O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), se pronunciou nesta quinta-feira (13) sobre as críticas envolvendo a recente decisão do colega Alexandre de Moraes que determinou busca e apreensão contra a fonte de um jornalista do Maranhão que denunciou o uso de carros oficiais pelo magistrado e seus familiares.
A operação mirou a fonte do jornalista Luís Pablo, o ex-secretário Raimundo Cutrim, que teria fornecido as informações sobre o suposto uso irregular de veículos oficiais. O próprio profissional também já foi alvo de medidas de Moraes em meados de março após publicar reportagens denunciando Dino.
“A minha atual função de juiz impede-me de participar cotidianamente de ‘apaixonados’ debates públicos. Isso inclui suportar calado agressões e injustiças, assistir a distorções monumentais quanto a fatos, acompanhar perplexo a exposição de interpretações absurdas”, afirmou Dino em uma postagem nas redes sociais.
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Antes de se tornar ministro do STF, Flávio Dino vinha à público com frequência para se pronunciar sobre fatos relativos a si e à sua carreira. No entanto, após integrar a Corte, adotou um tom mais contido e comenta fatos apenas em sessões da Corte ou raras publicações nas redes sociais.
“De todo modo, a minha biografia e a minha atuação profissional, em 37 anos de serviço público, são a minha maior defesa”, completou.
Na mesma decisão, Moraes autorizou medidas contra Diogo Diniz Lima, advogado e ex-secretário de Urbanismo e Habitação da Prefeitura de São Luís, também apontado como informante. Segundo o despacho, Lima teria feito pagamentos de R$ 100 mil a Luís Pablo para quitar um imóvel, informação que foi negada pelo jornalista.
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Entidades representativas de veículos de imprensa alegam que a ação de Moraes pode violar a garantia constitucional do sigilo da fonte, prevista para proteger jornalistas no exercício da profissão. Segundo as associações, “qualquer medida que eventualmente viole essa garantia representa um ataque ao livre exercício do jornalismo”.
Em novembro de 2025, Luís Pablo divulgou imagens e informações sobre veículos utilizados por Dino durante sua permanência no Maranhão, levantando a suspeita de uso irregular de carros oficiais. O ministro e o Tribunal de Justiça do estado negaram irregularidades e afirmaram que a utilização dos veículos estava relacionada à segurança do ministro.
Já em março deste ano, Moraes autorizou uma operação de busca e apreensão contra Luís Pablo, com apreensão de celulares e computador utilizados pelo jornalista. A análise desse material levou a Polícia Federal a identificar Raimundo Cutrim, ex-secretário do governo maranhense, como fonte de informações utilizadas nas reportagens sobre Dino, segundo o relatório policial. A investigação passou então a apurar suspeitas de perseguição e divulgação de informações obtidas de maneira irregular.


