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Forte eleitora de Lula, região Nordeste lidera ranking de cidades mais violentas

O 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado nesta quinta-feira (23) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), mostra que as dez cidades brasileiras com mais de 100 mil habitantes e as maiores taxas de Mortes Violentas Intencionais (MVI) estão localizadas na região Nordeste. O levantamento aponta que Bahia, Ceará, Pernambuco e Paraíba concentram todos os municípios que lideram o ranking nacional.

O ranking é liderado por Maranguape (CE), seguida por Eunápolis (BA), Maracanaú (CE), Porto Seguro (BA), Simões Filho (BA), Jequié (BA), Caucaia (CE), Cabo de Santo Agostinho (PE), Santa Rita (PB) e Juazeiro (BA). Sozinha, a Bahia reúne cinco dos dez municípios mais violentos do país, enquanto o Ceará aparece com três cidades. Pernambuco e Paraíba completam a lista com um município cada.

“Houve um fenômeno de migração das organizações criminosas, principalmente do Sudeste, como o Comando Vermelho (RJ) e PCC (SP), para o Norte e o Nordeste dominando e competindo por rotas do tráfico. […] Os portos do Nordeste passaram a ser um importante meio de logística para essas organizações criminosas levarem a cocaína para a Europa e para a América do Norte”, disse o secretário nacional de Segurança Pública, Chico Lucas, em entrevista à GloboNews.

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O estudo considera como Mortes Violentas Intencionais a somatória de homicídios dolosos, feminicídios, latrocínios, lesões corporais seguidas de morte e mortes decorrentes de intervenção policial. Apesar de o Brasil ter registrado queda de 8,2% nas mortes violentas em relação ao ano anterior, a taxa do Nordeste permaneceu significativamente acima da média nacional, demonstrando que a redução observada no país não ocorreu de forma homogênea entre as regiões.

Veja, abaixo, os dados do ranking das cidades mais violentas do país pela taxa de mortes violentas por 100 mil habitantes:

  • 1º – Maranguape (CE): 100,3;
  • 2º – Eunápolis (BA): 85,1;
  • 3º – Maracanaú (CE): 80,7;
  • 4º – Porto Seguro (BA): 71,2;
  • 5º – Simões Filho (BA): 68,1;
  • 6º – Jequié (BA): 67,4;
  • 7º – Caucaia (CE): 66,6;
  • 8º – Cabo de Santo Agostinho (PE): 65,1;
  • 9º – Santa Rita (PB): 60,9;
  • 10º – Juazeiro (BA): 55,8.

“Essa disputa que foi instalada nesses estados fez com que esses índices crescessem. Lógico que há outros fatores que precisa combater. Mas, o principal é a disputa pelo domínio territorial nos estados, principalmente no Ceará e na Bahia por conta dessas rotas que são utilizadas para o escoamento da cocaína que vem dos países andinos para outros países”, completou.

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Chico Lucas ressaltou que a intensificação dessas rotas pelos estados do Norte e Nordeste ocorreu por conta da intensificação do policiamento e da fiscalização do que ele chamou de “Rota Caipira”, que a droga produzida nos países andinos passava pelos estados do Paraná e Mato Grosso do Sul para ser escoada pelos portos de Santos e do Rio de Janeiro.

Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, municípios próximos a grandes rodovias, áreas metropolitanas, portos e corredores logísticos tornaram-se pontos de interesse dessas organizações, intensificando confrontos armados e elevando os índices de homicídios. Em relação aos estados, o Amapá concentra 42,5 homicídios para cada grupo de 100 mil habitantes, seguido pela Bahia (36,8), Ceará (34,7) Alagoas (33,1) e Pernambuco (33).

Entre as cidades tomadas pelas facções, o relatório cita a importância estratégica da região de Cabo de Santo Agostinho, próxima ao Porto de Suape, como uma das rotas utilizadas pelo tráfico internacional de drogas. Embora permaneça entre as dez mais violentas, a cidade caiu da quinta para a oitava colocação após reduzir sua taxa de mortes violentas de 73,3 para 65,1 por 100 mil habitantes.

A nova edição do anuário também revela mudanças na composição do ranking em relação ao levantamento anterior. Entraram entre as dez mais violentas as cidades de Eunápolis (BA), Porto Seguro (BA) e Caucaia (CE), enquanto deixaram a lista Camaçari (BA), Feira de Santana (BA) e São Lourenço da Mata (PE).

Região é forte eleitora de Lula

Além da concentração dos indicadores de violência, os quatro estados presentes no ranking – Bahia, Ceará, Pernambuco e Paraíba – deram maioria de votos ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições de 2022, consolidando o Nordeste como sua principal base eleitoral. Os números ampliam a pressão sobre um dos temas mais sensíveis para o governo federal.

Embora a segurança pública seja uma responsabilidade compartilhada entre União, estados e municípios, com os governadores exercendo papel central na gestão das polícias, a percepção de insegurança tem sido a maior preocupação dos brasileiros e um dos maiores desafios políticos enfrentados por Lula em sua campanha à reeleição. Pesquisas divulgadas ao longo de 2026 mostram que a violência aparece entre os principais problemas do país e que a área de segurança pública está entre as piores avaliadas da gestão petista.

Para tentar reverter essa imagem mais negativa, o governo Lula tem afirmado que o enfrentamento ao crime organizado é uma das prioridades da gestão. Entre as principais iniciativas estão a PEC da Segurança Pública, que busca ampliar a integração entre União, estados e municípios – mas, que está parada no Senado – e fortalecer o Sistema Único de Segurança Pública (Susp), além da criação de novos mecanismos permanentes de financiamento para a área e do reforço da atuação das Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado (FICOs).

Em maio deste ano, o Palácio do Planalto também lançou o programa Brasil Contra o Crime Organizado, com foco na asfixia financeira das facções, no combate ao tráfico de armas, no aperfeiçoamento da investigação de homicídios e no fortalecimento do sistema penitenciário. O presidente Lula ainda anunciou que pretende criar um Ministério da Segurança Pública após a conclusão da tramitação da PEC no Senado, argumentando que a medida permitirá ampliar a coordenação nacional das políticas de segurança.

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