(Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado)
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Se o Brasil fosse um grande confessionário, estaria faltando espaço. Se o Brasil fosse um grande divã, ainda seria necessário um beliche. A dívida de sinceridade anda grande por aqui. Mas nem tudo está perdido.
Uma parte bastante influente da sociedade resolveu fazer uma aposta arriscada nos últimos anos. De olho numa construção política artificial, gente bastante esclarecida decidiu participar de um banho de loja no petismo. Lula ressurgiu do cárcere da Lava Jato como o grande emblema da democracia brasileira.
O esforço para a construção dessa miragem foi tão bem-sucedido (!) que a coreografia nem pegou tão mal assim. A bolha gigante absorveu o vexame. Imprensa, universidade, cultura, business — foi um formidável aparato institucional ecoando a mesma fábula (rendeu até Oscar). A impostura foi suficientemente acolchoada na sociedade para mitigar o constrangimento dos envolvidos.
Quanto tempo pode durar uma lenda? Depende. A de Daniel Ortega já se aproxima de meio século. Mas o divã da Nicarágua é menor que o nosso. E as longas páginas do PT no poder são gritantes demais para que um banho de loja as enxágue plenamente. Mesmo desconsiderando o capítulo da corrupção, há passagens das quais nenhuma lavagem poderá remover o encardido.
As gestões econômicas do PT não são diversas nem plurais. Todas têm a mesma marca
É um partido que, com Lula ou sem Lula no leme, pratica expansão de gastos públicos e incremento tributário — na contramão do que, ainda no século passado, se consagrou como princípio essencial para a saúde econômica e o crescimento: o rigor fiscal.
O projeto presidencial do PT, em 2022, não tinha nenhum sinal que indicasse uma guinada no que sempre praticou. E recebeu o apoio de vários economistas importantes do período do Plano Real — justamente quando se consagrou, no Brasil, o princípio da responsabilidade fiscal. Agora, um desses mestres, Armínio Fraga, faz uma crítica contundente à condução macroeconômica do governo Lula — em quem não apenas votou, mas para quem também recomendou publicamente o voto.
“A situação fiscal é bastante grave. Embora o governo tenha criado o arcabouço fiscal, chutou o pau da barraca logo de cara, e os resultados estão aí, na forma de juros altos”, disse Armínio à revista Veja. “Não descarto uma recessão em 2027”, acrescentou o ex-presidente do Banco Central, contando que tem recomendado aos seus clientes que não contraiam dívidas.
Se, em 2022, Armínio tivesse dado uma rápida consultada em sua bola de cristal, estaria tudo lá. Mas, na época, ele preferiu dizer que entrevistou Lula por telepatia e obteve do candidato as melhores garantias de uma conduta econômica responsável. De qualquer forma, menos importante do que entrevistar Armínio por telepatia para entender sua lógica quatro anos atrás é reconhecer a importância do que está dizendo agora.
Que outros economistas consagrados também se animem a deitar no divã do Brasil e abrir o jogo para os brasileiros sobre o que está em jogo nesta eleição.
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