Pesquisas mostram que eleitores adolescentes e do Nordeste já não garantem vantagem de votos tão elevada para Lula quanto antes. (Foto: André Borges/EFE)
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Um paradoxo desafia a campanha pela reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT): dois grupos de eleitores que sempre impulsionaram suas vitórias nas urnas — adolescentes e nordestinos — não lhe dão mais tanto conforto estratégico. A razão está em mudanças geracionais e na frustração.
Entre adolescentes e jovens, o primeiro desafio de Lula é a mobilização. Em 2022, a onda de alistamento de eleitores de 16 e 17 anos foi vista como um ativo contra Jair Bolsonaro (PL). Em 2026, além de leve recuo do contingente acrescido, houve mudança no perfil do grupo antes associado à esquerda.
Pesquisa da consultoria AtlasIntel, divulgada em 2 de dezembro de 2025, apontou que os brasileiros de 16 a 24 anos constituem o segmento etário com maior identificação com a direita. Segundo o levantamento, 52% dos entrevistados dessa faixa etária declararam se posicionar à direita, enquanto 31% afirmaram identificar-se com a esquerda.
A sondagem ouviu 5.510 pessoas entre os dias 22 e 27 de novembro de 2025. Para realizar o estudo, a AtlasIntel utilizou sua plataforma digital própria de recrutamento, na qual os participantes são selecionados durante a navegação na internet por meio de anúncios.
A cobrança que os jovens fazem do Executivo não é só ideológica. Ela engloba renda, emprego, segurança, custo de vida e sensação de que o futuro prometido não chegou. Esse deslocamento é agravado por uma juventude mais exposta às redes sociais, onde a direita tem vantagem, e menos presa à memória afetiva dos governos petistas.
Seu discurso é pela renovação, pois não veem novidade no PT. Pior: enxergam no partido o sistema que aprenderam a questionar.
A direita aproveita a brecha e os seus candidatos e movimentos conversam diretamente com os jovens frustrados, sobretudo homens, investindo em mensagens sobre meritocracia, combate ao crime organizado e à corrupção e descrença em elites políticas. Já o PT apela para o clima e identitarismos.
No Nordeste, o desafio é diferente, mas também forte no terreno simbólico. A região continua sendo o maior bastião eleitoral de Lula e ainda apresenta saldos positivos de aprovação em estados importantes. O problema para o PT é que o apoio deixou de ser automático e convive com desgastes e disputas locais.
Tombo de aprovação no Nordeste mostra perda de apoio automático
Recente pesquisa Nexus/BTG Pactual indica que Lula perdeu parte da sua vantagem eleitoral no Nordeste após uma operação policial contra o seu ex-líder no Senado, Jaques Wagner (PT-BA). Num segundo turno contra Flávio Bolsonaro (PL), as intenções de voto na região caíram de 66% para 61%.
Lula não só perdeu cinco pontos percentuais no Nordeste, mas também viu o rival subir outros cinco, de 23% para 28%, reduzindo a diferença a seu favor de 43 para 33 pontos percentuais. A coleta de opiniões no maior reduto petista ocorreu dias após as investigações do caso Master alcançarem Wagner.
Em todo o Brasil, a briga de Lula e Flávio segue apertada. A Nexus/BTG Pactual ouviu 2.009 eleitores, por telefone, de 26 a 28 de junho. Com margem de erro de dois pontos percentuais e confiança de 95%, ela está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-08521/2026.
Segundo analistas, o nordestino mantém memória favorável de programas sociais, universidades, cisternas, crédito e transferência de renda, mas compara essa lembrança com preços, serviços públicos e insegurança do presente. Outro ponto é que o Nordeste é bem mais lulista do que petista.
O vínculo personalista favorece Lula, mas não elimina tensões com governos estaduais, prefeitos e partidos aliados. Onde a base se divide, o palanque presidencial perde força e amplitude. O avanço conservador em capitais já mostrou em 2024 que a direita aprendeu a disputar o voto nordestino.
O discurso de ruptura cerca jovens. A erosão lenta da hegemonia petista age no Nordeste. Os fenômenos não anulam a vantagem de Lula, mas reduzem a margem que compensa as perdas de votos no Sul e Centro-Oeste. Adolescentes e nordestinos deixaram assim de ser reservas eleitorais previsíveis do PT.
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