O homem preso nesta quarta-feira (15) durante a Operação Hawala, no Rio de Janeiro, foi sancionado pelo Office of Foreign Assets Control (OFAC), órgão do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos responsável pela aplicação de sanções econômicas. Segundo a Polícia Civil do Rio de Janeiro, ele é suspeito de integrar uma estrutura de financiamento da organização terrorista Al Qaeda e foi identificado durante as investigações sobre um esquema de lavagem de dinheiro ligado a facções criminosas brasileiras.
De acordo com as apurações, a investigação revelou uma relação comercial entre uma empresa vinculada aos investigados e o homem sancionado pelo governo norte-americano. A Polícia Civil informou que esse vínculo será aprofundado a partir da análise das provas apreendidas durante a operação.
A investigação apontou a existência de uma estrutura que movimentou mais de R$ 100 milhões provenientes, principalmente, do tráfico de drogas. Segundo a investigação, o esquema prestava serviços financeiros ainda ao Terceiro Comando Puro (TCP) e ocultava recursos ligados ao Comando Vermelho (CV) e ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
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Os agentes encontraram indícios de atuação desse núcleo na Tríplice Fronteira entre Brasil, Paraguai e Argentina, região monitorada por autoridades nacionais e internacionais por suspeita de lavagem de dinheiro e financiamento do terrorismo. Conforme a investigação, essa estrutura teria contribuído para ampliar a circulação internacional dos valores sob apuração.
As investigações apontam que o grupo utilizava empresas de fachada, transferências entre pessoas jurídicas, depósitos fracionados em dinheiro e outras estratégias para ocultar a origem ilícita dos recursos. A polícia também identificou um núcleo de empresários de origem libanesa que, segundo os investigadores, ajudava a ampliar a circulação interestadual e internacional do dinheiro movimentado pela organização.
“Conseguimos identificar também algumas menções ao Hezbollah, e isso nos acendeu o alerta de que pode haver um envolvimento com organizações terroristas”, disse o delegado Pedro Brasil, da Delegacia de Defesa dos Serviços Delegados do Rio de Janeiro.
Ao todo, foram cumpridos dez mandados de prisão e 37 de busca e apreensão, bloqueio de ativos financeiros e indisponibilidade de bens. Entre os alvos estão três irmãos de origem libanesa que fariam a ligação entre os operadores do esquema e a organização terrorista.
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O que são os grupos citados pela investigação
A Al Qaeda é uma organização terrorista extremista de orientação islâmica sunita criada no fim da década de 1980 por Osama bin Laden. O grupo ganhou notoriedade mundial após assumir a autoria dos ataques de 11 de setembro de 2001, nos Estados Unidos, que deixaram quase três mil mortos, e hoje atua por meio de afiliados em diferentes regiões da África, do Oriente Médio e da Ásia.
Já o Hezbollah é um grupo político armado de orientação xiita com base no Líbano e apoiado pelo Irã. Além de participar da política libanesa, mantém uma poderosa estrutura militar e é classificado como organização terrorista por países como Estados Unidos, Reino Unido e outros governos, sendo acusado de realizar ataques contra interesses israelenses e ocidentais ao longo das últimas décadas.


