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As mulheres estão vivendo mais. Mas será que estão envelhecendo melhor?

Um novo estudo do McKinsey Health Institute estima que a população mundial poderia ganhar até nove anos adicionais de vida saudável até 2050 se houvesse maior investimento em prevenção. O dado reforça uma mudança importante: o desafio da medicina já não é apenas aumentar a expectativa de vida, mas garantir que esses anos sejam vividos com qualidade.

No Brasil, essa reflexão ganha ainda mais força quando olhamos para a longevidade feminina. Segundo dados do IBGE, as mulheres vivem, em média, 79,1 anos, enquanto os homens chegam aos 71,9 anos.

Sabemos, historicamente e cientificamente, que essa diferença de quase sete anos está relacionada, entre outros fatores, ao maior cuidado feminino com a saúde e à procura mais frequente por atendimento médico e exames preventivos. Em 2019, por exemplo, 82,3% das mulheres buscaram atendimento de saúde, contra 69,4% dos homens no Brasil. Ainda assim, viver mais não significa, necessariamente, envelhecer com mais saúde.

Esse cenário mostra que precisamos mudar a forma como enxergamos a prevenção.

Durante décadas, a medicina concentrou seus esforços em diagnosticar e tratar doenças. Hoje, o maior desafio é identificar riscos antes que eles se transformem em problemas de saúde

Nesse contexto, a genética vem ganhando protagonismo. Ao contrário do que muitas pessoas imaginam, conhecer o DNA não significa prever o futuro, mas sim revelar predisposições que não determinam o destino, mas que, analisadas junto ao histórico familiar, aos exames clínicos e aos hábitos de vida, ajudam médicos e pacientes a tomar decisões mais assertivas. E isso com base, muitas vezes, em uma amostra pequena de sangue ou saliva.

Sendo mais específico: a medicina personalizada ajuda, por exemplo, a entendermos por que duas pessoas com estilos de vida semelhantes apresentam resultados tão diferentes. Assim como por que algumas desenvolvem doenças cardiovasculares, diabetes ou obesidade, enquanto outras permanecem saudáveis. Parte dessa resposta está na interação entre genética e ambiente.

Em vez de adotar recomendações iguais para todos, a genômica permite direcionar estratégias de prevenção conforme as características biológicas de cada indivíduo. Isso não substitui alimentação equilibrada, atividade física ou acompanhamento médico, mas torna essas escolhas mais inteligentes e eficazes.

A longevidade não deve ser medida apenas pelo número de aniversários celebrados. E chegar aos 70, 80 ou 90 anos de idade com autonomia, disposição e qualidade de vida exige uma mudança de mentalidade: deixar de agir apenas quando a doença aparece e investir cada vez mais em prevenção.

O futuro da saúde será construído menos dentro dos hospitais e mais a partir do conhecimento que temos sobre nós mesmos. E a genética é uma das ferramentas mais promissoras para transformar informação em saúde e anos de vida vividos com qualidade.

Ricardo Di Lazzaro é médico doutor em genética e fundador de Genera, marca da Dasa.

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