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Mãe, atleta e campeã são todos lados de uma mesma moeda

Fui patinadora artística olímpica, e por isso acompanhei os Jogos Olímpicos de Inverno com grande interesse em fevereiro. Ao longo de duas semanas e meia, assisti e admirei as apresentações dos atletas, mas também percebi os temas mais amplos que surgiram com as histórias contadas pelos atletas, e sobre eles, que ganharam destaque na mídia e capturaram o interesse do público. Dois desses temas, em particular, chamaram minha atenção.

O primeiro foi a maternidade. Embora antes fosse quase impensável que mulheres continuassem competindo em alto nível após terem filhos, estes Jogos Olímpicos incluíram um número surpreendente de mães olímpicas. Fiquei especialmente impressionada com a cobertura positiva e viral de duas mães: a italiana Francesca Lollobrigida e a americana Elana Meyers Taylor, que conquistaram medalhas de ouro com seus filhos pequenos presentes nas arquibancadas. A mensagem era de empoderamento: mulheres podem se destacar tanto como atletas quanto como mães!

O outro tema contava uma história completamente diferente: era a história de como o mundo esportivo frequentemente encara a capacidade das atletas de se tornarem mães como algo a ser temido, reprimido ou até mesmo violado. Esse tema geralmente permanece oculto, invisível e não verbalizado, e imagino que para muitos espectadores estes Jogos Olímpicos não tenham sido diferentes. Para mim, porém, ele surgiu com força por causa da controvérsia envolvendo a dupla francesa de dança no gelo formada por Laurence Fournier-Beaudry e Guillaume Cizeron.

A ex-parceira de dança de Cizeron, Gabriella Papadakis, havia lançado uma autobiografia bombástica pouco antes dos Jogos. Entre outras revelações perturbadoras, Papadakis escreveu que, antes do Campeonato Mundial de 2019, engravidou inesperadamente e procurou realizar um aborto. Devido ao efeito retardado do medicamento abortivo que tomou, ela participou da apresentação de gala do Campeonato Mundial ainda sangrando, e passou por um intenso sofrimento emocional, recebendo pouco apoio de sua equipe. Ao conhecer a história de Papadakis, tomei consciência de que muitas atletas olímpicas provavelmente haviam sacrificado (ou sido pressionadas a sacrificar) sua capacidade de gerar uma nova vida – e, por vezes, sacrificar até mesmo a própria vida em gestação.

Os belos exemplos de maternidade olímpica vistos em fevereiro foram um lembrete de que a capacidade de gerar filhos não é intrinsecamente incompatível com o sucesso esportivo

O desfecho trágico da história de Papadakis contrastava fortemente com as mães olímpicas festejadas nas redes sociais e na televisão. Poderíamos concluir simplesmente que isso revela a hipocrisia do mundo esportivo, e encerrar a discussão por ali mesmo. No entanto, acredito que uma análise mais cuidadosa desses dois temas não apenas ajuda a iluminar os desafios enfrentados pelas mulheres no esporte, mas também nos ajuda a construir uma visão mais completa das capacidades femininas. Embora exista uma tensão entre a fertilidade feminina e o esporte de alto rendimento, os belos exemplos de maternidade olímpica vistos em fevereiro foram um lembrete de que a capacidade de gerar filhos não é intrinsecamente incompatível com o sucesso esportivo. Por uma questão de justiça, o mundo esportivo precisa aprender a acomodar e celebrar a fertilidade natural das mulheres. Ao mesmo tempo, ver mulheres se destacando nos mais altos níveis do esporte é um poderoso antídoto contra a antiga tendência de reduzir as mulheres à sua capacidade reprodutiva, ajudando nossa cultura a apreciar melhor as muitas facetas da excelência feminina.

