A deputada federal Bia Kicis (PL-DF) surge como um dos nomes mais competitivos da direita para a disputa ao Senado pelo Distrito Federal. O desgaste de Michelle Bolsonaro dentro do PL, intensificado após a divulgação de um vídeo em que a ex-primeira-dama critica o senador Flávio Bolsonaro, abriu espaço para o fortalecimento político da parlamentar. Com a aproximação das convenções partidárias e o avanço das articulações para 2026, a definição das candidaturas ao Senado entra em fase decisiva, o que pode deixar Bia mais consolidada dentro da legenda.
Em 2026 os eleitores poderão votar em dois candidatos ao Senado. Esse formato amplia as possibilidades de composição das chapas e favorece nomes que conseguem se consolidar como segunda opção do eleitorado. Embora Michelle Bolsonaro continue liderando as pesquisas de intenção de voto, Bia Kicis aparece como uma alternativa competitiva dentro do eleitorado conservador.
Advogada e deputada federal em seu segundo mandato, Bia Kicis é uma das principais representantes do campo conservador no Congresso Nacional e integra a ala mais alinhada ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Bia Kicis presidiu a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados, considerada a mais importante da Casa, e ganhou projeção nacional pela defesa de pautas ligadas à liberdade de expressão e por suas críticas ao ativismo judicial.
Possível transferência de votos
Esse capital político ajuda a explicar por que o nome da deputada aparece com destaque nas simulações eleitorais para o Senado. Levantamento do Instituto França, divulgado em 1º de julho, mostra Michelle Bolsonaro na liderança da corrida ao Senado no DF, com 30% das intenções de voto no primeiro voto do eleitor. Em seguida aparecem Erika Kokay (PT), com 16,72%; Leila Barros (PDT), com 11,19%; Ibaneis Rocha (MDB), com 7,46%; e Bia Kicis, com 4,48%.
Apesar da distância para a ex-primeira-dama, a deputada aparece em posição estratégica dentro do eleitorado de direita e pode ser beneficiada por uma eventual transferência de votos ou por uma reconfiguração das candidaturas do PL.
Além disso, na pesquisa sobre a segunda opção de voto para o Senado, Bia Kicis alcança 9,25% e aparece na segunda colocação, atrás apenas de Leila Barros. O resultado reforça a percepção de que a deputada possui potencial de crescimento e pode se beneficiar de eventuais mudanças.
A convenção partidária do PL, que vai definir todos os nomes que irão concorrer nas eleições de 2026, está marcada para o próximo dia 25.
Desistência de Ibaneis também favoreceria Bia Kicis
Outro fator que pode favorecer Bia é a situação do ex-governador Ibaneis Rocha, que já acena sua desistência. Até recentemente apontado como um dos principais concorrentes na disputa por uma cadeira no Senado, Ibaneis perdeu força política nos últimos meses e já declarou em entrevistas que pretende “cuidar da família”.
O desgaste foi provocado pela repercussão do caso envolvendo o Banco Master e a tentativa de aquisição de ativos da instituição pelo Banco de Brasília (BRB), durante sua gestão. Nesse cenário, a eventual saída de Ibaneis da disputa abriria ainda mais espaço para a reorganização do eleitorado de centro-direita e poderia também beneficiar diretamente Bia Kicis na corrida por uma das duas vagas em jogo.
A pesquisa citada, registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob os números DF-04765/2026 e BR-06776/2026, ouviu 1.067 eleitores em Brasília entre os dias 18 e 23 de junho de 2026. O levantamento tem margem de erro de três pontos percentuais, para mais ou para menos, e nível de confiança de 95%.
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