A Unidade Nacional para a Gestão do Risco de Desastres da Colômbia (UNGRD), órgão que atualmente coordena ações de emergência no país após o terremoto de magnitude 7,4 que devastou diversas cidades, esteve no centro de um dos maiores escândalos de corrupção registrados durante o governo do agora ex-presidente Gustavo Petro. O caso envolveu o desvio de recursos públicos milionários da própria entidade e o pagamento de propinas a políticos.
O terremoto que atingiu a Colômbia nesta segunda-feira (10) já deixou centenas de mortos e mais de mil feridos, além de desaparecidos, casas destruídas e danos em hospitais e outras estruturas. Durante o atual estado de emergência nacional, equipes de resgate, médicos e outros serviços de atendimento permanecem mobilizados nas áreas atingidas sob coordenação da UNGRD.
Durante o governo Petro, investigações revelaram um amplo esquema de corrupção envolvendo recursos que eram administrados pela UNGRD. Parte do dinheiro desviado do órgão, que hoje poderia estar sendo utilizado na gestão da tragédia, teria sido usado para pagar propinas a congressistas colombianos em troca de apoio a reformas defendidas pelo então governo esquerdista.
Um dos principais episódios deste escândalo envolve um contrato para a compra de caminhões-pipa destinados a levar água à população da província de La Guajira, uma das regiões mais pobres e afetadas pela falta de água no país. Uma investigação feita por autoridades colombianas concluiu que recursos desviados desse contrato acabaram sendo utilizados para financiar pagamentos ilegais do governo Petro a políticos.
Entre os políticos envolvidos no escândalo estão os ex-presidentes do Senado Iván Name e da Câmara dos Deputados Andrés Calle. Segundo um processo que está sendo analisado pela Suprema Corte da Colômbia, Name teria recebido cerca de US$ 750 mil, enquanto Calle teria recebido cerca de US$ 250 mil em propinas, provenientes de recursos que deveriam ser utilizados pela UNRD na gestão de desastres. A acusação sustenta que os valores foram entregues aos dois parlamentares para facilitar a aprovação de reformas promovidas pelo governo Petro, especialmente as mudanças nos sistemas de saúde e Previdência.
Segundo a investigação, os pagamentos teriam sido realizados em 2023. Parte do dinheiro chegou a ser entregue em espécie para os dois homens. O processo analisado pela Suprema Corte revelou que Name e Calle tinham conhecimento de que os valores pertenciam aos cofres da UNGRD e cita mensagens obtidas durante a investigação como evidências da organização dos pagamentos.
O caso não ficou restrito apenas aos dois ex-chefes do Congresso. O escândalo também atingiu antigos dirigentes da própria UNGRD e integrantes do alto escalão do governo Petro. Segundo o site colombiano La Silla Vacía, o ex-subdiretor do orgão Sneyder Pinilla foi condenado por envolvimento no esquema de corrupção. O ex-diretor do Departamento Administrativo da Presidência Carlos Ramón González, um dos auxiliares mais próximos de Petro, também passou a ser investigado sob acusação de ordenar o uso de dinheiro da UNGRD para o pagamento de propinas.
Até o presente momento, Iván Name e Andrés Calle seguem presos e respondem ao processo por receber propinas.
VEJA TAMBÉM:


