Jamieson Lee Greer, de 45 anos, se tornou onipresente no noticiário brasileiro desde a semana passada, quando o órgão que ele comanda, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês), confirmou a imposição de uma tarifa de 25% sobre grande parte das importações do Brasil, sob a alegação de práticas comerciais injustas. A sobretaxa entrou em vigor nesta quarta-feira (22).
Greer cresceu em Paradise, na Califórnia, o quarto entre cinco irmãos. Começou a trabalhar cedo, no McDonald’s e lavando pratos em outros restaurantes.
“Cresci em uma família de recursos muito limitados nas montanhas do norte da Califórnia. Nossa família morava em uma casa móvel, e meus pais frequentemente acumulavam vários empregos para ajudar a fechar as contas”, disse Greer na sua audiência de confirmação no Senado americano, em fevereiro de 2025.
“Tenho plena consciência das dificuldades que os americanos enfrentam quando são deixados de fora do crescimento econômico, e o comércio desempenha um papel nessas preocupações”, acrescentou.
Ele cursou estudos internacionais na Brigham Young University, em Utah, onde atuou como missionário mórmon, o que o levou a viajar para a Bélgica, a França e Luxemburgo, onde conversava com os moradores locais e refugiados do Kosovo e de Ruanda — o que, segundo uma entrevista que concedeu ao The New York Times, ampliou seu olhar sobre a área de relações internacionais.
Greer fez mestrado em direito empresarial global na Sciences Po e na Universidade Paris 1 Panthéon-Sorbonne, na França, e doutorado na Faculdade de Direito da Universidade da Virgínia.
Ele serviu nas forças armadas americanas entre 2003 e 2012, no Corpo de Advogados-Gerais da Força Aérea dos Estados Unidos, e atuou no Iraque.
A partir de 2012, Greer trabalhou na área de direito comercial internacional em escritórios de advocacia, onde um dos seus chefes foi Robert Lighthizer, que se tornaria representante comercial dos Estados Unidos na primeira gestão de Donald Trump (2017-2021).
Greer defendeu empresas americanas, como a gigante do aço U.S. Steel, em casos envolvendo disputas comerciais.
Quando Lighthizer chegou à Casa Branca, chamou Greer para ser seu chefe de gabinete. Nos quatro anos da gestão Joe Biden, ele voltou a atuar em escritórios de advocacia.
No final de 2024, após a vitória eleitoral de Trump sobre a democrata Kamala Harris, o empresário nova-iorquino chamou Greer para ser o novo representante comercial dos Estados Unidos.
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Descrito por amigos como uma pessoa calma e que não costuma levantar a voz, Greer é casado com Marlo Marie, que conheceu na Brigham Young University, e pai de cinco filhos.
No segundo mandato de Trump, ele ganhou ainda mais importância após uma decisão de fevereiro deste ano da Suprema Corte americana, que derrubou as tarifas sobre importações de 184 países e territórios e da União Europeia que haviam sido impostas no chamado Dia da Libertação, em 2 de abril de 2025.
O Supremo americano argumentou que a invocação da Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (Ieepa) por Trump para justificar essas taxas foi irregular. Após essa decisão, o presidente americano impôs uma tarifa global temporária de 10%, que expira na sexta-feira (24).
Desde a decisão da Suprema Corte, Greer vem buscando outros mecanismos legais para implementar tarifas a outros países – como uma sobretaxa de até 12,5% ao Brasil e outras 59 nações, alegando falhas no combate à importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado. Uma decisão final sobre a aplicação dessa tarifa ainda não foi anunciada.
“Este [tarifas] ainda é o programa do presidente. Ainda é a política dele. É algo sobre o qual ele havia sido informado diversas vezes; portanto, não foi nenhuma surpresa para ele quando pude me apresentar e dizer: ‘É assim que vamos fazer agora’”, disse Greer em entrevista em maio ao site Politico.
Na mesma entrevista, o representante comercial dos Estados Unidos destacou como suas origens e seu perfil mais discreto o tornam diferente dentro da gestão Trump.
“Você olha para esta gestão e — isso não é de forma alguma uma crítica — vê pessoas que são grandes empresários de Nova York e de outros lugares; vê pessoas que são estrelas da política e já ocuparam cargos eletivos”, disse Greer.
“Eu sou mais um técnico. Mas entendo a política do comércio, entendo as diretrizes comerciais e certos aspectos jurídicos da questão. Sei onde estão enterrados os esqueletos, sei quem vai reclamar do quê. E, o mais importante: sei o que o presidente quer”, afirmou o representante comercial americano.


