Estudantes que abrem uma conta em redes sociais no início da adolescência parecem obter piores resultados em determinadas provas de língua e matemática, sugere um estudo realizado com 5.227 alunos italianos.
A pesquisa, publicada na revista científica “Nature Human Behaviour”, é observacional, o que significa que não estabelece uma relação direta de causa e efeito. Ainda assim, levanta a hipótese de que as diferenças possam ser atribuídas ao uso excessivo das redes sociais e às distrações que isso provoca na atenção dos estudantes.
A equipe liderada por pesquisadores da Universidade de Milão-Bicocca analisou dados de uma pesquisa sobre hábitos de uso de redes sociais, como Facebook, Instagram e TikTok, coletados entre 2023 e 2024, juntamente com os resultados de provas padronizadas de língua italiana, inglês e matemática de alunos do norte da Itália.
As crianças que abriram uma conta nas redes entre os 11 e 12 anos, em comparação com aquelas que só o fizeram a partir dos 14 anos, obtiveram notas mais baixas em italiano e matemática nas avaliações do Instituto Nacional para a Avaliação do Sistema de Educação e Formação da Itália. Segundo o estudo, aos 15 e 16 anos essa diferença de desempenho equivale a cerca de seis meses de escolarização.
Esses resultados se referem apenas às provas de língua e matemática. No caso do inglês, os pesquisadores não encontraram indícios de diferenças nas notas.
A análise indica que os alunos que declararam consultar o celular com maior frequência tinham maior probabilidade de ter criado uma conta em redes sociais mais cedo e também tendiam a obter notas mais baixas em italiano e matemática entre os 15 e 16 anos.
Além disso, esses estudantes tinham menor probabilidade de contar com supervisão dos pais no uso das redes sociais, destaca a revista.
Embora se trate de um estudo observacional, os autores afirmam que ele fornece evidências robustas de que o uso precoce das redes sociais está associado a um efeito negativo sobre o desempenho em italiano e matemática na população analisada.
No entanto, os pesquisadores fazem uma ressalva: “Dada a sensibilidade do tema e o debate intenso e polarizado que surgiu nos últimos anos, esses resultados devem ser interpretados com o máximo cuidado e responsabilidade”.
No Brasil, uso de redes sociais por jovens de até 12 anos chega a 79%
No Brasil, a pesquisa TIC Kids Online Brasil 2025, feita em 2025 pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil com jovens de 9 a 17 anos, mostrou que 85% dos entrevistados possuíam perfil próprio em pelo menos uma das plataformas digitais investigadas. A pesquisa entrevistou presencialmente 2.370 crianças e adolescentes na faixa etária mencionada, além de seus pais ou responsáveis, em todas as regiões do país, entre março e setembro de 2025.
A proporção de uso é de 64% entre as crianças de 9 e 10 anos e chega a 79% na faixa dos 11 e 12 anos – justamente a faixa etária em que, segundo o estudo italiano, a abertura de uma conta apareceu associada a um desempenho posterior mais baixo em língua e matemática.
Entre os brasileiros de 13 e 14 anos, 91% já tinham perfil em alguma plataforma; dos 15 aos 17 anos, o índice alcançava 99%.
Segundo a mesma pesquisa, o celular era o principal meio de acesso à internet para 96% da população brasileira de 9 a 17 anos e era utilizado várias vezes ao dia por 74% dos entrevistados. WhatsApp, YouTube, Instagram e TikTok estavam entre as plataformas acessadas com maior frequência.
VEJA TAMBÉM:


