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Made in China: qual é o futuro do modelo econômico chinês

A China sempre manteve a sua moeda (yuan) desvalorizada artificialmente para incentivar a exportação. (Foto: Imagem criada utilizando ChatGPT Images/Gazeta do Povo)

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Eu ainda lembro do tempo em que produto chinês era um produto de má qualidade que replicava alguma marca conhecida, porém por um valor menor. Era o produto “barato”. Desde a década de 1980 até o início dos anos 2000, nenhuma economia surpreendeu em uma escala próxima à do que os chineses conseguiram.

O PIB chinês cresceu, em média, 9,91% de 1979 a 2010, fruto das políticas econômicas adotadas por Deng Xiaoping (líder do governo chinês que sucedeu Mao Tse-Tung), que abriram a economia chinesa, aceleraram o processo de industrialização do país e, junto ao aumento populacional, trouxeram uma capacidade produtiva elevada e de baixo custo. Atualmente, essa economia chegou a um ponto importante, em que o mesmo sistema que foi utilizado para o crescimento até então já não é suficiente para manter a China em uma rota de alto crescimento, e o modelo chinês precisará ser revisto para atender à demanda de uma população mais velha e de um mercado internacional mais hostil e com excesso de oferta de produtos chineses.

Quando Deng Xiaoping assumiu, o país deixado por Mao Tse-Tung, seu antecessor, era um país extremamente pobre e faminto. As medidas do governo de Mao trouxeram a morte de milhares de chineses por fome ou por perseguições políticas. Ao assumir o governo, Xiaoping passou a implementar reformas de maneira pragmática, abrindo mão do controle estatal sobre a produção rural, abrindo a economia para investidores estrangeiros, realizando fortes investimentos em infraestrutura e modernização e criando Zonas Econômicas Especiais (ZEEs). Nessas regiões, curiosamente, a China comunista usou o livre mercado para desenvolver tecnologia, indústria e incentivar exportações.

É evidente que a fórmula chinesa já não terá o mesmo efeito de crescimento, e a tendência é que o aumento seja menor; assim, várias discussões precisarão ocorrer

Xiaoping entendeu o que os líderes soviéticos não entenderam. Não existe crescimento econômico sem inovação, investimento e concorrência. A China passou a concorrer com o resto do mundo, mesmo que, para isso, rompesse com a visão ideológica carregada por Mao.

O modelo chinês que trouxe o alto crescimento econômico perdura até hoje, mas já apresenta sinais de desgaste. O aumento populacional que apresentou alto crescimento da força de trabalho nas décadas anteriores (definido pelo termo boom demográfico) agora resulta em uma população mais velha, que já não possui a mesma capacidade produtiva. Além disso, as políticas de filho único adotadas desde 1979 diminuíram consideravelmente a substituição dessa mão de obra.

A China que hoje é o maior exportador do mundo já lida com excesso de oferta de produtos nos mercados globais e desafios comerciais e diplomáticos, como tarifas do governo americano e da União Europeia, além da concorrência crescente com outros países, como Índia e Vietnã, que já possuem custos de mão de obra inferiores. É possível crescer 9% ao ano enquanto você é uma economia pequena e pobre; é consideravelmente mais difícil quando se é uma nação que já está com o segundo maior PIB do mundo. Entendendo isso, em 2026, o governo chinês anunciou que a meta de crescimento será entre 4,5% e 5% no ano, a menor em décadas.

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É evidente que a fórmula chinesa já não terá o mesmo efeito de crescimento, e a tendência é que o aumento seja menor; assim, várias discussões precisarão ocorrer. A China sempre manteve a sua moeda (yuan) desvalorizada artificialmente para incentivar a exportação. Uma alternativa pode ser flexibilizar a variação do câmbio, permitindo a valorização do yuan, possibilitando maior consumo interno e menor necessidade de exportação. A contrapartida? Tornará a indústria chinesa menos competitiva e impactará ainda mais as exportações.

Não existe resposta fácil, mas o governo chinês já demonstrou ser muito mais pragmático do que ideológico em algumas decisões. A dúvida que fica é: como o governo chinês fará para administrar uma economia de menor crescimento, maior custo social, população de maior renda e mais exigente e a competição com outros países menos desenvolvidos, que estão adotando as mesmas políticas chinesas de 40 anos atrás?

Germano Laube é sócio da LDC Capital Consultoria de Investimentos, especialista em planejamento financeiro e diretor de Formação do Instituto de Formação de Líderes de Gramado. É fellow do Instituto Amplifica.

Conteúdo editado por: Jocelaine Santos

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