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As viagens eleitoreiras que Lula acelerou para não ser impedido pela legislação

Antes da proibição eleitoral, Lula intensificou viagens com inaugurações, anúncios e programas de forte apelo político; governo afirma que ações são institucionais, não eleitorais. (Foto: Ricardo Stuckert/Presidência da República)

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A partir de 4 de julho, ficou vedada a participação de políticos — incluindo o presidente da República — em inaugurações de obras públicas. No entanto, o presidente Lula já havia percorrido o país inaugurando obras, realizando visitas e anunciando a liberação de recursos públicos, em uma agenda com evidente potencial de retorno eleitoral.

Em 3 de julho, por exemplo, o presidente participou da cerimônia de “Entregas Simultâneas” do Governo Federal nas áreas de moradia, saúde e educação, em Juazeiro do Norte (CE). No mesmo dia, anunciou a inauguração do túnel da transposição das águas do Rio São Francisco para o Rio Grande do Norte e esteve presente na entrega dos Lotes 4 e 5 da Ferrovia Transnordestina — uma obra que se arrasta há décadas e foi lançada por ele próprio no fim de seu segundo mandato, em 2006.

No dia 1º de julho, Lula visitou o canteiro de obras da Ponte Salvador–Ilha de Itaparica. Em 29 de junho, em Brasília, participou da cerimônia de anúncio de “Medidas de Incentivo à Adimplência”, outro tema com forte apelo eleitoral. Já em 23 de junho, esteve no anúncio da entrega de um trecho da Nova Serra das Araras e, no mesmo dia, lançou o programa “Celular Seguro”.

No dia anterior, anunciou a adesão do estado do Rio de Janeiro ao Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados. Em 27 de maio, havia comunicado a retomada de investimentos da Petrobras no Amazonas.

Minha Casa Minha Vida e combate ao crime

Em 14 de maio, em Salvador, foi anunciada a entrega de unidades habitacionais do Residencial Verdes Horizontes I e II, dentro do programa Minha Casa Minha Vida. Em 12 de maio, em Brasília, ocorreu a cerimônia de lançamento do programa “Brasil Contra o Crime Organizado”, iniciativa que chegou a ser elogiada pelo presidente Donald Trump.

Durante a cerimônia de entrega de novos trechos da Ferrovia Transnordestina, realizada em 2 de julho, em Quixeramobim, o presidente também dedicou parte de seu discurso à defesa da educação e da autonomia das mulheres — parcela relevante de seu eleitorado. Ao falar ao público, afirmou que o acesso aos estudos e ao mercado de trabalho é fundamental para garantir independência financeira e liberdade de escolha: “As mulheres têm que estudar e trabalhar”, declarou.

Linha de crédito aos taxistas

Em 19 de maio, ocorreu a cerimônia de lançamento do programa Move Aplicativos, uma linha de crédito voltada a motoristas de aplicativo e taxistas — categoria com forte presença nas ruas e contato direto com a população. No dia anterior, foi lançada a pedra fundamental do edifício do projeto Arandus. A tática é conhecida: quando não há obra para inaugurar, realiza-se o lançamento simbólico.

Em suas viagens pelo país, Lula também recorreu a temas históricos e sensíveis do Nordeste. Na cerimônia de inauguração do Túnel Major Sales, no município de Luís Gomes (RN), destacou o impacto social da obra: “O sonho de quem migrava para o Sul era poder um dia voltar à sua terra natal. Para isso, era preciso ter condições, e uma delas era a água. A água chegou”, afirmou.

Em outro momento, declarou que o Nordeste foi historicamente negligenciado por governos anteriores e classificou a transposição do Rio São Francisco como “a obra hídrica mais importante feita no mundo hoje”. Também afirmou: “A seca é um fenômeno da natureza, mas a fome decorrente da seca não é natural — é resultado de irresponsabilidade”.

Resposta da presidência

Em nota, a Secretaria de Comunicação (Secom) afirmou que as agendas realizadas ao longo do ano são compatíveis com as atribuições constitucionais do presidente, integrando o dever institucional de acompanhar, fiscalizar e dar transparência às políticas públicas do Governo Federal. O órgão também destacou que o lançamento dessas ações envolve processos de maturação técnica, diálogo institucional e construção coletiva, respondendo a demandas econômicas e sociais do país, e que as entregas anunciadas em 2026 decorrem de políticas estruturadas ao longo dos últimos anos, não devendo ser interpretadas como iniciativas isoladas de caráter eleitoral.

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