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Cristãos tomam as ruas do Paquistão e cobram fim da perseguição religiosa

Milhares de cristãos realizaram manifestações em Karachi, Lahore e Peshawar nesta terça-feira, 11 de agosto de 2026. O movimento marca o Dia Nacional das Minorias e exige que o governo paquistanês promova reformas na Constituição para garantir igualdade de direitos. Os manifestantes protestam contra a violência, leis de blasfêmia e a proibição de que não-muçulmanos ocupem cargos de alto escalão no país.

Quais são as principais exigências feitas pelos manifestantes nas ruas?

Os manifestantes apresentaram uma carta com 11 pontos fundamentais para a sobrevivência das minorias no país. Entre as reivindicações, destaca-se a alteração dos Artigos 41 e 91 da Constituição, que atualmente impedem que cidadãos não-muçulmanos ocupem os cargos de presidente ou primeiro-ministro. Além disso, o grupo pede maior representação política, proteção aos locais de culto, reformas no currículo escolar para evitar preconceitos e a proibição definitiva da conversão forçada de menores de idade, um problema recorrente que gera insegurança entre as famílias cristãs.

O que motiva a insegurança da comunidade cristã no território paquistanês?

A sensação de medo é alimentada por um histórico de violência extrema, que inclui linchamentos coletivos e ataques motivados por acusações de blasfêmia. Durante os protestos em Karachi, cartazes exibiam fotos de líderes assassinados e vítimas de perseguição. A lei de blasfêmia é um conceito jurídico que pune ofensas à religião oficial, mas que, na prática, é frequentemente usada para perseguir minorias. Ativistas afirmam que o governo se limita a realizar cerimônias oficiais de harmonia inter-religiosa, enquanto a violência real e a discriminação sistêmica continuam a crescer.

Como surgiu o Dia Nacional das Minorias e qual o seu significado?

A data foi estabelecida em 2009 para homenagear o legado de Shahbaz Bhatti, o primeiro católico a ocupar o cargo de ministro federal para as minorias no Paquistão. Bhatti foi um defensor incansável da liberdade religiosa e acabou assassinado por extremistas em 2011. A escolha do dia 11 de agosto remete a um famoso discurso de 1947 feito por Muhammad Ali Jinnah, fundador do país, no qual ele declarou que todos os cidadãos seriam livres para adorar conforme sua crença. Os manifestantes agora cobram que essa promessa de fundação da nação seja finalmente cumprida pelo Estado.

Qual é a situação demográfica atual das minorias religiosas no Paquistão?

Os dados oficiais revelam uma redução drástica na proporção de cidadãos não-muçulmanos ao longo das décadas. Em 1951, logo após a independência, as minorias representavam 14,2% da população total. De acordo com o censo mais recente de 2023, esse número caiu para apenas 3,5%, em uma população total de cerca de 247,5 milhões de pessoas. Esse grupo reduzido é formado por cristãos, hindus, sikhs, ahmadis, bahá’ís, zoroastristas e budistas, que lutam para manter suas tradições e direitos básicos em meio a um cenário de crescente intolerância e falta de representação.

Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.

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