O presidente da Associação Comercial do Paraná (ACP), Paulo Mercer Mourão, alerta para os riscos de mudanças na jornada de trabalho sem diálogo. Em Curitiba, ele destaca que o setor varejista enfrenta o desafio de se modernizar frente ao e-commerce e à concorrência global.
Como a extinção da escala 6×1 pode afetar as pequenas empresas?
A maior preocupação é a inviabilidade financeira para o pequeno lojista. Diferente de grandes redes, o pequeno comerciante não tem recursos imediatos para automação ou para contratar novos funcionários que cubram as horas vagas. Isso pode forçar o fechamento de lojas em dias específicos, como sábados ou segundas-feiras, causando uma redução nos postos de trabalho e gerando insegurança jurídica no setor produtivo.
Qual é a alternativa proposta para flexibilizar o trabalho no varejo?
Uma saída viável seria incentivar o contrato por hora trabalhada, modalidade que já existe na lei, mas que ainda não é amplamente usada devido ao foco cultural no salário mensal. Além disso, defende-se que mudanças na jornada sejam decididas por acordos diretos entre patrões e empregados, respeitando as particularidades de cada ramo, em vez de uma regra nacional única e rígida.
Por que o comércio de rua em Curitiba ainda sofre, mesmo com a economia crescendo?
Embora o agronegócio impulsione o PIB do Paraná, esse capital costuma ser concentrado e investido em imóveis ou artigos de luxo, sem retornar diretamente para o comércio básico dos bairros. O varejo de rua depende do poder de compra dos trabalhadores assalariados. Para transformar essa realidade, é necessário atrair empresas de serviços e tecnologia para o Centro, gerando empregos mais qualificados e melhorando a renda média da população local.
Como a tecnologia pode ajudar o pequeno comerciante de bairro a vender mais?
A inovação não precisa ser algo complexo. O uso de sistemas simples de gestão e o aproveitamento do WhatsApp como ferramenta de venda direta são os primeiros passos. A ACP ressalta que o comércio que não se renova acaba envelhecendo e perdendo relevância. Estar presente no meio digital hoje é essencial para competir com os preços das mercadorias estrangeiras que chegam pelos aplicativos de celular.
Quais medidas estão sendo tomadas para revitalizar o Centro da capital?
A prefeitura de Curitiba tem investido na Muralha Digital, integrando câmeras comerciais à central de monitoramento para reduzir furtos. Além da segurança, o plano inclui a modernização de prédios históricos e subsídios para abrir novos negócios. O objetivo é transformar a região em um polo de turismo e convivência, atraindo as pessoas de volta às ruas com eventos e um ambiente mais limpo e acolhedor.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.
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