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Nós já fomos computados, mas quem define a eleição são os outros

Um terço dos eleitores não tem preferência ideológica; eles é que decidirão a eleição. (Foto: Imagem criada utilizando Google Flow/Gazeta do Povo)

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A cada nova pesquisa eleitoral, o debate público gira em torno dos mesmos números. Quem subiu um ponto. Quem caiu dois. Quem venceria este ou aquele adversário. Mas talvez o dado mais importante das pesquisas não esteja nas intenções de voto. Está em outro lugar.

A pesquisa Genial/Quaest trouxe uma informação que merece muito mais atenção do que recebeu. Segundo o levantamento, 12% dos brasileiros se declaram bolsonaristas. Outros 21% afirmam ser de direita, mas não bolsonaristas. No outro campo, 19% se identificam como lulistas e 13% como de esquerda, sem identificação com Lula. Há, porém, um grupo maior que todos os demais: 33% dos brasileiros se definem como independentes.

Os primeiros já foram computados. Quem tem uma identidade política consolidada já carrega consigo uma predisposição eleitoral relativamente conhecida. Evidentemente, nenhum eleitor é obrigado a votar em seu campo ideológico. Mas é justamente essa identidade que explica boa parte das intenções de voto registradas hoje. Os candidatos disputam, antes de tudo, a preservação de sua própria base.

Os 33% que se dizem independentes são os brasileiros cuja decisão permanece mais aberta. São eles que ainda podem alterar significativamente o resultado final da eleição

É por isso que, para Lula, reafirmar sua identidade de esquerda é fundamental para manter coeso o eleitorado que já o acompanha. Da mesma forma, para um candidato identificado com a direita, reforçar os valores desse campo é indispensável para conservar os votos que já estão sob sua influência.

Mas nenhuma eleição presidencial se vence apenas administrando o próprio patrimônio eleitoral. A verdadeira disputa começa quando termina a contabilidade das bases ideológicas.

Os 33% que se dizem independentes são os brasileiros cuja decisão permanece mais aberta. São eles que ainda podem alterar significativamente o resultado final da eleição. Em outras palavras, são os únicos que ainda não foram plenamente “computados” na fotografia política do país. E é interessante observar quais são suas prioridades.

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Quando perguntados sobre os principais problemas do Brasil, esses eleitores falam muito menos sobre embates ideológicos e muito mais sobre questões concretas da vida cotidiana: segurança pública, saúde, custo de vida e preço dos alimentos. São esses temas (e não os debates que dominam as redes sociais) que provavelmente decidirão a eleição presidencial.

Isso ajuda a compreender por que campanhas excessivamente voltadas para agradar apenas a própria militância costumam encontrar um teto. Elas mobilizam quem já estava convencido, mas pouco avançam sobre quem realmente decidirá a disputa.

A eleição de 2026 será vencida menos por quem conseguir entusiasmar sua própria torcida e mais por quem convencer aqueles que ainda não escolheram definitivamente um lado.

Campanhas excessivamente voltadas para agradar apenas a própria militância mobilizam quem já estava convencido, mas pouco avançam sobre quem realmente decidirá a disputa

O Brasil vive uma intensa polarização política. Mas, paradoxalmente, seu futuro continua dependendo justamente dos brasileiros que recusam a polarização como identidade. Não significa que haja espaço para a tal “terceira via”. Significa apenas que os independentes desempatarão o jogo entre os dois polos.

As pesquisas já computaram as convicções. Quem decidirá a eleição serão aqueles que ainda não entraram na conta.

Metodologia da pesquisa citada na coluna: A pesquisa Quaest entrevistou 2.004 pessoas entre 10 e 13 de julho. O levantamento foi contratado pelo Banco Genial S.A. A margem de erro é de 2 pontos porcentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. Registro no TSE n.º BR-07181/2026.

Conteúdo editado por: Marcio Antonio Campos

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