A economista Daniella Marques, responsável pela formulação da proposta econômica da pré-campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República, afirmou que o plano prevê um corte de gastos equivalente a 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB), além da revisão do arcabouço fiscal e da redução da estrutura administrativa da União.
Em entrevista àGloboNews nesta segunda-feira (3), Daniella afirmou que a primeira etapa para reorganizar as contas públicas é recuperar a confiança dos agentes econômicos.
“O Brasil precisa, antes de qualquer corte, recuperar a credibilidade”, disse.
Segundo ela, o programa econômico está dividido em quatro frentes:
- a criação de um Conselho Superior de Governança Fiscal;
- a revisão do atual arcabouço fiscal para controlar a trajetória da dívida pública em relação ao PIB;
- um corte de despesas equivalente a 1,5% do PIB — cerca de R$ 190 bilhões, considerando o resultado de 2025 —; e
- um “choque de gestão”, com redução e modernização da estrutura administrativa.
Medidas para reduzir despesas
Para alcançar a meta de ajuste, Daniella citou a securitização da dívida ativa da União, a criação de um fundo imobiliário para exploração econômica de imóveis públicos, a antecipação de receitas de royalties, a revisão das estatais dependentes do Tesouro e a ampliação de concessões e parcerias público-privadas (PPPs).
Segundo a economista, a securitização — operação que permite antecipar recursos de dívidas que o governo tem a receber — poderia gerar entre R$ 200 bilhões e R$ 400 bilhões.
Ela também defendeu a utilização de parte dos mais de 700 mil imóveis pertencentes à União como fonte de receitas.
“A gente vai fazer um fundo imobiliário para conseguir monetizar parte desses ativos”, afirmou. “Por fim, fortalecer a segurança jurídica e encurtar caminhos com um amplo programa de concessões e parcerias público-privadas.”
Ao defender uma revisão das empresas públicas, Daniella mencionou os Correios, que registraram prejuízo de R$ 8,5 bilhões em 2025, segundo balanço divulgado pela própria estatal.
Apesar de apresentar as principais linhas do programa, a economista não detalhou quanto cada medida contribuiria para atingir a meta de corte de 1,5% do PIB nem quais despesas permanentes o governo reduziria.
Cotada para vice
Daniella Marques presidiu a Caixa Econômica Federal entre 2022 e 2023. Antes disso, foi secretária especial de Produtividade, Emprego e Competitividade do Ministério da Economia durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
O nome da economista é cotado para ocupar a vaga de vice na chapa de Flávio Bolsonaro.
Questionada sobre a possibilidade, Daniella afirmou que considera “uma honra” ter o nome lembrado, mas disse que a definição ainda cabe ao senador.
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