A estratégia digital do PT em São Paulo, maior colégio eleitoral do país, está centralizada em uma estreante na política: Natália Boulos (PSOL), que concorre pela primeira vez a um cargo eletivo ao disputar uma vaga de deputada federal. Sob o comando dela estão grupos de WhatsApp como “Porta-vozes do Lula” e “Nat Boulos com Lula”.
O sobrenome não deixa dúvidas: ela é casada com o deputado federal de São Paulo pelo PSOL e ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos. Ao lado do ex-ministro da Fazenda e pré-candidato ao governo do estado, Fernando Haddad, Boulos é a principal liderança da esquerda paulista.
Apesar do sobrenome, Natália é pouco conhecida pelo grande público, ainda que atue como advogada e militante de movimentos de esquerda. Agora, assim como o PT baseia sua estratégia nacional em mobilizar apoiadores em torno da figura de Lula, cabe à psolista organizar a frente esquerdista em São Paulo.
A parceria partidária no estado não é novidade: na última disputa municipal em São Paulo, em 2024, PT e PSOL coligaram em chapa com Guilherme Boulos e Marta Suplicy (PT) como vice — eles perderam o pleito para o prefeito Ricardo Nunes (MDB).
VEJA TAMBÉM:
Na prática, “Nat Boulos com Lula” é divisão regional do “Porta-vozes do Lula”
A estratégia digital em São Paulo nasceu a partir do grupo “Porta-vozes do Lula”. O grupo convida os integrantes a postar e se engajar em temas como o fim da escala 6×1 e o “tariflávio”, termo criado pelo grupo e que atribui ao pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL) a responsabilidade pela taxação norte-americana sobre produtos brasileiros — embora o próprio senador tenha se posicionado publicamente contra a medida.
Também são abertos espaços de enquete para identificar qual pauta política mais preocupa os participantes. Na primeira postagem do grupo, foi enviado um áudio de Natália Boulos, em tom informal e de proximidade com os integrantes: “Oi gente, tudo bem? Nat Boulos aqui. Olha, o momento que a gente vive está exigindo o máximo de união e mobilização, a nossa missão aqui é muito clara: nós temos um compromisso para a defesa da candidatura do presidente Lula, com combate à extrema direita, às mentiras e ao ódio.”
Em nota, a assessoria de imprensa de Natália Boulos informou que o grupo é uma iniciativa dela “em apoio à pré-candidatura do presidente Lula à reeleição, que é recorrentemente vítima de fake news e ataques bolsonaristas nas redes sociais”. Afirmou ainda que “o grupo tem o objetivo de desmascarar mentiras em um momento de extrema importância para o futuro brasileiro”.
VEJA TAMBÉM:
Especialista aponta diferenças entre estratégia eleitoral da esquerda e da direita
Felipe Alves, sócio da Idealis Comunicação, consultoria de marketing político que tem clientes como o partido Republicanos, ressalta que o movimento da esquerda de trabalhar com a militância digital vem de uma estratégia unificada e nacional. A figura do presidente Lula é o eixo central, com o ex-presidente Jair Bolsonaro como contraponto.
“A militância digital está organizada e com material de alta qualidade em produção disponível 24 horas por dia, e de acordo com as bandeiras principais da esquerda”, diz ele. “São as pautas onde a esquerda está se apropriando digitalmente e ganha em velocidade pela produção em massa”, complementa.
Em comparação, avalia Alves, a direita está desorganizada digitalmente, “com nomes divididos, brigas internas e o tempo dedicado a apagar incêndio e indefinições, como a que envolve o nome que ocupará o cargo de vice do pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL)”. O especialista afirmou ainda que a direita precisa voltar a ter uma fala só e um comando central, que era Jair Bolsonaro (PL). “Com Bolsonaro impedido de falar, a direita perde a maior voz e liderança pelo menos até o momento atual”, disse ele.
“Os rachas internos dificultam uma comunicação padronizada e uniforme e, enquanto isso, a esquerda fortalece o discurso anti-bolsonarismo e navega em pautas populares como a escala 6×1”, complementou.
VEJA TAMBÉM:


