Enquanto eleitores se dividem e brigam por política, interesses e alianças podem aproximar adversários nos bastidores. (Foto: Imagem criada com auxílio de ChatGPT/Gazeta do Povo)
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A política costuma ser um ambiente sujo. O pragmatismo é fundamental, mas qual o limite? Olavo de Carvalho denunciava quem puxava da cartola a velha frase “política é a arte do possível”, pois já esperava a defesa de algo imoral em seguida. Cada um terá, de acordo com sua consciência, seu próprio limite em virtude dos resultados esperados. Mas uma coisa parece óbvia: enquanto famílias brigam, casamentos racham e filhos param de falar com seus pais por causa de política, os políticos confraternizam de outra maneira atrás dos panos.
A imagem de gente do PT, do centrão e Alexandre Ramagem, bolsonarista próximo de Eduardo, todos juntos numa piscina, em festa com a presença de um advogado que hoje é investigado no caso do INSS, tudo isso pouco depois da prisão dos manifestantes do 8 de janeiro, ilustra bem essa triste realidade. Não há “justificativa” capaz de apagar a indecência do que se viu ali.
E não é um caso isolado. O mesmo Eduardo Bolsonaro criticou muito o esforço do senador Angelo Coronel de censurar a internet. Eis o que Eduardo comentou à época: “Regular a internet por si só já seria um absurdo contra a liberdade de expressão, mas o relatório do sen. Angelo Coronel, que se inspirou na Rússia, piorou ainda mais as coisas. Nem no WhatsApp, uma plataforma de conversa privada, você poderá escrever o que quiser”.
Na próxima vez que você for brigar com um parente por causa de política, lembre que a imensa maioria dos políticos possui um projeto de poder, não de nação.
O senador Angelo Coronel, por sua vez, enalteceu a vitória de Biden em 2020, disse que ela trazia a expectativa de tempos menos conflituosos, e que a relação do Brasil com os Estados Unidos poderia continuar boa “longe do personalismo da relação Trump/Bolsonaro e sem os arroubos autoritários”. Pois bem, Flávio Bolsonaro anunciou apoio à candidatura do mesmo Angelo Coronel para o Senado pela Bahia, com aplausos do irmão Eduardo. Enquanto eleitores brigam como torcidas de futebol, políticos dividem piscina e mudam alianças com o sabor do vento…
Hugo Motta, presidente da Câmara, declarou apoio à reeleição de Lula, apesar da neutralidade do seu partido Republicanos: “Nós iremos declarar esse apoio ao presidente porque ele converge com aquilo que pensamos ser o melhor para o país”. Quem não apoiasse esse sujeito para presidir a Câmara era intergaláctico traidor da direita limpinha, lembram? Tudo pelas “comissões”, e ai de quem ousasse questionar a lógica amoral dessa escolha!
Ronaldo Caiado, que se diz de direita, colocou como vice em sua chapa o presidente do PSD, Gilberto Kassab, cujo partido fornece palanque para o Lula em vários estados, como no Rio de Janeiro de Eduardo Paes. Caiado citou Armínio Fraga como preferência para o Ministério da Fazenda. Armínio, aquele que fez o L, escreveu coluna na Folha imaginando uma entrevista por telepatia com Lula em que este defendia a responsabilidade fiscal, e que agora antecipa uma crise similar àquela do governo Dilma. É a volta do tucanato!
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Perguntei ao Grok: quais políticos brasileiros têm familiares também na política? Em sua resposta, o Grok listou várias famílias conhecidas: Bolsonaro, Sarney, Calheiros, Barbalho, Campos, Magalhães, Lira, Ferreira Gomes, Alcolumbre, Motta, entre outras. “Muitos políticos brasileiros pertencem a dinastias e clã familiares, fenômeno antigo e muito comum no país”, explicou o Grok. E acrescentou: “Estudos e levantamentos indicam que cerca de dois terços dos senadores eleitos entre 1986 e 2022 tiveram capital político familiar, e proporções elevadas também na Câmara e em cargos estaduais/municipais. O sobrenome, a rede de alianças e o controle de redutos eleitorais facilitam a perpetuação”.
Na próxima vez que você for brigar com um parente por causa de política, lembre que a imensa maioria dos políticos possui um projeto de poder, não de nação, e que nos bastidores eles costumam trocar afagos ou até brindes com champanhe numa piscina. Lembre, nesse momento, de Cazuza: “A tua piscina tá cheia de ratos; Tuas ideias não correspondem aos fatos; O tempo não para; Eu vejo o futuro repetir o passado; Eu vejo um museu de grandes novidades; O tempo não para; Não para, não para”.
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