Candidato ao governo do Paraná pelo PSD, Sandro Alex defendeu nesta segunda-feira (17) a continuidade das políticas adotadas pelo governador Ratinho Junior (PSD) e classificou o modelo de concessões rodoviárias do estado como referência para o país.
Durante sabatina promovida pela Folha de S.Paulo e pelo UOL, Sandro Alex não descartou a privatização da Companhia de Tecnologia da Informação e Comunicação do Paraná (Celepar).
Sobre a companhia de tecnologia, o ex-secretário de Infraestrutura e Logística do Paraná evitou responder diretamente, mas afirmou que o foco em seu eventual governo deve ser a “modernização”.
“Nós sempre somos a favor da modernização, daquilo que é importante que o estado possa modernizar e que não cabe essencialmente ao estado. O próprio Poder Judiciário hoje adquire ferramentas de grandes empresas de tecnologia, não de uma empresa pública. Não cabe ao estado trabalhar com isso”, defendeu.
Segundo ele, a parte que cabe ao estado é garantir que, em caso de privatização, os dados da população paranaense estejam protegidos conforme a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).
“No meu entendimento, independentemente desta modernização, o data center tem que ser soberano. Nós temos que colocar as informações dentro da soberania nacional, não devido a uma empresa, nem à empresa A nem à empresa B, mas sim os próprios governos”, disse.
Candidado negou aumento de tarifa após privatização da Copel
Sandro Alex também defendeu o modelo de privatização da Copel e negou que o processo tenha levado ao aumento das tarifas de energia elétrica, atribuindo os reajustes ao sistema nacional.
Além disso, afirmou que o Paraná continua entre os maiores acionistas da companhia e recebe dividendos da empresa.
Questionado sobre a ampliação do modelo de concessão de rodovias com pedágio, ele afirmou que o Paraná realizou “o maior programa de concessões da América Latina” e que não “permitirá” a paralisação de obras como as duplicações de trechos da BR-277.
“Nós tivemos a coragem e a visão de construir um modelo que passou pelos dois governos”, disse, referindo-se ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ao do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
“Eu comecei com o Tarcísio (de Freitas) e terminei com o Renan (Filho). E os dois ministros concordaram que o Paraná apresentou a melhor solução, que hoje é adotada no Brasil. Os outros estados estão utilizando o modelo Paraná como referência”, disse.
Relações político-partidárias e Operação Lava Jato
Sandro Alex evitou responder se acredita que há algo que desqualifique o também candidato Sergio Moro (PL) para ocupar o posto de governador do Paraná.
Ele declarou que a avaliação sobre o ex-juiz da Operação Lava Jato “cabe à população paranaense”.
Ao relembrar sua atuação como deputado federal durante a época da operação, ele disse ter defendido as investigações, mas avalia que a Lava Jato sofreu danos quando seus integrantes no Judiciário passaram a atuar politicamente.
“Eu particularmente acho que toda a operação foi comprometida pela participação política, mas aquela operação foi importante para o Brasil”, afirmou.
Sandro Alex evitou comentar posições de colegas de partido
O candidato do PSD também não quis comentar as posições da colega de partido Cristina Graeml, candidata ao Senado pelo Paraná, quando questionado se bandeiras como o voto impresso, impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e desconfiança quanto à vacina contra a covid-19 o representam.
Ele declarou ser “a favor da ciência” e, sobre o voto impresso, afirmou ser favorável à discussão sobre modernização e segurança do sistema eleitoral.
Para ele, no entanto, temas como esses devem ser discutidos pelo Congresso, enquanto o governo estadual deve concentrar sua atuação nos problemas do Paraná.
“Eu acho que essas discussões nacionais cabem ao Congresso Nacional, e nós queremos uma bancada aguerrida no Senado e na Câmara que possa discutir o que é importante pro Brasil. Hoje, a minha discussão é sobre o governo do Paraná e o futuro dos paranaenses. O Paraná hoje tem a sua linha de metodologia, diferente da ideologia; é o que deu certo aqui no Paraná”, afirmou.
Segundo ele, a gestão de Ratinho Júnior conseguiu manter relações institucionais com os governos de Bolsonaro e Lula, apesar das diferenças ideológicas entre os dois presidentes.
“O governador blindou o Paraná, de certa forma, para que nós tivéssemos aqui uma gestão altamente eficiente. Tivemos construções importantes com ambos os governos, mas sempre com o pensamento voltado ao Paraná. E eu defendo que isso continue aqui no estado”, disse.
Pesquisa eleitoral
Em pesquisa de intenções de voto para governador contratada pelo Partido Liberal (PL) e divulgada pelo instituto Paraná Pesquisas nesta segunda-feira (17), a primeira após o registro das candidaturas, Sergio Moro marca 46,1% das intenções de voto no cenário estimulado de primeiro turno. Requião Filho (PDT) tem 26,5% e Sandro Alex, 16,4%.
Moro e Requião Filho também participaram de sabatinas conduzidas pelo UOL e pela Folha.
Na ocasião, Moro defendeu um “choque de gestão” na Sanepar antes de considerar uma eventual privatização e afirmou que sua relação com Lula, caso o presidente seja reeleito, seria “republicana e institucional”.
Já Requião Filho disse que quer encerrar “imediatamente” o programa Parceiro da Escola e retomar o controle da Copel por meio da compra de ações pelo governo estadual.
Metodologia da pesquisa eleitoral citada: 1.520 entrevistados pelo Paraná Pesquisas de 13 a 16 de agosto de 2026. A pesquisa foi contratada pelo Partido Liberal (PL). Nível de confiança: 95%. Margem de erro: 2,6 pontos percentuais. Registro no TSE sob o nº PR-09048/2026.
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