O senador Jaques Wagner (PT-BA) tentou vender um terreno avaliado em R$ 15,8 milhões um dia após ser alvo da 9ª fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal. A informação foi publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo neste sábado (18).
Apesar da tentativa de venda, a transferência da propriedade foi impedida pelo cartório de registro de imóveis após o recebimento de uma ordem de bloqueio de bens determinada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Ainda de acordo com a reportagem, Wagner também negociava a venda de um apartamento em Salvador por R$ 10 milhões. A transação havia sido protocolada em cartório uma semana antes da operação da PF, mas também foi bloqueada em razão da decisão judicial.
Apesar da indisponibilidade dos imóveis, o senador já teria recebido ao menos R$ 12 milhões referentes às negociações. A documentação obtida pelo Estadão indica que o pedido de registro da venda do terreno foi protocolado no 1.º Ofício de Registro de Imóveis de Camaçari, na Bahia, em 19 de junho, um dia após a operação da Polícia Federal.
Procurada, a defesa de Jaques Wagner afirmou que não há irregularidades nas negociações, mas não comentou os detalhes das operações imobiliárias.
“A defesa do senador Jaques Wagner esclarece que ele não se manifestará sobre condutas que não sejam sobre sua campanha eleitoral. Todos os demais assuntos estão e continuarão sendo tratados judicialmente. Todos os fatos apurados são públicos e com registros públicos. Não há mínima irregularidade e nem nada a esconder”, disse o advogado Pablo Domingues.
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A Operação Compliance Zero investiga suspeitas de pagamentos de vantagens indevidas a agentes públicos ligados ao Banco Master. No caso de Wagner, a Polícia Federal apura se o senador recebeu benefícios para atuar em favor dos interesses do empresário Daniel Vorcaro, controlador da instituição financeira.
Segundo a investigação, um apartamento de luxo em Salvador, avaliado em R$ 2,5 milhões e destinado à filha do senador, teria sido adquirido por uma empresa ligada a terceiros com recursos que, segundo a PF, tiveram origem em operações relacionadas ao Banco Master.
Após a operação da Polícia Federal, em junho, Jaques Wagner deixou a liderança do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Senado. O senador petista nega irregularidades, afirma que manteve apenas relações institucionais com os envolvidos e sustenta que não foi denunciado nem se tornou réu no caso.
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