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PT muda rota da campanha para testar força de Haddad no interior de São Paulo

O Partido dos Trabalhadores (PT) desenhou uma estratégia para tentar chegar ao segundo turno na disputa pelo governo do estado de São Paulo e garantir um lugar no palanque do maior colégio eleitoral do país, para a disputa nacional.

A mudança de rota busca investir no interior do estado de São Paulo, onde o eleitorado é historicamente mais favorável à direita e onde o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) larga com vantagem. Dessa forma, o PT marcou para 25 de julho, em Campinas (SP), a convenção estadual que vai oficializar a candidatura de Fernando Haddad (PT) ao governo de São Paulo.

É a primeira vez na história do partido que o evento acontecerá fora da capital paulista. A decisão de tirar a convenção da capital reforça uma estratégia que o PT vinha adotando: Haddad e a pré-candidata ao Senado Simone Tebet (PSB) têm feito viagens ao interior paulista, com apoio de cooperativas, universidades e sindicatos.

Em junho, visitaram uma cooperativa em Santa Bárbara d’Oeste e deram uma aula magna em Rio Claro, na Universidade Estadual Paulista (Unesp). Neste mês, estiveram em evento no Sindicato dos Trabalhadores Municipais de Piracicaba e Região.

Eles integram a mesma chapa anunciada pelo PT em 25 de junho: ao lado de Haddad, Márcio França (PSB) é o pré-candidato a vice-governador, enquanto Tebet e Marina Silva (Rede) disputam as duas vagas ao Senado, em uma coligação que reúne PT, PSB, Rede, PSOL, PDT e PCdoB.

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Pesquisas mostram desafio do PT no interior

Sondagem eleitoral mais recente sobre a disputa pelo governo estadual, do Instituto Datafolha, divulgada no último dia 5, mostra Tarcísio de Freitas com 46% das intenções de voto no cenário estimulado, contra 30% de Haddad — distância que sobe para 52% a 34% quando considerados apenas os votos válidos (excluindo brancos e nulos). Numa simulação de segundo turno, Tarcísio venceria por 53% a 37%.

Além do Datafolha, outra pesquisa reforça o cenário que motiva as investidas de Haddad e Tebet pelo interior. Levantamento do instituto Paraná Pesquisas, divulgado em 19 de junho, mostrou Tarcísio com 45,6% das intenções de voto no cenário estimulado de primeiro turno, contra 34,1% de Haddad — uma vantagem de 11,5 pontos percentuais.

  • Metodologia das pesquisas citadas:– 1.608 entrevistados em 71 municípios pelo Instituto Datafolha entre os dias 1º e 3 de junho de 2026. Margem de erro: 2 pontos percentuais para mais e para menos. Registro na Justiça Eleitoral sob os códigos SP-01703/2026 e BR-06481/2026.– 1.600 entrevistados pelo Paraná Pesquisas entre os dias 16 e 18 de junho de 2026. A pesquisa foi contratada pelo próprio instituto. Nível de confiança: 95%. Margem de erro: 2,5 pontos percentuais. Registro no TSE sob o nº SP-08639/2026.

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PT mira em ganhar fôlego para o segundo turno

A dificuldade de a esquerda vencer o apadrinhado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em cidades consideradas como mais conservadoras do estado de São Paulo não é nova. Em 2022, Tarcísio foi eleito com 55,27% dos votos válidos contra 44,73% de Haddad.

De acordo com dados da votação disponibilizadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Tarcísio venceu na maioria dos municípios do interior paulista, tanto no primeiro quanto no segundo turno, enquanto o candidato petista levou a capital e boa parte da região metropolitana.

Para o cientista político Leandro Consentino, professor do Insper, esse padrão de votação não é exclusividade de Tarcísio. Durante a hegemonia do PSDB no estado de São Paulo, que durou 28 anos, o partido tucano se beneficiou da mesma vantagem.

O Tarcísio está se valendo da mesma carta na manga que o PSDB: um interior do estado mais alinhado aos valores conservadores e, portanto, que tradicionalmente rejeita a esquerda”, diz Consentino.

“É um eleitor mais ligado ao agronegócio, a certos setores industriais e patronais, e que rejeita novas agendas da esquerda ligadas a questões identitárias e mudanças de costumes, além da pauta ligada aos sindicatos e à defesa dos trabalhadores”, complementa ele.

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Esquerda aposta em Tebet e Alckmin para atingir o eleitor de centro

A escolha por Simone Tebet para a disputa ao Senado por São Paulo é lida como parte da tentativa do PT de ampliar o alcance para além do eleitorado tradicional da esquerda, a exemplo do que ocorreu na última disputa presidencial. O objetivo é chegar também aos indecisos.

De acordo com a última sondagem do instituto Paraná Pesquisas, no cenário espontâneo (quando não são mostrados nomes de políticos previamente aos entrevistados), 58,3% não souberam dizer em quem votariam — padrão confirmado também pelo Datafolha, em que o número ficou em 55% dos entrevistados.

“A estratégia do PT é tentar isolar o Tarcísio à direita para buscar esse eleitor mais centrista. Em 2022, o partido acenou para o centro durante o período eleitoral e o apoio de Simone Tebet foi importante nesse sentido”, lembrou Leandro Consentino.

Em 2026, o movimento se repete, e Simone Tebet é um nome com diversos ativos que ajudam a chegar ao eleitor de centro: não está posicionada politicamente na esquerda tradicional e tem ligação com o agronegócio. Tebet permaneceu filiada ao MDB por quase 30 anos e, em março, deixou o partido para ingressar no PSB.

O convite partiu de Lula e do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), com o objetivo de disputar uma vaga ao Senado por São Paulo. Ela é casada com o deputado estadual Eduardo Rocha (MDB-MS), que chefiou a Secretaria da Casa Civil do governo de Eduardo Riedel (PP) até outubro de 2025, quando deixou o cargo para concorrer à reeleição na Assembleia Legislativa sul-mato-grossense. pai de Tebet, Ramez Tebet, foi uma figura histórica do MDB, governador e senador pelo Mato Grosso do Sul.

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Haddad critica gestão Tarcísio no interior de São Paulo

Em resposta à Gazeta do Povo, a assessoria de Fernando Haddad explicou por que a chapa está focada no interior de São Paulo e afirmou que, “além das viagens, há questões do interior do estado que merecem atenção”.

Entre elas, a campanha petista destacou a “a ausência de um plano de desenvolvimento para as regiões, o abandono dos prefeitos, os problemas da Sabesp [Companhia de Saneamento do Estado de São Paulo], do ‘Universaliza SP’ [programa da gestão Tarcísio voltado a serviços de água e esgoto em municípios não atendidos pela Sabesp] e da segurança pública, com a chegada do Comando Vermelho, além do aumento do crime organizado e do feminicídio”.

A assessoria de imprensa de Haddad complementou que, “por outro lado, o governo Lula bateu recorde com o Plano Safra, além de programas importantes para o agronegócio”. Procurada, a assessoria de imprensa de Simone Tebet não respondeu até a publicação desta reportagem, e o espaço permanece aberto.

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