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Demissão, críticas e boicote: projeto da Fifa com família do genro de Trump gera crise no futebol mundial

Os presidentes da Fifa, Gianni Infantino, e dos Estados Unidos, Donald Trump, durante a comemoração do título mundial da Espanha em Nova Jersey, no último dia 19 (Foto: CHRISTOPHER NEUNDORF/EFE/EPA)

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Um projeto da Fifa de criar uma empresa de US$ 20 bilhões para administrar a Copa do Mundo e outros torneios internacionais com investidores privados, incluindo a família de um genro do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está sendo alvo de grande rejeição no mundo do futebol.

A federação mundial está trabalhando com o banco J.P. Morgan nesse plano e entre os investidores pretendidos está a holding Thrive Eternal, de Joshua Kushner, cujo irmão, Jared Kushner, é genro de Trump.

A subsidiária comercial, que se chamaria Fifa Forward Enterprise (FFE), ajudaria a administrar competições como a Copa do Mundo e o Mundial de Clubes.

A federação afirmou em um comunicado na terça-feira (28) que a FFE levantaria até US$ 4,2 bilhões este ano para ajudar a financiar programas de desenvolvimento “com base em uma avaliação inicial de US$ 20 bilhões, selecionando cuidadosamente investidores de longo prazo que adquirirão participações minoritárias e não controladoras”.

Na quinta-feira (30), depois de ter afirmado em comunicado dias antes que a Copa do Mundo e outras competições mundiais não pertencem à Fifa “para serem vendidas” e que “nenhum de nós é dono do futebol”, a Uefa, a confederação europeia, anunciou que suas federações nacionais não participarão das competições da Fifa.

A Confederação das Associações de Futebol da América do Norte, Central e Caribe (Concacaf) e a Confederação Asiática de Futebol (AFC) também manifestaram rejeição à criação da FFE.

Nesta sexta-feira (31), Carlos Cordeiro, assessor da Fifa e braço direito do presidente da federação, Gianni Infantino, anunciou a renúncia ao cargo por discordar da proposta.

“Não posso ficar de braços cruzados enquanto a Fifa cogita vender uma participação na Copa do Mundo. Quero deixar claro que não tive nada a ver com essa proposta e que me oponho a ela de forma inequívoca. É um acordo ruim para as federações que integram a Fifa, um acordo ruim para o futebol e um acordo ruim para o futuro a longo prazo desse esporte”, disse o dirigente em comunicado divulgado em suas redes sociais.

Até mesmo governos estão dando palpites sobre a questão. Segundo informações da agência EFE, o novo primeiro-ministro do Reino Unido, Andy Burnham, chamou a ideia de “proposta indecente”.

“A ideia de que isso pudesse sequer ser considerado demonstra, em minha opinião, que ele [Infantino] é a pessoa errada para dirigir a organização”, disse o trabalhista.

Em comunicado nesta sexta-feira, a Fifa disse que “ninguém está vendendo o futebol” e que “isso é algo que a Fifa jamais consideraria”.

“Nosso processo de consulta planejado foi interrompido por notícias incorretas na mídia. Prosseguiremos com este processo de consulta para garantir que cada associação membro tenha a oportunidade de expressar seu voto com base em fatos”, acrescentou a federação.

O plano precisa ser aprovado pelas federações de futebol filiadas à Fifa, que tem status jurídico de organização sem fins lucrativos.

A federação afirmou que, sem o apoio das 211 associações filiadas à entidade, “as atividades comerciais da Fifa permaneceriam inalteradas” e “a FFE não seria criada”.

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