O Senado dos Estados Unidos aprovou nesta sexta-feira (7) a indicação do deputado estadual republicano Daniel Perez para comandar a Embaixada americana no Brasil. O nome escolhido pelo presidente Donald Trump recebeu 51 votos favoráveis e 47 contrários e agora depende do aval diplomático do governo Lula para assumir formalmente o posto em Brasília.
Perez, de 38 anos, é um forte aliado do secretário de Estado americano, Marco Rubio, que critica e defende posições mais duras contra regimes de esquerda na América Latina. Filho de imigrantes cubanos, ele já manifestou publicamente oposição ao regime comunista de Cuba e comemorou, em janeiro deste ano, a captura do então ditador venezuelano Nicolás Maduro por forças americanas.
Em uma publicação após a operação na Venezuela, Perez afirmou que Trump havia adotado “medidas decisivas para trazer paz e segurança ao nosso hemisfério” e desferido “um grande golpe contra os cartéis de drogas”. O republicano também já elogiou Rubio por defender maior pressão dos Estados Unidos sobre o regime cubano.
Em setembro de 2025, Perez foi elogiado por Trump por ter feito um “trabalho fantástico” na Flórida. O presidente americano também disse que o deputado era “respeitado em todo o país”. Meses depois, Perez agradeceu publicamente ao presidente, a Rubio e à chefe de gabinete da Casa Branca, Susie Wiles, durante seu discurso de despedida da presidência da Câmara da Flórida.
Nascido em Nova York em 1987, Perez se mudou ainda criança com a família para a Flórida. Formado em Ciência Política pela Universidade Estadual da Flórida e em Direito pela Loyola University New Orleans College of Law, trabalhou como advogado antes de entrar para a política. Ele foi eleito deputado estadual pela primeira vez em 2017 e assumiu, em novembro de 2024, a presidência da Câmara dos Representantes da Flórida.
Na política estadual, Perez ganhou projeção por defender pautas associadas ao campo conservador, entre elas redução de impostos, diminuição do tamanho do Estado, investimentos em segurança pública e medidas relacionadas à integridade eleitoral.
Crime, China e Rússia estão entre preocupações de Perez no Brasil
Durante sua sabatina no Comitê de Relações Exteriores do Senado, em 16 de julho, Perez afirmou que o Brasil apresenta tanto oportunidades econômicas quanto desafios estratégicos para os Estados Unidos. Entre suas principais preocupações sobre o Brasil estão a atuação de organizações criminosas transnacionais e a crescente presença de potências estrangeiras na América Latina.
O republicano não citou nominalmente essas potências durante a audiência, mas, a estratégia de segurança dos Estados Unidos para o hemisfério aponta China e Rússia como competidores por influência na região.
Perez afirmou aos senadores que o Brasil enfrenta “desafios reais de segurança”, devido a presença de organizações criminosas responsáveis por fluxos de drogas que chegam aos Estados Unidos e a presença de países que disputam espaço político e econômico no continente. Ele também destacou as reservas brasileiras de minerais críticos, consideradas estratégicas para a economia e a segurança nacional americana.
A Casa Branca classificou neste ano o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras.
O novo embaixador também afirmou que pretende, como representante americano no Brasil, “apoiar instituições democráticas brasileiras” e “pressionar para condições que permitam eleições livres e justas e liberdade de expressão”. Segundo Perez, a maneira como Washington vai se relacionar com Brasília nos próximos anos terá “enorme importância” para os interesses americanos no Hemisfério Ocidental.
Nomeação ocorre em meio à crise entre Lula e Trump
A confirmação de Perez pelo Senado ocorre em meio a uma crise diplomática entre os governos Lula e Trump. Apesar da aprovação dos senadores americanos, o republicano ainda precisa receber o chamado agrément do Brasil, a autorização formal concedida pelo país que receberá um novo embaixador, para assumir suas funções em Brasília.
O governo Lula está demorando para conceder essa aprovação. Segundo informações, o governo brasileiro se incomodou com o fato de Washington ter anunciado publicamente o nome de Perez antes da conclusão das consultas diplomáticas privadas.
A disputa se agravou nesta semana depois que os Estados Unidos decidiram revogar o visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Viotti. Segundo o Departamento de Estado, a decisão ocorreu diante da demora brasileira em responder ao pedido de aprovação de Perez. Um alto funcionário americano afirmou posteriormente que o visto poderá ser restabelecido caso a demanda de Washington seja atendida.
Perez será o primeiro embaixador titular dos Estados Unidos no Brasil desde a saída de Elizabeth Bagley, indicada pelo democrata Joe Biden, em janeiro de 2025. Desde então, a representação diplomática americana em Brasília vinha sendo comandada por encarregados de negócios.
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