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Por que o Plano Safra 2026/2027 é criticado por entidades do agronegócio?

O governo federal lançou nesta terça-feira (30) o Plano Safra 2026/2027 com R$ 610 bilhões em crédito. Apesar do anúncio recorde, representantes do setor alertam que os recursos são insuficientes para cobrir a inflação e apontam o uso de metodologias que camuflam a retração real do orçamento.

O valor total anunciado realmente atende às necessidades do setor?

Embora o governo fale em valores recordes, o montante de R$ 610 bilhões ficou abaixo dos R$ 670 bilhões solicitados por federações como a FAEP. Quando ajustado pela inflação de 4,4% no período, o plano representa uma perda real de poder de compra de aproximadamente R$ 13,6 bilhões. Além disso, o governo incluiu fontes de recursos que não eram contabilizadas em anos anteriores, o que inflou artificialmente o número final.

Como ficaram as taxas de juros para o produtor rural?

As taxas de juros são um ponto de preocupação. Para os grandes produtores, o custo nas linhas de custeio ficou em 12,5% ao ano. Já para os médios produtores, atendidos pelo Pronamp, a taxa é de 9%. Essas condições estão acima do esperado pelas entidades representativas, que defendiam um teto de 10,5% para o crédito geral e 7% para os médios produtores, visando garantir a rentabilidade da produção.

O que são os recursos equalizados e por que eles diminuíram?

Recursos equalizados são aqueles em que o Tesouro Nacional paga parte dos juros para que o banco possa cobrar menos do produtor. No plano atual, esse volume caiu de R$ 113,8 bilhões para R$ 97 bilhões. Isso indica uma mudança na política agrícola, reduzindo o subsídio direto e forçando o agricultor a buscar linhas de crédito com custos financeiros mais elevados no mercado livre.

Quais impactos podem ocorrer na produção de alimentos?

Houve um recuo de 7,18% nos recursos específicos para custeio e comercialização, que caíram para R$ 384,9 bilhões. O custeio funciona como o capital de giro da fazenda: é o dinheiro usado para plantar, comprar adubos e manter a atividade funcionando. Com menos verba disponível para essa finalidade, a Frente Parlamentar da Agropecuária alerta que a produção de alimentos nesta temporada pode ser afetada.

O governo usou fontes de fora do plano tradicional para inflar os números?

Sim. Dos R$ 140,2 bilhões anunciados para investimentos, cerca de R$ 38,5 bilhões vieram de programas externos como o Move Agricultura e o Ecoinvest Brasil (focado em recuperação de pastagens). Sem essas adições de fontes que antes não entravam na conta oficial, o Plano Safra empresarial teria uma redução real de 5,7% em comparação ao ciclo passado, descaracterizando o status de recorde anunciado pelo Executivo.

Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.

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