Esporte versus o corpo feminino

Alguns podem ouvir a história de gravidez e aborto de Papadakis e presumir que se trata de um caso isolado. Mas sua experiência aponta para um problema profundamente enraizado na cultura do esporte de elite: a rejeição do corpo feminino e, em particular, da fertilidade feminina. A manifestação mais extrema e evidente desse problema é o aborto. Ainda assim, é impossível saber com certeza o quão comum ele é entre atletas de elite. As evidências são, em grande parte, anedóticas: atletas e treinadores preocupados com regulamentações sobre aborto; depoimentos de atletas que recorreram ao procedimento; rumores sobre uma epidemia de abortos entre competidoras de atletismo que acreditam não poder engravidar; e um memorial jurídico apresentado no caso Dobbs v. Jackson Women’s Health Organization [em que a Suprema Corte dos Estados Unidos derrubou a decisão Roe v. Wade, que garantia o acesso ao aborto em todo o país], assinado por 500 atletas mulheres de elite, alegando que o sucesso do esporte feminino depende do acesso ao aborto. O que une essas histórias é a narrativa de que gravidez e sucesso esportivo são incompatíveis.

Mas não é necessário chegar ao tema do aborto para perceber que a cultura esportiva frequentemente é hostil à fertilidade feminina. Considere, por exemplo, a prevalência da amenorreia (ausência de menstruação) entre atletas mulheres. Em minha experiência como patinadora artística, atletas e treinadores frequentemente demonstravam pouca preocupação com irregularidades menstruais e desconheciam as consequências de longo prazo dessas condições para a saúde. A amenorreia em atletas jovens costuma ser diagnosticada como um dos componentes da chamada “tríade da atleta feminina”: outro componente é a má nutrição, frequentemente associada a transtornos alimentares.

Muitos esportes têm expectativas rígidas quanto ao tipo físico ideal do atleta, e a pressão para atender a esse padrão (que muitas vezes é irreal) pode levar à má alimentação. Embora homens também enfrentem pressões semelhantes em algumas modalidades, chama atenção a frequência com que as exigências impostas às atletas mulheres atingem diretamente características físicas relacionadas à fertilidade. Na minha modalidade, a dança no gelo, por exemplo, a expectativa era ser o mais magra possível. A dançarina ideal era alta e esguia, com pouca gordura corporal e poucas curvas. Os quadris mais largos, a maior porcentagem de gordura e as formas mais arredondadas típicas do corpo feminino – características intimamente ligadas à capacidade de gerar filhos – eram justamente consideradas indesejáveis pelo esporte. Embora eu mesma nunca tenha desenvolvido um transtorno alimentar, enfrentei dificuldades para manter uma nutrição adequada devido a essas pressões. Felizmente, eu estava cercada por familiares e médicos que priorizavam meu bem-estar geral e garantiram que eu mantivesse minha saúde enquanto continuava treinando e competindo em alto nível. Infelizmente, essa não é a realidade de muitas atletas.

O fator comum entre todos esses exemplos talvez seja melhor resumido pelas próprias palavras de Papadakis. Descrevendo suas lágrimas durante a viagem para casa após o aborto, ela escreveu: “Tratei meu corpo como uma máquina, envergonhada por ter traído minha equipe ao inadvertidamente concordar em me tornar humana, e então a pressão me atingiu”. O mundo dos esportes tende a tratar o corpo como uma máquina, e não como parte integrante de uma pessoa humana. Para atletas de elite, tudo – carreira, finanças, educação – depende do desempenho físico. Isso vale tanto para homens quanto para mulheres, mas os homens conseguem se aproximar mais facilmente do ideal da “máquina”, porque seus corpos são orientados para gerar vida fora de si mesmos. Já a estrutura física feminina (orientada para a gestação) e suas constantes flutuações hormonais são vistas como inconvenientes que o esporte tenta suprimir para encaixá-las no molde de uma máquina. A gravidez é o lembrete definitivo de que o corpo feminino não é uma máquina. Quando uma atleta engravida, torna-se subitamente evidente que o sucesso esportivo não é o único propósito do corpo.

Elana Meyers Taylor, mãe de duas crianças, conquistou o ouro no monobob nos Jogos Olímpicos de Inverno de 2026. Foi a sexta medalha olímpica de sua carreira. (Foto: Andrea Solero/EFE/EPA)

Críticas de ambos os lados

Para ser justa, a hostilidade do mundo esportivo em relação à fertilidade tem um fundo de verdade: é impossível – ou no mínimo inseguro – competir nos níveis mais altos do esporte enquanto se está em estágio avançado de gravidez. Também é verdade que muitas das diferenças biológicas entre homens e mulheres que contribuem para níveis geralmente mais baixos de força, velocidade e resistência nas mulheres (como menores níveis de testosterona e maior percentual de gordura corporal) estão intimamente ligadas à fertilidade feminina. Nesse sentido, a fertilidade feminina está, de fato, em tensão com as exigências do esporte de alto rendimento, e vivemos em uma cultura na qual pessoas de ambos os lados do espectro político se sentem profundamente desconfortáveis com essa tensão.

