que o Congresso investigue o caso.
A rejeição de Alcolumbre à abertura de uma investigação já era esperada pelos parlamentares por conta do silêncio que ele tem mantido sobre o caso nos últimos meses, principalmente em meio ao envolvimento de pessoas indicadas por ele na Amprev, a previdência dos servidores do estado do Amapá, alvos da Polícia Federal no âmbito das investigações do Banco Master.
É um posicionamento semelhante ao adotado pelo presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), que afirmou recentemente que dará um tratamento “regimental” ao pedido de abertura de uma CPI. Ou seja, que cumprirá o regimento de que apenas ele pode pautar a leitura de requerimentos.


