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Institutos criticam selo proposto pelo TSE para premiar pesquisas

A Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa (Abep) criticou a proposta do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, de criar um selo para premiar institutos cujas pesquisas apresentem maior proximidade com os resultados oficiais das eleições. 

Para a entidade, composta por institutos como Datafolha, Quaest, Ipsos e outros, exigir que um levantamento “acerte” o resultado da votação confunde ciência com previsão.

Em nota, a Abep afirmou que pesquisas eleitorais não têm como finalidade antecipar o resultado das urnas, mas medir a opinião do eleitorado em determinado momento da disputa. 

“Entre a entrevista e a votação, eleitores mudam de opinião, deixam de votar ou alteram seu comportamento. Exigir que uma pesquisa ‘acerte’ o resultado é confundir ciência com bola de cristal”, diz um trecho da nota. 

Entidade defende critérios técnicos

Segundo a associação, os critérios para avaliar a qualidade de um levantamento devem considerar a metodologia, o desenho amostral, a transparência, a execução da coleta de dados e o respeito às boas práticas científicas — e não apenas a diferença entre a pesquisa divulgada e o resultado final da eleição.

Segundo a entidade, a proposta pode gerar um incentivo “perverso”, uma vez que institutos sem o mesmo nível de “rigor metodológico” poderiam acompanhar os resultados divulgados por empresas de pesquisa mais consolidadas e ajustar suas projeções para se aproximar de um padrão considerado vencedor. 

A Abep avalia que, quando a busca pelo selo se torna o principal objetivo, o “incentivo deixa de ser produzir a melhor pesquisa e passa a ser publicar o número que maximize a chance de receber o prêmio”.  

“Reafirmamos nosso respeito ao Tribunal Superior Eleitoral e ao seu papel fundamental na garantia da lisura das eleições. Justamente por isso, entendemos que iniciativas dessa natureza precisam ser construídas em diálogo com a comunidade científica e com os institutos de pesquisa, para que não acabem estimulando práticas oportunistas e desvalorizando o rigor metodológico que deve orientar toda pesquisa séria”, finaliza a nota. 

Selo de acurácia eleitoral

Nunes Marques apresentou a proposta do selo durante uma reunião com institutos de pesquisa eleitoral realizada nesta terça-feira (14). A ideia é criar um Selo de Acurácia Eleitoral para reconhecer empresas que apresentarem maior grau de precisão em relação aos resultados oficiais das eleições.

Segundo o TSE, o mecanismo teria como objetivo estimular o aprimoramento técnico dos levantamentos e valorizar institutos que adotem boas práticas metodológicas. 

O tribunal ainda não definiu os critérios para a concessão do selo e abriu espaço para receber sugestões de empresas e entidades do setor.

A proposta do TSE surge após decisões recentes envolvendo pesquisas eleitorais. Nunes Marques reuniu representantes dos institutos para discutir regras e mecanismos de transparência relacionados aos levantamentos para as eleições de 2026.

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