Muitos setores da esquerda respondem negando a diferença sexual nos esportes. Ignorando as diferenças físicas femininas – amplamente enraizadas na capacidade de carregar e dar à luz uma nova vida –, defendem a inclusão de homens biológicos nos esportes femininos. Quando são obrigados a confrontar a realidade da diferença sexual por causa da capacidade das atletas de engravidar, simplesmente propõem contracepção e aborto como soluções. Para aqueles de nós que veem a diferença sexual como uma realidade evidente, a maternidade como um bem e cada vida humana como sagrada, essas soluções são claramente inaceitáveis.

Embora muitos conservadores tenham corretamente concentrado seus esforços em se opor às tentativas de negar as diferenças sexuais nos esportes, existe também uma corrente de pensamento conservadora que responde à tensão entre fertilidade e esporte diminuindo a importância das capacidades e oportunidades atléticas das mulheres. Muitas vezes isso acontece de forma implícita – afinal, onde exatamente uma atleta olímpica de 30 anos se encaixaria no ideal da “tradwife” (esposa tradicional)? –, mas às vezes aparece explicitamente em alegações de que os esportes são intrinsecamente pouco femininos ou incompatíveis com a maternidade.

Apesar das preocupações legítimas sobre a corrupção da cultura esportiva de elite e sua hostilidade em relação à fertilidade feminina natural, declarar que os esportes são inadequados ou proibidos para as mulheres é uma reação exagerada e infeliz. Não existe razão científica ou prática para que as mulheres não possam praticar esportes no mais alto nível, respeitando ao mesmo tempo a estrutura natural de seus corpos e sua fertilidade.

A estrutura física feminina (orientada para a gestação) e suas constantes flutuações hormonais são vistas como inconvenientes que o esporte tenta suprimir para encaixá-las no molde de uma máquina

Alguns temem que altos níveis de exercício inevitavelmente prejudiquem a fertilidade e a saúde geral das mulheres, mas a ciência não confirma essa preocupação. Como Hannah Rowan relatou recentemente em um ensaio para a revista The Lamp, Jerilynn Prior conduziu um estudo com mulheres que desejavam treinar para maratonas sem prejudicar seus ciclos menstruais. Ela descobriu que o problema não era o exercício em si, mas a nutrição inadequada.

Da mesma forma, algumas pessoas observam o maior risco de determinadas lesões entre atletas mulheres e concluem que isso é uma característica inevitável dos esportes femininos. Essa conclusão parte do pressuposto de que os esportes, da forma como são praticados atualmente, representam um padrão imutável ao qual os corpos femininos devem se adaptar, ou fracassar. Recentemente, por exemplo, muita atenção foi dada à epidemia de rupturas do ligamento cruzado anterior (LCA) entre atletas jovens. As meninas são mais propensas a essa lesão do que os meninos devido a vários fatores, incluindo quadris mais largos e hormônios relacionados ao ciclo menstrual, fatores físicos claramente ligados à fertilidade feminina. No entanto, existem fortes evidências de que exercícios preventivos eliminam em grande parte esse problema. As taxas alarmantes de lesão decorrem da ignorância ou negligência na implementação desses exercícios.

O problema não é que os corpos férteis e saudáveis das mulheres sejam inadequados para os esportes. O problema é que poucas pessoas estão dispostas a dedicar tempo para ouvir o que os corpos femininos precisam e ajustar os métodos de treinamento.

E a maternidade?

Mas e a maternidade? Maternidade e esporte de elite são fundamentalmente incompatíveis, como concluíram alguns críticos tanto da direita quanto da esquerda? A resposta é um enfático “não”.

