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2026 repete 2022 de forma invertida e direita avança

2026 repete 2022 de forma invertida e direita avança

2026 repete 2022 de forma invertida e direita avança
Brasil demonstra cansaço com modelo hegemônico para política e economia na maioria dos 41 anos de democracia pós-ditadura militar; país teve maior onda pró-direita nas disputas de 1º turno
Há 4 anos não foi Luiz Inácio Lula da Silva quem venceu. Foi Jair Bolsonaro quem perdeu. Agora, em 2026, não foi Flávio Bolsonaro quem ficou à frente no 1º turno da disputa presidencial. Foi Lula quem ficou atrás.
A eleição de 2026 foi, até agora, a eleição de 2022 de forma invertida.
Em 2022, uma parcela dos eleitores não aguentava mais Jair Bolsonaro no Planalto. Era muita confusão. Muita declaração controversa a troco de nada.
Agora, em 2026, um grupo de brasileiros parece também estar enfastiado de Lula e sem paciência com o petista.
O presidente da República subestimou a fadiga de material da sua imagem pessoal. Ele faz 81 anos em 27 de outubro. Desconsiderou a força emergente do antipetismo na sociedade. Não entendeu o “Zeitgeist” (o espírito do tempo). Há no Brasil e no mundo uma parcela crescente de pessoas que parecem enfezadas com políticos de esquerda e sociais-democratas. Há um sentimento difuso que rejeita a ideia de que o Estado deva ser o nhonhô provedor de tudo em troca de cobrar impostos a torto e a direito. Todos esses fatores são o substrato do resultado das disputas do 1º turno das eleições no Brasil em 2026.
Uma das consequências da globalização foi dar a uma parcela gigante da população do planeta (e do Brasil, claro) a capacidade de perceber que é possível empreender, criar riqueza e não depender o tempo todo de alguém do governo oferecer uma benemerência –aumentado o valor do Bolsa Família, dando um botijão de gás a cada 2 meses ou pagando para os jovens ficarem na escola. No caso da campanha petista à Presidência, não faltaram ideias estrambóticas e obsoletas. Lula e seu time chegaram a pensar em criar a profissão de motorista de aplicativo, com registro em Carteira de Trabalho, sindicato e uma estrutura que emulasse o sistema criado por Getúlio Vargas na década de 1940.
O que puxa Lula para baixo é a incapacidade de entender a conjuntura do século 21. O PT e seu líder maior ficaram enroscados numa dobra do tempo pré-queda do Muro de Berlim.
Vale ressaltar: o petista até hoje não usa telefone celular.
Nada impede que o presidente da República tenha uma epifania nas próximas 3 semanas (o tempo de campanha do 2º turno), faça um “aggiornamento” ideológico e entenda o que se passa. Este Poder360 avalia, entretanto, que Lula não está nem perto de dar uma pivotada (como se diz na Faria Lima) em seu discurso. O petista dá indicações de que continuará repetindo a estratégia que fracassou no 1º turno na esperança de que dê certo agora.
O presidente não demonstra estar captando o que se passa. Basta lembrar do petista em comícios sucessivos passando o microfone para sua mulher, Janja, xingar o deputado federal Nikolas Ferreira –que surfou nessa onda e foi o mais bem votado do país passando de 3 milhões de votos em Minas Gerais.
Na análise do que vai se passar agora é necessário considerar o adversário que entra mais forte na fase final da campanha. O senador Flávio Bolsonaro tem muitos aliados que saíram vitoriosos na eleição de domingo e entrarão de cabeça no projeto de levar a direita novamente ao Planalto. Os governadores de Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo e Minas Gerais já estão eleitos e são todos pró-Flávio. Estão livres para puxar votos para o candidato do PL. É uma tropa de choque com alto poder de ação.
Ao analisar a atual quadra política não se deve esquecer de que a vantagem de Flávio sobre Lula só foi de 1,87 ponto percentual. É quase nada. O que vai contar nas próximas 3 semanas é quem entra mais energizado para a fase final da disputa –neste momento, quem tem esse atributo é o candidato do PL, que agora joga com as brancas.
O que pode desequilibrar o jogo são medidas heterodoxas do Judiciário para tentar influir no processo eleitoral. Lula governou até agora com o Supremo Tribunal Federal ao seu lado. É impossível saber qual será o grau de ousadia dos magistrados daqui em diante para tentar manter o status quo. Ocorre que uma ala do STF se comporta como numa batalha de vida ou morte. Ao lutar pela vida, são capazes de fazer qualquer coisa. Espera-se que o presidente do Supremo, Edson Fachin, assuma de uma vez a condição de disciplinador da Corte, contendo as decisões inconstitucionais e que violam as normas internas do Poder Judiciário.
ONDA DE DIREITA
O Brasil assistiu no 1º turno das eleições de 2026 à maior onda de direita desde o fim da ditadura militar, em 1985.
A Câmara dos Deputados terá 261 das 513 cadeiras ocupadas por simpatizantes da direita. Pelo valor de face, é quase igual ao resultado das urnas em 2022. Mas há uma diferença: um partido sozinho, o PL, terá 121 deputados. Desde 1998 nenhuma legenda teve mais de 100 cadeiras. Isso significa que a direita está menos fragmentada, mais coesa e com muitos quadros jovens, renovando o grupo que representa esse espectro político em Brasília.
No Senado, 49 dos 81 serão de direita a partir de 2027. De novo, o destaque é o PL que terá 28 senadores no ano que vem. É um número expressivo. O maior para um partido desde a posse do Congresso em 1999, quando o então PMDB começou a Legislatura ocupando 29 cadeiras.
