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Pazuello: “Brasil está politicamente isolado no mundo”

Economia, segurança pública, corrupção e geopolítica. Esses são, na avaliação do deputado federal General Eduardo Pazuello (PL-RJ), os temas que dominarão o debate político nos próximos meses. General da reserva do Exército e ex-ministro da Saúde, Pazuello concedeu entrevista à coluna Entrelinhas para analisar o momento político do país, os impactos do escândalo envolvendo Jaques Wagner, ex-líder do governo Lula no Senado, além do cenário eleitoral e a atuação do Brasil nas relações internacionais.

Entrelinhas: O chamado “fator Jaques Wagner” tem sido apontado como um dos elementos centrais do escândalo Master, que atinge o governo Lula. Qual é o peso desse fator e o quanto isso incomoda o governo, na sua avaliação?

Pazuello: Esse peso demonstra o que são as entranhas do poder em Brasília, de uma estrutura que corrompe todo mundo. A realidade do nosso país, da mistura que acontece em mesas, em pares e em aviões, é duríssima. Ela impacta diretamente o atual governo, porque Jaques Wagner é uma peça central desse processo.

Ele era o líder do governo no Congresso Nacional e se colocava como um defensor da moralidade e das coisas corretas. Quando toda essa ligação e toda essa corrupção são expostas, isso é muito duro. É um baque muito forte. Acho que o governo ainda vai sangrar muito com isso.

Entrelinhas: Segurança pública, economia, corrupção: quais são os temas que devem definir as eleições deste ano?

Pazuello: As eleições serão duríssimas. O governo federal tem investido muito em campanhas publicitárias que iludem a população. Hoje você pega jornais, blogs e televisão e vê propaganda o tempo todo. É uma avalanche de dinheiro público colocado em propaganda política do atual governo.

Não estamos falando de um adversário político fraco. O PT elegeu cinco presidentes da República. Achar que é um adversário fácil de derrotar não é verdade.

A principal pauta será a economia. É a geladeira vazia, a inflação, a realidade das famílias endividadas. O povo olha para o fim do mês, para o que tem na conta, para o cartão que não consegue pagar, para a escola do filho, para o carro.

A macroeconomia também é catastrófica. Independentemente de quem ganhar a Presidência, terá que cortar despesas e manter a máquina funcionando praticamente sem dinheiro. O atual governo entrega uma situação muito difícil para 2027.

Mas o cidadão está preocupado com a economia do dia a dia. Esse é o primeiro ponto.

O segundo é a segurança pública. A sensação é de que estamos caminhando para uma barbárie em vários estados da Federação. Temos territórios dominados pelo crime, pessoas sendo torturadas, executadas, esquartejadas e estupradas todos os dias.

O terceiro ponto são os escândalos de corrupção, os desvios de dinheiro público e pessoas ficando ricas às custas do dinheiro da população. Isso precisa acabar.

Entrelinhas: Como o senhor avalia o isolamento geopolítico do presidente Lula e o realinhamento político na América Latina?

Pazuello: Na minha visão, o isolamento geopolítico é total. Politicamente, o Brasil está isolado no mundo.

A América Latina começou a avermelhar quando George Bush filho voltou a atenção dos Estados Unidos para o Oriente Médio, depois do atentado às Torres Gêmeas, em 2001. Naquele momento, os Estados Unidos ficaram de costas para a América Latina.

Foi aí que aconteceu esse processo envolvendo Brasil, Argentina, Equador, Venezuela, Bolívia e Uruguai. A América Latina passou a ficar socialista, com alguns traços de comunismo.

Isso mudou. Os Estados Unidos compreenderam novamente sua posição geopolítica e a necessidade de garantir que os governos da América Latina estejam alinhados ideologicamente com a direita e com a principal potência das Américas.

Acredito que esse caminho é inevitável. A América do Sul e a América Latina vão se alinhar ideologicamente à direita e aos Estados Unidos.

Entrelinhas: O senhor participará de uma missão oficial à Ucrânia. Qual é o objetivo dessa viagem?

Pazuello: Esse projeto começou antes, com a Venezuela. A visita institucional já foi aprovada pelas comissões de Minas e Energia e de Relações Exteriores e Defesa Nacional. Depois estivemos no Ministério de Minas e Energia, no Itamaraty, na Embaixada da Venezuela e estamos organizando reuniões com as confederações nacionais para estruturar uma agenda voltada à reconstrução da Venezuela.

A ideia era criar um ambiente de segurança para que investidores brasileiros pudessem atuar naquele processo.

Dentro desse modelo, o embaixador brasileiro na Ucrânia, Rafael Vidal, que conheci durante a Operação Acolhida em Roraima, entrou em contato propondo um projeto semelhante para a reconstrução da Ucrânia.

A proposta é permitir que o Brasil participe desse processo levando tecnologia, especialmente na agricultura, infraestrutura, petróleo, gás e energia. Existem recursos internacionais já destinados para essa reconstrução.

Com isso, o Brasil teria acesso a essas parcerias e a esses recursos, trazendo investimentos e divisas para o país, tanto na Ucrânia quanto na Venezuela.

Entrelinhas: Como o senhor avalia a atuação do Itamaraty diante das críticas sobre uma possível ideologização do órgão?

Pazuello: O Itamaraty é um órgão de Estado e deve defender os interesses permanentes do Brasil. Ao longo do tempo, ele vem sendo ocupado ideologicamente.

Hoje temos como principal referência nessa área o Celso Amorim, assessor direto do presidente da República para assuntos internacionais. Ele sempre teve muita influência dentro do Itamaraty.

As posições dele são ideológicas. Não me surpreende ver esse tipo de postura, mas é triste ver um órgão de Estado se sujeitar a posições ideológicas e atuar de acordo com interesses de governo.

Entrelinhas: Como o senhor avalia o cenário institucional e eleitoral para 2026?

Pazuello: O sistema faz de tudo para se manter no poder.

Jair Bolsonaro só foi eleito em 2018 porque o sistema cochilou. O sistema não acreditou que ele pudesse vencer. Se acreditasse, ele não teria sido eleito.

Agora o sistema vai trabalhar para impedir novos avanços da direita.

Por isso, temos que ir às ruas, conversar com a população, conquistar votos e fazer com que o resultado seja massivo. Quanto maior a participação e a votação, maior será a força da direita no país.

Entrelinhas: Como está o cenário para a disputa ao Senado no Rio de Janeiro?

Pazuello: Se o Brasil está confuso, imagine o Rio de Janeiro.

Os nossos dois senadores, Flávio Bolsonaro e Cláudio Castro, encerraram seus ciclos, e agora há uma disputa natural pelos espaços.

Existe um desenho envolvendo o Jorge Canella, que é um parceiro nosso, mas o Partido Liberal ainda fará avaliações técnicas e pesquisas para identificar quem reúne as melhores condições eleitorais.

Hoje, o quadro para o Senado no Rio de Janeiro ainda está indefinido.

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