Voto é facultativo para idosos acima de 70 anos e jovens de 16 e 17 anos, mas todos têm boas razões para ir votar. (Foto: Imagem criada utilizando Google Flow/Gazeta do Povo)
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As portas das convenções partidárias estão sendo fechadas e chega o dia de os partidos registrarem os candidatos que escolheram. Está a sorte lançada? Não! Os partidos apenas nos oferecem os candidatos; nós é que lançamos a nossa sorte nas urnas, em outubro. A Constituição chama isso de soberania popular, no artigo 14: “A soberania popular será exercida pelo sufrágio universal e pelo voto direto e secreto, com valor igual para todos”. Estamos nós, eleitores, preparados para exercer nossa soberania? As pesquisas, na manifestação espontânea, mostram que um em cada quatro, ou um em cada três brasileiros não está interessado na eleição que vai decidir seu futuro, o de sua família, de sua renda, de sua segurança, de sua saúde, do ensino de seus filhos, do tipo de representante a fazer leis e fiscalizar os demais poderes, do grau de justiça, enfim, dos serviços que os servidores do público, com ou sem mandato, irão prestar à nação soberana.
Já mostrei aqui que, se projetarmos para este ano os números da eleição geral de 2022, 40 milhões de brasileiros aptos a votar estarão deixando para os outros 118 milhões a decisão sobre o futuro de todos. Apelo especialmente a meus companheiros idosos, com mais de 70 anos, idade em que o voto passa ser facultativo. Participem das decisões de seu futuro; não desistam. Somos quase 20 milhões e somos a camada mais experiente do eleitorado brasileiro. Em qualquer comunidade bem formada e sábia, somos os sêniores, os que mais testemunharam os erros e acertos da política e da vida. Os eleitores mais jovens têm ainda mais razões para votar, pois ainda têm muitos anos pela frente, muitos planos que dependem dos caminhos do Estado brasileiro; muitos sonhos que podem virar pesadelo.
Os eleitores mais jovens têm ainda mais razões para votar, pois ainda têm muitos anos pela frente, muitos planos que dependem dos caminhos do Estado brasileiro
O ano que vem, por exemplo, está perdido, seja qual for o eleito. O Estado brasileiro deve mais de R$ 10 trilhões e paga juros fantásticos de R$ 1 trilhão por ano, o que, por sua vez, impede que os juros baixem, porque é o governo que paga juros altos para tomar mais empréstimo, já que gasta demais, muito além do que arrecada, e já não pode arrecadar mais, porque ninguém mais aguenta tanto imposto. Ou a pessoa passa a sonegar, ou reduz a produção para pagar menos imposto, ou se muda para o Paraguai. Quem quiser corrigir isso com austeridade fiscal, cortes, privatizações, redução do tamanho do Estado, se souber fazer, vai aliviar o país só no segundo semestre de 2028. Por isso, cada candidato a presidente da República precisa desde já informar o que vai fazer e com quem na equipe ministerial.
E é bom saber que um presidente nada faz se estiver só. Jânio Quadros me disse que renunciou porque sentiu que não poderia governar apenas com seus eleitores. O presidente depende do Congresso e dos governadores, pois a república brasileira é federativa, pelo menos teoricamente. Assim, não basta eleger o presidente; é preciso escolher bem os dois senadores e o deputado federal. E temos também de fazer a melhor escolha local, que vai afetar o lugar onde moramos e onde ganhamos a renda que interessa. Jamais esqueçamos de que somos soberanos, ainda que a ministra Cármen Lúcia se queixe de que somos “213 milhões de pequenos tiranos soberanos”. Ela e todos os integrantes do Estado são servidores do público. Os que nós vamos eleger serão nossos mandatários – e nós, os mandantes.
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Conteúdo editado por: Marcio Antonio Campos
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