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A falácia do baixo desemprego usada pelo governo

Imagem ilustrativaEnquanto o governo não gerar confiança fiscal, jurídica e política, os brasileiros continuarão presos em um ciclo de desconfiança e mediocridade. (Foto: Gilson Abreu/AEN)

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Muitos acreditam que o desemprego é o principal reflexo de sucesso na economia e, no momento, o Brasil possui o menor índice desde 2012, com 5,4% de desemprego em outubro. Porém, falar de economia apenas olhando um índice é como avaliar um paciente somente pelo colesterol: um dado isolado não conta toda a história.

O Brasil vive, de fato, um cenário de desemprego baixo – isso é inegável –, mas certamente não significa que a economia esteja saudável. A produtividade está estagnada, há baixa qualificação e existe toda uma geração de jovens que nem trabalham nem estudam, revelando um frágil mercado de trabalho, incapaz de sustentar o crescimento econômico.

Sendo assim, é preciso maturidade econômica para entender esse diagnóstico – a mesma que é tão ausente no debate político. Bilionários são tratados como vilões, mas o simples fato de uma pessoa se tornar bilionária significa que ela entregou algo que milhares de pessoas valorizaram. Empresas como a WEG, por exemplo, que criou tecnologias usadas no mundo inteiro e gera empregos para dezenas de milhares de pessoas, são acusadas de destruir o país.

A demonização da riqueza revela um problema cultural profundo: a dificuldade do brasileiro em reconhecer que o sucesso nasce do desenvolvimento, do investimento e, mais importante, do esforço.

Ainda há esperança, mas é preciso abandonar a ilusão de que será fácil. Baixo desemprego não é sinônimo de economia forte. Culpar os ricos não gera prosperidade. Debates vazios não resolvem problemas

O mesmo ruído aparece nas discussões políticas. A cultura do “debate” virou um espetáculo – ninguém quer construir, só destruir ideias. São discussões vazias em podcasts e TikToks que raramente produzem entendimento; muito pelo contrário. Colocar visões opostas esperando que uma vença a outra só gera ônus para a sociedade.

Ao contrário do sistema de torcida organizada, o debate útil é aquele que busca resolver problemas por meio de consenso, em que opiniões diferentes são tratadas com fatos. Esse tipo de debate é raro, mas é o único que coloca o progresso em voga.

No cenário político, a situação é ainda mais preocupante. Já tendo vivido uma situação semelhante no governo Dilma, corre-se o risco de um cenário tão ruim quanto aquele. Vemos hoje gastos descontrolados, inflação nas alturas, uma recessão que aumenta a pobreza e indicadores negativos sendo ignorados.

A diferença é que a institucionalidade é ainda mais frágil, já que órgãos como o STF podem alterar os desdobramentos. O risco está no radar porque o país insiste em repetir velhas escolhas.

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Essa instabilidade se reflete de forma nítida nos juros. Com uma das maiores taxas reais do mundo, não se pode culpar apenas o Banco Central. Para um país conseguir emitir títulos longos, é necessário que os compradores tenham confiança de que, em 20 anos, o governo terá condições de pagar aquilo com que se comprometeu.

Hoje, essa confiança não existe, e o prêmio por financiar o Estado é alto porque o risco é alto.

Ainda há esperança, mas é preciso abandonar a ilusão de que será fácil. Baixo desemprego não é sinônimo de economia forte. Culpar os ricos não gera prosperidade. Debates vazios não resolvem problemas. E juros altos não caem por canetadas.

Enquanto o governo não gerar confiança fiscal, jurídica e política, os brasileiros continuarão presos em um ciclo de desconfiança e mediocridade.

Marina Rebouças é diretora comercial da Azul Cargo Vitória e DM Logística e graduada em Administração de Empresas pela FGV-SP.

Conteúdo editado por: Jocelaine Santos

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