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Michelle diz que perdoa, mas será que esquece?

Michelle Bolsonaro envia um vídeo em apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro, exibido durante a Convenção Nacional do PL, realizada no último sábado (25). (Foto: Reprodução/Youtube/Partido Liberal)

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Michelle Bolsonaro venceu. Esse é o saldo da discórdia pública entre ela e seu enteado, Flávio Bolsonaro. Desde a divulgação do vídeo em que apareceu reclamando por ter sido maltratada por ele, Michelle protagonizou um movimento de divisão que não afetou apenas o PL, mas o bolsonarismo como um todo. Precipitou uma crise que, internamente, já existia, mas que, com a manifestação pública, ganhou holofotes. O resultado prático foi o enfraquecimento de Flávio junto ao eleitorado feminino, especialmente ao eleitorado feminino evangélico, que tem em Michelle um símbolo de liderança.

É importante lembrar que a primeira reação de Flávio ao vídeo de Michelle foi em tom de menoscabo. “O que está em jogo no Brasil está muito acima de qualquer vaidade”, disse usando uma camisa da seleção. “Hoje é dia de jogo, nada nem ninguém me aborrece”, completou. Não pegou bem. A coisa só piorou com as declarações do influenciador Paulo Figueiredo, que, além de ressaltar as críticas a Michelle, também fez considerações sobre a qualidade do voto feminino.

Sangrando nas pesquisas, isolado partidariamente, sem ninguém relevante para formar chapa presidencial e com o caso Master mordendo seus calcanhares, Flávio teve de vir a público para, depois de quase um mês, finalmente pedir desculpas. “O momento é difícil para todo mundo. Ninguém é perfeito, eu não sou perfeito e, mais uma vez, peço desculpas por alguns momentos que causaram desconforto. Como somos pessoas públicas, isso acaba sendo explorado pelos nossos opositores”, afirmou.

Michelle, que havia se afastado do PL Mulher e especulava nem concorrer ao Senado, não demorou em postar uma resposta. E o fez num tom de indulgência calculada. Rápida o suficiente para parecer sincera e disposta ao diálogo, mas firme o suficiente para não parecer amável. “Recebi suas palavras com muita paz”, começou. “Todos nós cometemos erros, isso é humano, e o seu gesto de vir a público para pedir desculpas tem muito valor e poucos homens teriam coragem de fazer isso”, completou.

O perdão é um dos mais nobres atos cristãos. Mas ele precisa ser sincero. Tão sincero quanto o pedido de desculpas. Michelle afirma ter perdoado. Mas será que ela consegue esquecer? E será que, mesmo desculpando, ela vai se engajar na candidatura de Flávio tanto quanto se poderia supor que o fizesse se não tivesse sido alvo de uma verdadeira caçada ideológica?

Ficou evidente, no transcurso dos acontecimentos, que era Flávio quem precisava de Michelle, e não o contrário

Afinal, o presidenciável é ele, e não ela. Era ele que, enquanto lidava com uma divisão profunda, precisava aglutinar, somar e ampliar o escopo de apoios. Michelle pode construir seu nome de forma independente do dele. Se agora ou em 2030, pouco importa. E ela sabe muito bem disso.

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