Talvez antigamente parecesse que o único caminho para atletas que desejavam se tornar mães era se aposentar jovens e só então ter filhos. No entanto, o número crescente de atletas de elite que deram à luz e retornaram às suas modalidades deixou claro que sucesso esportivo e maternidade podem caminhar juntos. Nos Jogos Olímpicos de Inverno de 2026, havia nove mães somente na equipe dos Estados Unidos, e um número recorde de medalhistas olímpicas retornou a esses Jogos já como mães.

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Esse fenômeno também não se limita aos esportes de inverno. Allyson Felix, uma das maiores atletas de atletismo de todos os tempos, é amplamente conhecida por ter continuado sua carreira após se tornar mãe e por defender os direitos maternos no esporte. Serena Williams venceu o Aberto da Austrália no início de sua primeira gravidez e retornou ao mais alto nível do tênis após dar à luz; depois de quatro anos aposentada, ela anunciou recentemente que retornará novamente às competições. E a lista não termina por aí.

Para deixar claro, não estou dizendo que toda atleta pode ou deve ter filhos durante sua carreira esportiva. A sequência “esporte primeiro, maternidade depois” é um caminho perfeitamente viável e talvez até o melhor para muitas mulheres nessa situação – embora ter filhos não tenha sido a razão pela qual me afastei da patinação competitiva aos 22 anos, essa sequência funcionou muito bem para mim. No entanto, as mães atletas dos Jogos Olímpicos de 2026 (e não só desses Jogos) nos mostraram que, embora exista uma tensão entre esporte de elite e maternidade, é absurdo afirmar que as únicas soluções para essa tensão sejam a contracepção e o aborto, ou a limitação da participação feminina nos esportes.

O caminho a seguir

A cultura esportiva precisa fazer um trabalho melhor ao afirmar a bondade do corpo feminino e da fertilidade feminina. A frequência de doenças, lesões e até abortos entre atletas mulheres aponta para uma cultura que vê o corpo humano como uma máquina, e não como um componente integral da pessoa humana. Ao mesmo tempo, a cultura em geral precisa ajustar sua visão sobre mulheres e esportes para acomodar tanto a fertilidade feminina quanto a extraordinária capacidade das mulheres para a excelência atlética. Nem todas as atletas se tornarão mães durante suas carreiras esportivas. Mas aquelas que o fazem são lembretes poderosos de que, por uma questão de justiça, precisamos respeitar tanto a fertilidade feminina quanto a capacidade das mulheres para a excelência esportiva. Por meio de seu testemunho e de sua atuação pública, essas mães atletas já estão ajudando a reconstruir o esporte feminino em torno das necessidades reais das mulheres.

No entanto, não acredito que essa seja apenas uma questão de justiça. Essas atletas-mães nos desafiam a ir além e mudar a forma como pensamos sobre excelência física e sobre aquilo de que as mulheres são capazes. As narrativas dominantes de nossa cultura frequentemente forçam as mulheres a se encaixarem em categorias estanques. O feminismo predominante, embora corretamente rejeite a antiga tendência de reduzir as mulheres à sua capacidade reprodutiva, também rejeitou a bondade da fertilidade feminina natural e colocou maternidade e sucesso em oposição uma à outra. Ao mesmo tempo, narrativas populares antifeministas tendem a exaltar a fertilidade feminina de tal forma que acabam ignorando a capacidade das mulheres para outros tipos de excelência. A própria existência de mães atletas nos mais altos níveis do esporte nos obriga a reconsiderar essas narrativas e reconhecer uma verdade muito diferente: a maternidade e a excelência física são, na verdade, duas faces da mesma moeda.

