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Lula diz que “quem se meter nas eleições vai apanhar muito”

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez uma crítica indireta, mas claramente direcionada ao governo de Donald Trump.

Durante discurso em evento que oficializou Fernando Haddad candidato ao governo de São Paulo, o chefe do Executivo afirmou que o Brasil deseja manter relações com todos os países, mas rechaçou interferências no processo eleitoral brasileiro.

Lula afirmou que “não gosta de fazer bravata” e disparou:

“Quem de fora quiser se meter nas eleições brasileiras vai apanhar muito aqui nas eleições. Quem vai decidir o destino desse país são 157 milhões de eleitores. Quem vai decidir o destino de São Paulo são os eleitores de São Paulo. Por isso, o aviso está dado”.

A fala é praticamente uma resposta a uma suposta missão norte-americana que viria ao Brasil para investigar integridade e a transparência do sistema eleitoral brasileiro. Para impedir a ação, inclusive, governo brasileiro teria barrado a entrada de dois altos funcionários do Departamento de Estado dos Estados Unidos. 

Lula disse, contudo, que o país prioriza a cooperação pacífica, mas não quer “futrica”:  “O Brasil é soberano, quer manter relações com todos os países do mundo. O Brasil não quer guerra. O Brasil não quer fazer futrica”.

Negativa de vistos a diplomatas norte-americanos

A declaração do presidente ocorre em meio a tensões diplomáticas e nos bastidores políticos. Na última sexta-feira (24), o Itamaraty negou os pedidos de visto solicitados por dois diplomatas do Departamento de Estado dos Estados Unidos: Riley M. Barnes, secretário-assistente, e Samuel Samson, subsecretário-assistente.

A decisão do governo brasileiro foi tomada antes mesmo da repercussão de uma reportagem publicada pelo jornal norte-americano The Washington Post. No caso, os dois diplomatas estariam ligados a uma estratégia do governo de Donald Trump para supostamente monitorar e produzir relatórios focados em questionar a integridade, a lisura e a confiabilidade do sistema de votação e das urnas eletrônicas no Brasil.

Seria uma tentativa de ingerência indevida e de instrumentalização política do processo eleitoral brasileiro, o que teria motivado o veto imediato à entrada dos emissários estrangeiros em solo nacional.

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