Os governos de Panamá e Colômbia decidiram lançar uma operação conjunta na região da selva de Darién para combater o grupo criminoso Clã do Golfo e reforçar a segurança na região, considerada área estratégica na fronteira entre os dois países.
A operação está ocorrendo nas proximidades do Posto Binacional de Alto Limón (localizado na fronteira entre os dois países), onde existem cerca de 500 hectares de plantações de coca em território colombiano. Militares da Colômbia já estão atuando neste local para erradicar os cultivos enquanto policiais panamenhos oferecem cobertura para impedir eventuais ataques dos grupos armados.
O Clã do Golfo é considerado pelas autoridades a maior organização criminosa da Colômbia. O grupo atua principalmente no narcotráfico, mas também mantém atividades ligadas ao tráfico de migrantes pela selva de Darién, à mineração ilegal e à extorsão.
Além da operação de erradicação das plantações de coca, os dois países querem impedir também que integrantes do grupo atravessem a fronteira e se estabeleçam no Panamá. Autoridades colombianas afirmaram que, diante da nova política de segurança adotada pelo governo do presidente conservador Abelardo de la Espriella, organizações criminosas podem buscar rotas alternativas para deixar o território colombiano.
A operação em curso envolve um reforço expressivo das forças de segurança. Mais de 700 agentes das forças especiais do Serviço Nacional de Fronteiras do Panamá foram enviados para pontos considerados táticos e estratégicos da região, incluindo os postos binacionais de vigilância mantidos por Panamá e Colômbia.
A operação ocorre no mesmo período em que Colômbia e Panamá reforçam sua aproximação com a estratégia de segurança dos Estados Unidos para o Hemisfério Ocidental. A Colômbia aderiu nesta semana formalmente à Coalizão das Américas contra os Cartéis, iniciativa liderada pelo governo do presidente Donald Trump voltada ao combate de organizações criminosas transnacionais. O Panamá também participa desta aliança.
A coalizão visa desarticular cartéis de drogas, reduzir a imigração ilegal no Hemisfério Ocidental e limitar a interferência de atores externos.
Durante uma reunião da coalizão realizada nesta semana no Panamá, representantes de 19 países discutiram planos de operações contra redes criminosas, divisão de responsabilidades entre os integrantes e a criação de grupos de trabalho com objetivos específicos.
O secretário de Guerra dos Estados Unidos, Pete Hegseth, afirmou durante o encontro que Washington pretende aprofundar a cooperação com os países aliados para desmantelar organizações do narcotráfico que atuam de forma transnacional.
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