Allyson Felix tem 11 medalhas olímpicas (7 de ouro), duas delas conquistadas depois de ter dado à luz. (Foto: Wu Hong/EFE/EPA)

Essa é uma verdade na qual passei a acreditar por meio da minha própria experiência como atleta de elite e mãe. Levei tempo para enxergar isso. Nos primeiros anos da maternidade, as mudanças físicas provocadas pela gravidez e pelo pós-parto pareciam o oposto de tudo aquilo para o qual eu havia treinado meu corpo como atleta. Mas agora, seis anos após me tornar mãe, já não vejo a maternidade como um afastamento da minha carreira esportiva, mas como uma continuação dela. O trabalho da gravidez, do parto e da criação dos filhos exige muito fisicamente, e a capacidade do corpo feminino de gerar e sustentar uma nova vida é tão magnífica quanto qualquer desempenho digno de medalha de ouro. Vi que o corpo de uma mãe – durante a gravidez, no pós-parto ou enquanto cria seus filhos – tem uma forma de excelência física, até mesmo uma espécie de atleticismo. Mesmo quando uma mulher não está grávida ou nunca esteve, seu corpo aponta constantemente para essa verdade, preparando-se para uma nova vida a cada ciclo menstrual, sempre “em treinamento” para as exigências físicas da maternidade.

A maioria das mulheres não tem a oportunidade de aprender isso por experiência própria, como eu aprendi. É por isso que acredito que o testemunho das mães atletas é tão poderoso: elas desafiam as pessoas a perceberem que a mesma mulher, o mesmo corpo, é capaz de dois tipos diferentes, mas igualmente exigentes, de excelência física. Muito pode ser dito contra a ideia de que as mulheres não têm excelência atlética ou de que sua fertilidade é um obstáculo ao sucesso esportivo, mas o argumento mais poderoso é simplesmente ver mulheres como Francesca Lollobrigida e Elana Meyers Taylor realizarem feitos impressionantes de força e agilidade e, logo depois, abraçarem seus filhos pequenos.

Essa verdade nos permite construir uma visão mais ampla e mais realista da excelência física feminina, mas ela também aponta para uma verdade ainda mais profunda. Volto repetidamente ao lamento comovente de Papadakis de que ela havia “inadvertidamente concordado em se tornar humana”. Suas palavras me lembram a pergunta retórica da escritora Dorothy Sayers: “As mulheres são humanas?” Tantas vozes em nossa cultura nos dizem que a resposta é não, mas as mães atletas de elite oferecem um sonoro “sim” a essa pergunta. Quase sem exceção, essas mulheres falam das mudanças positivas que a maternidade trouxe para suas motivações e para seu desempenho esportivo.

A cultura esportiva precisa fazer um trabalho melhor ao afirmar a bondade do corpo feminino e da fertilidade feminina

Ao anunciar sua tentativa de retorno para os Jogos Olímpicos de Los Angeles, em 2028, Allyson Felix lançou um site explicando sua motivação: “E se a maternidade fizer você ser mais, e não menos?” Francesca Lollobrigida falou sobre seu desejo de vencer por seu filho, Tommaso, e de servir como exemplo para outras mulheres que desejam seguir tanto o esporte quanto a maternidade. A medalhista olímpica do bobsled Kaillie Humphries, mãe de um menino pequeno, declarou: “A maternidade (…) me impulsionou a ser maior, mais rápida e mais forte”. E Elana Meyers Taylor, que conquistou o ouro em 2026 acompanhada de seus dois filhos pequenos com necessidades especiais, afirmou: “Meus filhos se tornaram meu motivo. No começo era entrar para uma equipe olímpica, conquistar uma medalha olímpica, conquistar uma medalha de ouro. (…) Quero mostrar aos meus filhos que, independentemente dos obstáculos que você enfrente, pode superá-los e perseguir seus objetivos”.

Por meio da maternidade e do esporte, essas mulheres descobriram sua capacidade não apenas para a excelência física, mas para a excelência humana: para a virtude. Elas compartilham essa capacidade com os homens, mas a vivem de uma forma distintamente feminina e encarnada. Talvez a maior lição que possamos aprender com as mães olímpicas seja que as mulheres são mais do que seus corpos e que todos somos chamados a uma excelência humana integrada, de corpo e alma.

Siobhan Heekin-Canedy escreve sobre assuntos internacionais, religião, esportes e feminismo. Tem mestrado em Direito e Diplomacia, competiu pela Ucrânia na dança no gelo entre 2008 e 2014, e participou dos Jogos Olímpicos de Inverno de 2014. Ela e o marido, Michael, têm duas filhas.

©2026 The Public Discourse. Publicado com permissão. Original em inglês: Female Fertility and Athleticism: Two Sides of the Same Coin

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