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Juros altos têm tudo a ver com gasto público desenfreado

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse que sua pasta não é a principal culpada pelos atuais juros altos. (Foto: ChatGPT sobre foto de Washington Costa/Ministério da Fazenda)

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, não precisou nem de quatro meses no posto para aprender a repetir à risca o discurso petista sobre as contas públicas, que pode ser resumida ao famoso dito “a culpa é minha e eu a coloco em quem eu quiser”. Em entrevista recente ao portal G1, o sucessor de Fernando Haddad afirmou que a pasta conduzida por ele é a que tem menos culpa pelos altos juros do país. A taxa básica, a Selic, é definida pelo Copom – atualmente formado apenas por indicados do presidente Lula –, e está em 14,25% ao ano, depois de ter permanecido em 15% por nove meses, como resultado de um ciclo de alta iniciado em setembro de 2024.

“Eu não estou procurando culpados. Porque assim, quem é menos culpado é o Ministério da Fazenda por conta da taxa de juros. (…) Nós temos que discutir qual a razão da taxa de juros estar nesse patamar. O debate fiscal importa para a taxa de juros, mas não é a solução, porque essa é a resposta fácil”, afirmou o ministro. De fato, precisamos mesmo discutir com toda a franqueza os motivos pelos quais os juros brasileiros andam tão altos. E sim, apontar a política fiscal do governo como a principal culpada se tornou a “reposta fácil”, mas apenas porque o próprio governo tornou muito fácil apontar o dedo para o lugar certo.

As metas fiscais previstas no arcabouço proposto pelo governo em 2023 já se tornaram ficção, tamanho o rol de despesas que não entram na conta oficial

Ao longo de todo o ciclo de alta da Selic, o Copom vinha alertando para os problemas da política fiscal expansionista e da falta de uma âncora fiscal crível. Não faltaram avisos, embora feitos em uma linguagem diplomática demais para os ouvidos daqueles que estavam por trás da ampliação indiscriminada da despesa pública e do incentivo desenfreado ao consumo. Apenas no comunicado mais recente – ironicamente, em que explicava uma decisão de redução da Selic – o colegiado foi mais enfático, incluindo entre os riscos de alta da inflação “estímulos à demanda agregada, em particular ao componente de consumo, que tenham como resultado o crescimento da atividade econômica acima do produto potencial, enfraquecendo parte dos canais usuais de transmissão da política monetária”. Só antolhos ideológicos impediriam alguém de enxergar nessas palavras uma referência direta à gastança lulista.

Risível, também, a promessa do ministro de se esforçar para cumprir a meta fiscal nos próximos anos – quanto a este ano, melhor não comentar, obviamente. De nada adianta prometer atingir uma meta que só existe no papel; as metas fiscais previstas no arcabouço proposto pelo governo em 2023 já se tornaram ficção, tamanho o rol de despesas que não entram na conta oficial. Até mesmo neste ano, em que Lula gasta como nunca em busca da reeleição, é grande a chance de a meta oficial ser cumprida; mas o número que os economistas e o mercado financeiro usam, inclusive para determinar suas expectativas de inflação, é o resultado primário real, que será muito pior.

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E que ajuste Durigan acha que um eventual quarto governo Lula fará, quando o petista escolhe como coordenador de seu programa de governo o ex-presidente da Petrobras José Sérgio Gabrielli, que defende exatamente a manutenção da política atual de expansão do gasto público? Gabrielli, assim como Durigan, nega ou minimiza as consequências da política fiscal expansionista; se é assim, para que o governo haveria de fazer ajustes ou cortes? Com a condução da economia entregue a autênticos negacionistas, as perspectivas não têm como ser boas – e os juros não terão como cair até margens que deixem de sufocar a economia real, mas que hoje infelizmente são necessários como a única ferramenta capaz de segurar a inflação.

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