A líder opositora da Venezuela, María Corina Machado. (Foto: Bienvenido Velasco/EFE)
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Autoridades que integram o governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, criticaram as tentativas da líder opositora venezuelana María Corina Machado de retornar à Venezuela após os terremotos que atingiram o país na última semana. Segundo o portal americano Axios, membros da Casa Branca avaliam que a iniciativa pode gerar “drama desnecessário” para o Departamento de Estado em meio aos esforços de ajuda humanitária ao país sul-americano apoiados pelos EUA.
De acordo com a publicação, membros do alto escalão do governo Trump consideram que a tentativa de María Corina de voltar ao país neste momento ameaça aumentar a tensão política interna na Venezuela, enquanto Washington tenta coordenar a resposta à tragédia com autoridades chavistas. Um alto funcionário americano classificou a movimentação de María Corina como “oportunismo político” e “grotesca”, segundo o Axios.
Outro integrante do governo americano disse ao portal que a opositora estaria interessada em aparecer distribuindo ajuda dos Estados Unidos às vítimas. “Isso é sobre os interesses dela”, afirmou a fonte ouvida pela publicação.
María Corina tem defendido publicamente que precisa retornar à Venezuela para acompanhar a população após os terremotos. Em vídeo recente divulgado nas redes sociais, ela afirmou que quer voltar ao país para estar ao lado dos venezuelanos “na busca, no consolo e no abraço” e acusou o regime chavista, agora liderado por Delcy Rodríguez, de tentar impedir sua entrada. A líder opositora também disse que está disposta a ajudar na coordenação de esforços durante a emergência.
Conforme o Axios, María Corina tem feito pressão sobre autoridades americanas para facilitar sua volta, incluindo contatos com o secretário de Estado Marco Rubio, com o vice-secretário de Estado Christopher Landau, com congressistas republicanos da Flórida e com integrantes da Casa Branca. Segundo uma autoridade dos EUA ouvida pelo portal, a insistência da opositora teria irritado Rubio.
A tensão aumentou depois que María Corina teria manifestado a intenção de participar da distribuição de ajuda humanitária após os terremotos que devastaram partes da Venezuela no último dia 24. Segundo o Axios, a resposta do governo Trump foi negativa. Uma autoridade americana afirmou ao portal que a opositora também queria garantias de segurança para retornar ao país, o que poderia passar a imagem de que Washington estaria tentando colocá-la no comando da resposta à crise.
A reportagem afirma que María Corina tentou, na sexta-feira (26), sair de Manassas, no estado da Virgínia, rumo à ilha caribenha de Curaçao, território do Reino dos Países Baixos, de onde pretendia seguir para a Venezuela. O voo acabou sendo interrompido e retornou após autoridades holandesas serem informadas de que a volta da opositora ao país não era uma política oficial dos Estados Unidos, segundo o Axios.
Neste final de semana, María Corina também tentou viajar da Cidade do Panamá para Caracas, mas foi impedida de embarcar pela companhia aérea Copa Airlines, conforme informou o Wall Street Journal. A posição oficial do governo americano, de acordo com a reportagem, é de neutralidade sobre o desejo da opositora de voltar à Venezuela neste momento.
O caso ocorre enquanto a Venezuela enfrenta uma das maiores tragédias recentes de sua história. O número oficial de mortos pelos terremotos subiu para 2.295, com 11.267 feridos e 12.841 desabrigados, segundo balanço divulgado nesta quarta-feira (1º) pelo presidente da Assembleia Nacional, o chavista Jorge Rodríguez, em pronunciamento transmitido pela televisão estatal.
Os terremotos, de magnitudes 7,2 e 7,5, atingiram principalmente a região costeira do norte venezuelano. A área de La Guaira foi uma das mais afetadas e passou a concentrar operações de busca e resgate. Segundo o regime venezuelano, equipes de emergência continuam trabalhando entre os escombros para localizar sobreviventes e retirar corpos.
Segundo o Axios, autoridades americanas temem que uma volta de María Corina neste momento provoque instabilidade civil e atrapalhe os esforços de socorro. Um funcionário do governo Trump disse ao portal que o Departamento de Estado está concentrado na maior operação de recuperação já conduzida pelos EUA na Venezuela e que “não é hora nem lugar” para transformar a tragédia em ferramenta política.
María Corina afirma que o chavismo tenta bloquear sua presença no país e impedir que opositores, voluntários e jornalistas atuem durante a emergência. Ela também acusa o regime de manipular informações sobre a tragédia e diz que os venezuelanos precisam de ajuda, transparência e dignidade para enterrar seus mortos.
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