A onda azul se espalhou pelos governos estaduais: 13 dos 20 governadores já eleitos no 1º turno são políticos do espectro conservador nos costumes e liberal na economia.
A vitória momentânea da direita na disputa pela Presidência da República teve Flávio Bolsonaro registrando 47,03% dos votos válidos contra 45,16% de Lula. Outros candidatos cujas propostas guardam aderência com ideias de direita tiveram 7,6%. Os nanicos de esquerda somaram só 0,18%. São os eleitores desses partidos que vão decidir quem será o próximo ocupante do Planalto a partir de 2027.
Os mapas a seguir mostram os percentuais dos candidatos a presidente em 2018, 2022 e 2026 no 1º turno dessas 3 disputas:
Exceto se Lula conseguir alterar a percepção de parte majoritária do eleitorado, a tendência parece favorecer Flávio no 2º turno.
Nos 41 anos de democracia do atual ciclo político, o Brasil só esteve uma vez sob comando de um presidente abertamente de direita. Foi quando Jair Bolsonaro ficou no Planalto, de 2019 a 2022.
Os outros 37 anos foram com políticos de esquerda, centro-esquerda ou de centro (José Sarney, Itamar Franco, FHC, Lula, Dilma Rousseff e Michel Temer) ou, no máximo, centro-direita (Fernando Collor).
É importante aqui definir o que é direita e esquerda para efeito do que se detalha neste editorial do Poder.
A esquerda é composta por políticos que vocalizam preocupação social (defendem a expansão de programas como Bolsa Família, Pé-de-Meia, Gás do Povo e outros), acreditam que a presença do Estado funcione como fator indutor do crescimento da economia, são a favor da cobrança implacável de impostos dos mais ricos e são liberais na área dos costumes e aderentes à cultura woke e a políticas identitárias para minorias.
A direita é em geral conservadora nos costumes (contra liberalização do aborto ou do uso de drogas), a favor da constituição tradicional da família, da religiosidade, vê o Estado como necessário só em áreas específicas como segurança pública e regulação de concessões públicas e defende uma economia mais aberta e liberal, favorecendo empresas e o empreendedorismo.
Por esses critérios, só o governo de Jair Bolsonaro pode ser classificado como realmente de direita desde 1985, sobretudo pela presença do então ministro Paulo Guedes como titular da Economia.
Obviamente que a maioria dos eleitores nem se lembra quem foram todos os presidentes civis de 1985 para cá nem seria capaz de fazer distinção sobre quem foi de direita, de centro ou de esquerda.
Só que está claro para o imaginário coletivo que, em certa medida, muitos dos presidentes brasileiros em décadas recentes pertenciam a uma confraria do mesmo espectro político. Vigorou até agora no país a lógica do romance “O Leopardo” (1958), do italiano Tomasi di Lampedusa: “Se quisermos que tudo fique como está, é preciso que tudo mude”. E assim se passaram 41 anos. Houve trocas de presidentes e as coisas ficaram quase como sempre estiveram.
Havia e há na esquerda e na centro-esquerda a presunção de que os brasileiros aceitariam essa condição “ad aeternum”. Todos ficarem fingindo que há mudança e nada mudar.
Na 2ª feira (5.out.2026), o presidente nacional do PT, o deputado federal paulista Edinho Silva, deu uma entrevista para a emissora predileta do petismo, a TV de notícias GloboNews. Num determinado momento disse que a estratégia petista agora será sugerir ao eleitor que compare as biografias “porque o confronto é direto” no 2º turno. O PT pretende “dizer para a sociedade brasileira quem é que defende mudança”. No entender de Edinho, Lula é o defensor das mudanças. Flávio, não.
A avaliação do cacique petista demonstra de forma solar como ele e seu partido têm dificuldades ao fazer uma análise correta da conjuntura. É exatamente por conhecerem Lula que muitos eleitores não querem dar um 4º mandato para o presidente da República.
O resultado do 1º turno demonstra que a paciência de metade do eleitorado parece não aceitar mais esse estado de criogenia no comando do país.
O próprio Lula ajudou a despertar a sensação de cansaço em parte dos brasileiros. Durante a campanha, o presidente enfatizou e lembrou com frequência que já governou o país por 3 mandatos e que quer um 4º para fazer mudanças. Foi quase um discurso contra si próprio. Somados os mandatos de Lula e Dilma, foram 18 anos de poder. Qual mudança exatamente não teria sido possível de implementar em tanto tempo?
O presidente está para completar 81 anos. Disputa eleições desde 1982. Lula e seu time de marketing exaltam a carreira longeva do presidente para tentar inspirar eleitores. “As pessoas sabem quem é o presidente Lula”, disse Edinho Silva à GloboNews. É verdade. Só que é exatamente por conhecê-lo que muitos demonstram não querer votar nele.
Se há algum consolo para a esquerda, caso Lula venha a perder a disputa, é que não há melhor momento que o atual para entregar o Brasil para um adversário. A economia está destrambelhada e o ambiente externo (com guerras e taxas de juros altas nos países desenvolvidos) vai atrapalhar o ajuste fiscal necessário aqui no país. O ano de 2027 será de aperto e baixo crescimento. Um prato cheio para o PT e seus seguidores criticarem tudo o que vier pela frente.
Ao mesmo tempo, será uma oportunidade de ouro para a direita mostrar se, depois dos erros cometidos com Jair Bolsonaro, consegue governar com equilíbrio e fazer o país caminhar para uma rota de desenvolvimento sustentável.

Fonte: Poder360

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