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Exército testa metralhadoras, canhões e radares de defesa aérea contra drones em Goiás

O Exército realizou neste mês, no Campo de Instrução de Formosa, em Goiás, uma série de atividades voltadas para o monitoramento e a defesa aérea contra drones. A iniciativa busca adaptar a força terrestre a uma nova realidade de combate, onde o uso de drones tem se mostrado um fator decisivo para o sucesso ou fracasso de operações militares.

O foco principal foi testar a capacidade de resposta a ataques aéreos com aparelhos, que se mostram as principais armas de guerra em conflitos recentes na Ucrânia e no Irã.

Batizado de Sagitta Primus 2026, o exercício reuniu mais de 500 militares de 23 organizações diferentes na primeira semana de agosto e foi divulgado nesta semana.

Durante os treinamentos, foram realizados testes práticos que envolveram desde a identificação das ameaças no espaço aéreo até o uso de armamento real para o abate desses equipamentos. A atividade marcou a primeira vez que o Exército conduziu uma experimentação especificamente voltada para integrar a defesa antiaérea com sistemas focados em drones.

Os testes envolveram o uso de radares de fabricação nacional, como o SABER M60 e o SABER M200, para a detecção de objetos no céu.

Para neutralizar os alvos, os militares utilizaram diversos tipos de armas. Desde antigas metralhadoras de calibre .50 instaladas em viaturas Guarani até canhões do blindado antiaéreo alemão Gepard. Também foram empregadas soluções “não cinéticas”, que consistem no uso de equipamentos eletrônicos para interferir e bloquear as frequências que controlam os drones.

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Essa movimentação está alinhada com a nova Política de Transformação do Exército, um plano estratégico lançado em abril que visa modernizar a instituição até o ano de 2043.

O documento reflete um “choque de realidade” provocado pela análise de conflitos contemporâneos, como os que ocorrem na Ucrânia e no Irã. Nestes teatros de guerra, drones de baixo custo têm sido capazes de destruir tanques, navios e refinarias que custaram milhões de dólares, alterando a lógica econômica dos combates.

De acordo com fontes ligadas ao comando militar, o Exército percebeu que sua estrutura ainda estava voltada para modelos de guerra do século passado. A nova diretriz prioriza a aquisição e o desenvolvimento de drones de ataque, sistemas de sensores e mísseis, em vez de focar apenas em plataformas pesadas e caras, que são de manutenção difícil diante de orçamentos restritos. A ideia é investir em tecnologias mais acessíveis e letais, comuns a países em desenvolvimento.

O plano de transformação também prevê um incentivo à Base Industrial de Defesa (BID) do Brasil. Durante o exercício em Goiás, empresas nacionais demonstraram experiências com fuzis de interceptação de frequência e torres de análise de sinais.

Além do cenário de guerra entre Estados, a preocupação dos militares brasileiros estende-se ao uso de drones por organizações criminosas e grupos armados na América do Sul. Relatos de ataques contra militares na Colômbia utilizando esses aparelhos serviram de alerta para a necessidade de proteger tropas e infraestruturas críticas contra ameaças que podem ser transportadas em uma mochila.

Como parte da reestruturação para custear essas novas tecnologias, o Exército iniciou um processo de “reotimização” de recursos. Isso inclui a redução drástica do número de projetos estratégicos, que passaram de 13 para apenas 6. Unidades militares que operam em áreas consideradas seguras devem começar a ser desativadas ou transferidas para regiões de fronteira e zonas julgadas mais sensíveis.

O Exercício Sagitta Primus 2026 em Goiás reforça, portanto, a tentativa da instituição de buscar uma capacidade de dissuasão compatível com a realidade econômica atual. A meta é que, até as próximas décadas, o país domine o uso de radares integrados e sistemas de resposta rápida, garantindo que o espaço aéreo não seja vulnerável a enxames de drones ou ataques de precisão.

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