O regime de Xi Jinping justificou nesta segunda-feira (29) uma série barreiras comerciais a exportação de pelo menos 40 entidades do Japão, em um movimento que, segundo Pequim, busca combater o “novo militarismo” de Tóquio.
Em entrevista coletiva, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Guo Jiakun, explicou que as medidas afetam exclusivamente artigos de uso duplo e que “não repercutem” nas relações econômicas e comerciais normais entre China e Japão.
Além disso, afirmou que a inclusão na lista de controle se dirige unicamente contra um número reduzido de entidades japonesas, ao mesmo tempo em que expressou que as companhias nipônicas que operam de forma “honesta” e respeitam a legislação não têm motivo algum para preocupação.
“Esperamos que o lado japonês retifique o seu rumo, corrija as suas ações errôneas, reflita sinceramente sobre elas e volte ao caminho correto”, afirmou o porta-voz.
A China anunciou nesta segunda-feira novas restrições à exportação de artigos de uso duplo direcionadas a entidades japonesas, em resposta ao que descreveu como uma “remilitarização” de Tóquio, ao incluir 20 entidades nipônicas em uma lista de controle e outras 20 em uma lista de vigilância.
O governo japonês, por sua vez, também qualificou nesta segunda-feira como “inaceitáveis” as incursões de navios chineses em águas que cercam a ilha de Yonaguni, próxima a Taiwan, após manobras anunciadas por Pequim no início do mês e outras mais recentes.
A respeito deste ponto, Guo defendeu as atividades realizadas pelas autoridades competentes chinesas nessas águas como “razoáveis, legais e plenamente legítimas” ao assinalar que Pequim possui uma zona econômica exclusiva e uma plataforma continental nas águas situadas ao leste da ilha de Taiwan, que reivindica como própria.
O porta-voz também criticou o Japão e as Filipinas pelo início “de forma unilateral” de negociações para a delimitação de suas zonas marítimas, esquivando-se da China, com o que considerou que violaram gravemente o direito internacional.
As relações entre Pequim e Tóquio se deterioraram no final de 2025, depois que a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, afirmou que um eventual ataque chinês contra Taiwan poderia constituir uma ameaça à sobrevivência do Japão e justificar a intervenção de suas Forças de Autodefesa.
Desde então, o regime chinês tem respondido com protestos diplomáticos, advertências de viagem, restrições comerciais e críticas ao que interpreta como um reforço das capacidades militares japonesas.
VEJA TAMBÉM:


